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Atrapalhar, mas pouco

DSC_4758Quis o acaso que o nosso encontro com os AtrapalhArte fosse curiosamente na sua primeira actuação ao ar livre, na esplanada do café Santa Cruz. “Robertices” era o espectáculo em cena e apesar do trabalho deste colectivo se dirigir essencialmente às crianças, adultos não faltaram. E a gostarem. Quisemos conhecê-los e fomos até à escola Eugénio de Castro, onde têm o seu espaço, ter com Fernando Alves, Gonçalo Babo, Márcia Fonseca e Paulo Ribeiro. Não negamos, houve mesmo alguma trapalhada.

A companhia teatral AtrapalhArte faz as delícias das crianças há cinco anos. Primeiro o assunto não era levado tão a sério, mas hoje em dia estamos a falar de centenas de espectáculos por ano lectivo, nas escolas de todos os cantos do país. “Alguns de nós entretanto mudaram, mas quando começámos ainda estávamos a estudar teatro e a coisa era mais na brincadeira, aos fins-de-semana. Fizemos o estágio n’O Teatrão em teatro infantil e quando terminámos, começamos logo a experimentar com as escolas e foi correndo tudo muito bem.”. Foi a aposta certa, dizemos nós.

Para os AtrapalhArte, o fascínio deste trabalho é proporcional ao desafio constante com que lidam. Mas acima de tudo, o que eles querem é mudar o panorama. “Quisemos mudar um pouco a filosofia e a forma de fazer teatro infantil, de uma forma mais arrojada e menos habitual. Defendemos que as crianças quando vão ao teatro se devem divertir. Para além da parte pedagógica, que é importante, é bom que se divirtam e que seja um momento inesquecível para eles”. Além disso, dá-lhes um gosto adicional o facto de que em muitos sítios “possivelmente seja a única oportunidade que as crianças têm de ir ao teatro”.

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Na constante tentativa de aproximação ao seu público, as personagens que criam têm tudo para ficarem mesmo na memória. Com cenários e figurinos sempre pensados por eles e a rigor, o tom e o enredo das histórias é trabalhado de forma a que as crianças não queiram abandonar a sala. E para minimizar essa possibilidade, porque as coisas por vezes não correm bem, vai sempre uma criança ao palco participar na trama, é desafiante envolverem-se. Mas não esquecem os adultos. “Preparamos momentos para adultos quando construímos o espectáculo. Seria injusto ser só para as crianças usufruírem. E é bom que elas percebam que os adultos também brincam e também gostam de fazer de conta”.

São duas as peças que neste momento os AtrapalhArte têm para apresentar. “O Príncipe Nabo”, uma adaptação a partir do texto homónimo de Ilse Losa e “Robertices”, a partir da obra de Luísa Dacosta. “Em cada ano lectivo apresentamos uma peça, não sobra mais tempo”. No entanto, o Verão que se aproxima não promete acalmia. “Andamos a tentar que as Câmaras Municipais apostem em espectáculos na praça pública. Além disso temos dois projectos em vista, um em S. Pedro do Sul e outro na Mata do Buçaco, sobre as invasões francesas”.

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Não nos deixaram vir embora sem agradecer à Eugénio de Castro pelo apoio incondicional que lhes dá desde o primeiro passo e sem nos lembrarem que têm uma campanha a decorrer para a ajuda na compra de uma carrinha nova.

Estando conscientes de que só indo ver uma actuação dos AtrapalhArte estas palavras fazem completo sentido, fica o alerta para que os possam apanhar numa escola ou praça perto de vós.

Pais que nos estejam a ler, vejam lá com atenção se já não ouviram falar do Porco Leitão ou do Rato com a cauda gigante?

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 21 de Maio de 2015)