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Mancines – Eden´s Inferno

DSC_2937Está prestes a desvendar-se um dos segredos mais bem guardados da cena musical portuguesa (e de Coimbra) dos últimos tempos. Eden’s Inferno é o nome do primeiro álbum dos Mancines, uma quase banda sonora nascida algures entre os céus e os infernos pessoais de cada um dos membros e convidados que se juntaram para a gravação desta gema musical.

Concebido e orquestrado por Pedro Renato (Belle Chase Hotel, Azembla’s Quartet) e Gonçalo Rui (Produtor musical e guitarrista), com um duo vocal de luxo composto por Raquel Ralha (Belle Chase Hotel, Azembla’s Quartet, Wraygunn) e Toni Fortuna (M’as Foice, Tédio Boys, d3o) e um grupo de convidados de fazer inveja a qualquer big band internacional (Miguel Duarte, Luís Formiga, JP Simões, Luís Pedro Madeira, Sérgio Costa, Daniel Tapadinhas e um quarteto de cordas composto por professores do Conservatório), Eden’s Inferno é uma espécie de viagem cinematográfica através dos sons que convida a ouvir em modo repeat. Há cerca de 3 anos na forja, soubemos da sua existência por uma sucessão de felizes acasos e chegados a uma semana da estreia (dia 9 de Abril, no Conservatório de Música de Coimbra, às 21:30) fomos ao local onde tudo se vai passar para gravar um Palco Preguiça e ouvir os realizadores sobre este novo trabalho.

Começando pelo início, o nome Mancines é uma referência ao pianista e compositor italo-americano Henry Mancini, que se explica naturalmente pela ligação de Pedro Renato e também dos restantes membros da banda ao cinema e ao universo musical da banda-sonora cinematográfica. As músicas guardadas na gaveta do guitarrista, algumas há mais de 15 anos, viram finalmente a luz do dia e ganharam novas formas com a participação dos diferentes elementos e das suas vozes e instrumentos.

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Se o inglês é a língua predominante nesta banda sonora, alguns temas surgem ditos/cantados por Raquel Ralha num impecável italiano que surge também de forma natural. Nas palavras da vocalista, “cada língua tem uma musicalidade própria e remete para ambientes diversos e no caso, aquelas músicas faziam sentido serem cantadas (ou ditas) em italiano.” Una Notte Indecisa, Solitudine e Ninnananna são três exemplos mágicos de como certas línguas podem transmitir um sentimento adicional a algo já de si tão belo e profundo, como é o caso das melodias originais que aqui abraçadas pelo italiano ganham claramente uma musicalidade especial.

A par das escolhas linguísticas, as letras são também um veículo de transmissão de ideias e sentimentos, partilhadas entre Raquel Ralha e Toni Fortuna, este último o autor da letra do single Time, o tema que tem dado voz ao projecto desde o início da sua divulgação e que trazemos interpretado ao vivo no nosso Palco Preguiça. Perguntado sobre o significado, o vocalista explica-nos que Time fala obviamente (mas não de forma óbvia) do tempo e da sua voragem. “Do tempo que passa por nós, do tempo que passa por alguém que está sentado num sítio qualquer mesmo não estando, no tempo de uma boneca velha pousada num sítio qualquer. Do tempo que passa por nós. Às vezes nem notamos, mas a verdade é que passa e não dá para voltar atrás”.

Se para quem ouve Mancines parece que se trata de uma banda de sete ou oito músicos, a verdade é que em palco surgirão “apenas” cinco (os quatro elementos nucleares e Luís Formiga na bateria), ainda que por vezes alternem entre um ou outro instrumento, e todos sem as habituais máquinas infernais de som (vulgo amplificadores). Alguns dos sons e arranjos (tal como a guitarra-baixo) estão previamente gravados, sendo a razão de tal opção, para o produtor e guitarrista Gonçalo Rui, bastante simples: “O objectivo é limpar o som para que as pessoas tenham o máximo de percepção do que estamos a tocar. Podemos assim condensar a banda e ter alguns sons e algumas coisas previamente gravadas que não alteram o facto de estarmos a tocar ao vivo. E para termos boa qualidade e para conseguirmos pôr em palco esses sons mais delicados com boa qualidade, não podemos ter ali 3 amplificadores de guitarra a debitar não-sei-quantos watts num auditório.”

Apesar desta aparente digitalização da performance, podemos confirmar que o som da sala é extremamente rico e que esta opção se revela realmente bastante eficaz na percepção dos diferentes sons presentes no disco, que a serem integralmente tocados ao vivo poderiam implicar a presença de 20 ou 30 músicos em palco, algo difícil de concretizar por razões óbvias. O objectivo é, no entanto e se as condições o permitirem, realizar no futuro espectáculos com 7 ou 8 músicos, mas para já todos eles terão que ser imaginados ao vivo. Esse é um bom desafio para o próximo dia 9 de Abril, no primeiro espectáculo deste novo projecto. Afinal, o apelo à imaginação faz parte de qualquer bom filme e esta banda sonora é uma exemplo disso mesmo. Para ajudar a essa viagem pelo tempo que passa por nós, aqui fica o Time tocado ao vivo e a cores no Conservatório de Música de Coimbra.

 

Texto, fotografia e vídeo de Bruno Pires

(Publicado a 03 de Abril de 2015)