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Pastéis de Nata – Vénus

BPI_4092Lutei contra isto com todas as minhas forças, mas não havia outro local onde este itinerário doceiro pudesse terminar que não aqui. A Vénus faz parte do meu percurso de vida desde a sua abertura, estudava eu numa escola não muito distante dali. Sou do tempo antes dos cartões magnéticos, antes ainda dos papéis de registo do consumo, entregues à porta por uma funcionária de ar enfastiado, e antes da existência de duas salas.

E bem sei que a Vénus reúne muitas antipatias por diversas razões: pela forma de atendimento de algumas funcionárias, pela zona onde está implantada, pela relação preço/qualidade, entre outras razões… bem sei. E discordo veementemente! Adoro tudo, da decoração aos produtos, à televisão habitualmente sintonizada na CMtv, passando pelas ‘Madame Laca’ com os seus casacos de pêlo e bengalas ornamentadas, e outras características (diametralmente opostas), que lhe dão aquele ambiente especial cheio de contrastes.

Foi lá que, entre outras coisas, tive encontros ‘românticos’, aturei bebedeiras alheias enquanto, com mini pizzas e sumo de laranja natural, retemperava forças depois de uma ou outra noite de rock n’ roll no States, e que escrevi e fiz revisão de textos que vim mais tarde a publicar. Muitos dos projectos que agora são do conhecimento público foram alimentados ali a cachitos, barquinhos de chantilly e ananás ou a doses industriais de empadinhas de massa tenra.

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A oferta de produtos da Vénus é grande e vai desde as mais diversas variedades de pão, biscoitos e bombons à pastelaria, permitindo percorrer uma longa lista de salgados e não descuidando a possibilidade de fazer lá uma refeição (provem a sopa de peixe, se tiverem oportunidade). O pastel de nata não é o melhor que esta pastelaria tem para oferecer. Mas se tiverem a oportunidade de os apanhar saídos do forno há pouco tempo, são uma delícia acompanhados de um abatanado. É uma nata que vale mais acompanhada do que só.

O aspecto é tosco e a dimensão é pequena, especialmente comparando com os espécimes do eixo Portagem – Rua da Sofia, verdadeiros gigantones de ovos e açucar. Mas o sabor é muito competente e a consistência do creme tem o ponto certo para poder ser comida à colher ou trincada em conjunto com a massa. É um pastel bastante reconfortante, apesar de pequeno e a massa é fofa o suficiente para não se alojar ferozmente entre os dentes. Isto não quer dizer que o segundo (ou o terceiro) não desça(m) bem. E como vos digo, uma visita à Vénus vale sempre a pena.

Vénus – Boutique de Pão | Avenida Calouste Gulbenkian 131

É também chegada a hora de ditar um veredicto final sobre o melhor pastel de nata de Coimbra, tarefa que me deixa bastante desconfortável. A busca foi árdua e laboriosa. Por isso mesmo, não houve recanto que não investigasse – o que incluiu aproveitar deslocações a Lisboa e Porto para uma perspectiva comparativa – e, naturalmente, não houve crónica que entregasse a horas. Uma coisa é certa: Coimbra tem uma óptima oferta de pastelaria e de pastéis de nata, mas poucos são os locais onde esta se concentra.

Parti para o terreno com ideias feitas. E foi encontrar outros ‘favoritos’, o que não invalida de qualquer forma o regresso aos meus locais de eleição com o mesmo prazer. Pela surpresa, pela descoberta, por se valer apenas dele mesmo, sem precisar de canela, açucar em pó ou uma bebida a acompanhar, o meu eleito é o pastel de nata da Palmeira.

Discordam? Óptimo. Vamos comer uma nata e trocamos umas ideias sobre o assunto!

Texto de Rita Alcaire
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 30 de Março de 2015)