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Motel Pantanal

MotelPantanalOs Motel Pantanal lançaram o seu primeiro EP: Motel Pantanal. Quisemos saber mais e fomos ter com a banda ao Aqui Base Tango, curiosamente o local onde se mostraram ao público pela primeira vez. A tarde teve direito a muita música, muita conversa e umas cervejas a acompanhar. As gravações do vídeo Preguiça deram luz a um final de tarde diferente e não podiam ter corrido melhor. O resultado está à vista.

Os Motel Pantanal são Alberto Ferraz (voz e guitarra), Miguel (baixo), Zé Lucas (guitarra) e Pedro Matos (Bateria). Juntaram-se no final de 2013 e desde então nada os tem feito parar. “Tudo começou numa noite no Académico em que o Zé me desafiou para fazer alguma coisa, até porque estávamos os dois semi-parados”, contou Alberto. “Lembrei-me logo do Miguel, porque já tínhamos feito umas brincadeiras juntos e assim surgiu o convite. Só faltava um baterista. Experimentámos vários e quando ouvimos o Pedro a tocar, olhámos uns para os outros e pensámos: e agora? Era de facto o elemento que faltava. Além do mais, sabe artes marciais e é sempre bom ter alguém que possa defender a banda”.

Imaginando que alguns de vós conhecem o Motel Pantanal que existe na estrada nacional 1, perguntámos à banda se o nome foi inspirado aí. Miguel não teve problemas e assumiu tudo. “Esse motel existe e é um local engraçado. Após ter surgido, a ideia ficou a pairar. E como não é fácil arranjar nomes em português, acabou por ficar, pareceu-nos sugestivo. De qualquer forma, queríamos um nome que não definisse nada e para nós Motel Pantanal não quer dizer especialmente nada, foi uma casualidade”.

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Após pouco mais de um ano de trabalho, surge então o primeiro EP da banda, onde estão reunidos seis temas: Kabbalah, Tigre da Somália, Osso, N.S.C., TV Social e Inês. Foi um trabalho realizado integralmente pelos quatro, desde fazer a capa, a gravação e a masterização. “O processo discográfico é um processo complexo e longo. Andámos mais de seis meses a produzir, a misturar, a gravar e a captar. Se fôssemos para um estúdio com um produtor, íamos ser completamente influenciados e decidimos ser somente aquilo que queríamos, sem questões de tempo”, explicaram.

Para os Motel Pantanal tudo funciona melhor se for feito desta maneira, ou melhor, à sua maneira. A aprendizagem e partilha de ideias constantes são os ingredientes que consideram fundamentais para conseguirem traçar o seu caminho. “Fizemos um trabalho de pré-produção em que compusemos as músicas e enquanto as misturávamos, elas cresceram de outra maneira. As próprias músicas cresceram com o processo de gravação. Entretanto, já estamos a trabalhar noutro material, inclusive a música que vamos tocar para vocês, que não está no EP: Modo de vida. É uma constante evolução”.

A sonoridade dos Motel Pantanal não cabe numa simples definição. Os próprios admitem que ao ouvir as seis músicas deste trabalho, não se consegue dizer que são todas da mesma banda. “Somos uma banda rock, mas algumas músicas soam a pop, são inspiradas na pop dos anos 70. Por exemplo, o Zé tem uma sonoridade muito britânica com a sua guitarra a solo. Se tirássemos o seu tom melódico, isto era uma banda punk”. Com influências musicais diferentes, o que interessa mesmo é que “chegamos sempre a um entendimento. Como cada vez mais sabemos qual é o nosso espaço na banda e como o podemos trabalhar em equipa, é na conjugação dos nossos gostos e daquilo que fazemos individualmente que criamos a música dos Motel Pantanal e a nossa identidade”.

Por falar em identidade, há algo que os caracteriza particularmente: cantar em português. “É a língua que falamos. Se formos a pensar, cantar em português ou em inglês não traz mais impacto em termos de projecção. Mas não é fácil compor em português e que soe bem. A maioria das letras fala de conceitos ou ideias e não sobre experiências directas ou pessoais. E tal como o resto, também as letras têm passado por um processo de evolução e aprendizagem”.

Para além do videoclip especial Preguiça, os Motel Pantanal lançaram o seu primeiro videoclip, da música Kabbalah. Como não podia deixar de ser, também ele foi realizado e editado inteiramente pelos quatro. Com inspiração nos filmes dos anos 50, em Hitchcock e Tarantino, o vídeo, gravado em Coimbra, é a preto e branco e pode ser visto como uma curta-metragem. “A ideia original era que tivesse um conceito minimamente religioso. Havia várias ideias e depois conseguimos optar por uma: quatro padres possuídos pelo demónio. Queríamos fazer uma história e não aparecer a cantar nem a tocar”.

Com 500 cópias em formato físico, o EP já está por aí para ser ouvido. Após se terem estreado ao vivo no Festival de Música Moderna de Corroios 2014 e de terem chegado à final, os Motel Pantanal vão agora andar na estrada. “Este ano queremos dedicar-nos a tocar mais ao vivo, mostrar e divulgar o nosso trabalho. Vai ser um ano de divulgação da banda”.

E a divulgação começa já aqui, no nosso Palco Preguiça.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 16 de Março de 2015)