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Parabéns à Universidade

DSC_1602Este ano a Universidade de Coimbra (UC) está em festa. Para além da já habitual Semana Cultural, que este ano vai na sua 17ª edição e acontece entre 1 de Março e 1 de Maio, são celebrados os 725 anos desta instituição de ensino superior. Sob o mote “UC 725 anos: Tempo de Encontro(s)”, realizam-se ao longo de todo o ano mais de 170 eventos em diversas áreas. A Preguiça juntou-se à celebração e com direito a uma visita privilegiada por um dos locais mais emblemáticos da Universidade, foi ao encontro da vice-reitora para a Comunicação e Cultura, Clara Almeida Santos.

Começamos pelos factos. Foi no dia 1 de Março de 1290 que D. Dinis assinou o documento que instituía a Universidade portuguesa, o Scientiae thesaurus mirabilis, dando assim origem à Universidade mais antiga do país, a de Coimbra. Passados 725 anos, recheados de imensas histórias e povoados por muita gente, é inegável a projecção nacional e internacional que a nossa Universidade tem. “O Sr. Reitor costuma dizer que é uma das poucas marcas globais que Portugal tem. Quando lá fora se fala em Universidade em Portugal, há uma marca, que é a UC. O nome de Coimbra é conhecido pela Universidade”, afirmou convictamente a vice-reitora.

A decisão de marcar a data devidamente pode explicar-se de forma (quase) simples. “Resolvemos assinalar os 725 anos porque quando começámos a pensar nesta efeméride, e como ela se podia dizer, houve uma fórmula que surgiu e de que gostámos muito: sete séculos e um quarto. Pareceu-nos que falávamos de horas e isso é muito interessante. Porque apesar de ser um tempo longo, é curto para quem por aqui passa, embora também varie de acordo com o grau de experiência que existe: como estudantes, colaboradores, investigadores, etc. Também porque nos parecia um tempo de marcação de um encontro e foi a partir daí que surge a ideia do Tempo de Encontro(s)”, relembra.

Achado o pretexto ideal para a promoção dos ansiados e merecidos encontros, foram postas mãos à obra e delineada uma programação cultural rica em histórias para divulgar e pensar, dando espaço a que tantas outras, novas, surjam.

Clara Almeida Santos refere desde logo que um dos encontros que se dá este ano é “o da Universidade com ela própria e com a sua história. De facto, são muitos anos e muitas narrativas cabem neles. É uma boa ocasião para as contar e para criar os seus embaixadores”. É também o encontro com “o património da UC, celebrando ainda a inscrição na lista do Património Mundial. Um encontro com os espaços da Universidade, que muita gente não conhece, mesmo da cidade. Uma situação que se ampliou também devido ao crescimento da própria UC para zonas mais descentradas da zona histórica”. E é igualmente um encontro com “os países de língua portuguesa. É uma aposta forte nesta programação e que surge também da comemoração dos 40 anos da independência dos países africanos que falam português”.

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Este ano a 17ª Semana Cultural, aceitando o desafio de se apresentar sob o mesmo mote, está integrada na comemoração dos 725 anos. “Foram privilegiadas propostas que fossem feitas em parceria. Permite que as pessoas se encontrem para produzir juntas e ao mesmo tempo, permite redução do número de iniciativas e assim potenciar o financiamento”. Tendo começado no dia 1 de Março e com fim a dia 1 de Maio, e a pensar naqueles que se perguntam sobre a razão de se chamar uma semana, aproveitámos a ocasião e perguntámos. “Começou por ser uma mostra universitária, mas acabava por ser uma coisa muito endógena da própria Universidade. Quando se começou a procurar alguma parceria com outros agentes culturais, os eventos já não cabiam numa semana. Nunca mudámos o nome. É uma marca e é difícil separarmo-nos dela. É a semana mais longa do mundo”.

Perante uma programação coerente e diversificada, Clara Almeida Santos define como muito difícil a tarefa de fazer destaques. “Todas as propostas são muito interessantes e alguns eventos serão marcantes para o país. A Reitoria também tinha o desejo de fazer algo mais simbólico e propõe algumas, como sejam o Congresso de Língua Portuguesa em Dezembro, o Videomapping sobre a UC em Julho, assinalando o ano Internacional da Luz (designado pela UNESCO), ou o Encontro dos Antigos Estudantes, também em Julho, sob o tema olhar a Universidade partindo de um ponto de vista externo. Queremos chamar estudantes que passaram por cá e que nos ajudem a pensar a Universidade hoje”.

A vice-reitora não tem dúvidas que acertaram no tema. “Tem sido interessante ver como as pessoas se têm unido e encontrado em torno destes 725 anos. Queremos muito promover esse encontro e assumi-lo como um encontro paradoxal: entre o velho e o novo. Tem 725 anos de história, mas ao mesmo tempo é uma Universidade viva, actual e actuante. Tem investigação de ponta em muitos sectores e está associada a uma incubadora de empresas de base tecnológica que foi considerada a melhor do mundo. E tem a história e a tradição que nos define e distingue. Nas outras áreas, como o ensino e a formação avançada, há muita competição em igualdade de circunstâncias”.

Lembrando que a Universidade de Coimbra tem muito para oferecer para além das salas de aula, Clara Almeida Santos citou a Preguiça quando lhe pedimos que vos deixasse uma mensagem: “depois dizes que não há nada para fazer”.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 9 de Março de 2015)