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Coimbra reinventada

2530O fado de Coimbra já não é (só) o que era. O quinteto Ricardo Dias Ensemble é a prova de que a canção de Coimbra pode assumir um novo registo. Lançaram em Outubro passado o seu primeiro disco, Coimbra, e estreiam-se na cidade anfitriã desta aventura já na próxima sexta-feira (dia 16) no TAGV. Durante uma tarde bem passada, a Preguiça conversou com os músicos e teve direito a ouvir umas músicas ao vivo. Registámos tudo.

Ricardo J. Dias (piano e acordeão), Ricardo Dias (guitarra de Coimbra), Ni Ferreirinha (guitarra clássica), Bernardo Moreira (contrabaixo) e José Vilhena (voz) assumem os comandos deste projecto e através das suas vastas, e diversas, experiências musicais dão novo corpo à canção de Coimbra. Garantindo que a alma é a mesma.

Tudo começou há um tempo quando, como sócios do À Capella, Ricardo J., Ni e Ricardo tiveram a ideia de criar algo diferente do que já existia e de fazer um disco em que se juntassem. “A ideia ficou a marinar e a certa altura, o Ni foi mais contundente e afirmou que já estava na altura de passar das palavras aos actos”. Após a decisão tomada, juntaram-se os restantes membros e de uma forma quase natural surgiu a formação ideal, esta.

A bússola que os guia é a canção e o fado de Coimbra, os seus temas clássicos, mas o caminho que traçam é o de uma sonoridade completamente recriada. “Continuamos a cantar a canção de Coimbra, o amor, a saudade, a dar o grito de revolta, mas com um novo suporte musical”. Com influências distintas, desde o jazz, ao fado de Lisboa ou à música tradicional portuguesa, estes cinco elementos criam um som coeso onde a qualidade é o ingrediente principal. “Não fazemos concessões, somos criteriosos e rigorosos na análise e na elaboração musicais”.

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Para este quinteto, não está em causa a tradição, pois tudo é possível co-habitar. No entanto, a criatividade é essencial para que a música se possa afirmar. “Não queremos menorizar o passado, mas para avançar ou catapultar a canção e a guitarra de Coimbra precisávamos de acrescentar algo. Hoje em dia, até pelos condicionalismos que a sociedade impõe, não existe um tempo de maturação do músico: a pessoa entra na faculdade, toca enquanto estuda e depois desliga. E como em outras áreas, se não houver dedicação é difícil manter a qualidade. Isso é uma exigência de hoje”.

Levar a música de Coimbra além-fronteiras é um desejo que pulsa forte. Querem que outros ouvidos a escutem e que se possa impor num meio que não seja unicamente associado aos estudantes da cidade. “A canção de Coimbra é uma música regional. É muito bonita mas não sai daqui, não tem uma dimensão nacional como tem, por exemplo, o fado de Lisboa. Está muito associada aos estudantes e ex-estudantes e pouca gente se profissionalizou na área. É um género muito rico e cheio de valor e se for bem executado e cantado, mais facilmente chega lá. Não queremos ser os melhores, mas estava na altura de alguém tentar isso”.

Coimbra é um disco que viaja pelo património da cidade ao longo de 12 temas. Passando por temas clássicos, de intervenção ou dos anos 80, a herança é respeitada. “São os clássicos rearranjados, com bom som e um excelente nível técnico”. Quanto aos inéditos, só o futuro o dirá.

O quinteto apela para que o público não tenha preguiça e que vá ao concerto, prometendo algumas surpresas com convidados de luxo.

Antes disso, podem ouvi-los já aqui, no nosso Palco Preguiça.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires
Vídeo de Bruno Pires e Carina Correia

(Publicado a 14 de Janeiro de 2015)