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Marionet: ‘A Expressão das Emoções’

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Nos próximos dias 25, 26 e 27, a Marionet regressa à acção com a peça ‘A Expressão das Emoções’. O espectáculo será acolhido pelo Teatro da Cerca de São Bernardo, esperando-se uma experiência com impacto. A Preguiça encheu-se de emoção, foi assistir a um ensaio e falou com o encenador (também actor e guionista) Mário Montenegro.

Desde o ano 2000 que a Marionet tem habituado os espectadores da cidade, e não só, a produções que remetem para uma aproximação entre o teatro e a ciência. Algo que tem conferido uma identidade particular a esta companhia preocupada em cruzar duas áreas que, como nos provam, podem e devem co-habitar.

É o caso da sua mais recente peça: ‘A Expressão das Emoções’. “A ideia surgiu a partir de umas fotografias de um médico francês do século XIX, Guillaume Duchenne. Ele aplicava choques eléctricos na cara dos seus pacientes, que sofriam de problemas mentais, para ver que músculos estavam envolvidos em determinadas expressões de emoções e registava essas experiências com fotografias. E o Charles Darwin inspirou-se mais tarde na obra de Duchenne para escrever ‘A expressão das emoções nos homens e nos animais’, reproduzindo algumas dessas imagens. São imagens com grande impacto e foi isso que esteve na origem desta peça”, contou o encenador.

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Após este ponto de partida, deu-se início a um intenso trabalho de pesquisa que culminou na construção de um enredo onde duas disciplinas se sobrepõem. “Há duas disciplinas muito interessantes que abordam as emoções: a arqueologia e a história das emoções. São recentes e nas duas últimas décadas têm-se desenvolvido bastante. Dentro desta nossa perspectiva de aproximar a ciência e o teatro, quisemos reflectir sobre as eventuais sobreposições que possa haver entre essas duas disciplinas”.

O guião foi escrito de raíz também por Mário Montenegro, que considera ter sido um enorme desafio escolher e limitar a informação de uma imensidão de material que existe sobre o tema. Os espectadores são então levados à presença de um grupo de arqueólogos das emoções que tentam recuperar emoções do passado através de objectos eventualmente carregados de emoções e vão estudá-las usando técnicas teatrais. “Vai ser usada uma técnica específica desenvolvida por Richard Schechner chamada de ‘rasaboxes’. É uma grelha com nove rectângulos e a cada um deles é atribuída uma emoção. Os nossos arqueólogos das emoções socorrem-se dessa técnica”.

Tendo consciência que as pessoas são todas diferentes, Mário refere que o objectivo é que as elas reajam e sintam, é provocar emoções. Além disso, há uma reflexão importante que está ligada “à sobreposição de formas de olhar o mundo. Formas mais científicas e formas mais artísticas. Isso está muito claro na peça”.

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Paralelamente ocorrerá um projecto coordenado pela fotógrafa Susana Paiva, definido como Laboratório Experimental de Fotografia (LabX), que conta com a participação de dez voluntários que se juntaram para explorar o tema e que vão apresentar um conjunto de dispositivos a ele relacionados. “Visto que as fotografias foram uma espécie de catalisador de toda a ideia, convidámos a Susana Paiva para integrar o projecto. A fotografia passa da sua função habitual de registo e ganha um papel de criação com pontos de encontro ao longo do percurso. Eles vão interagir com as pessoas”.

Com sete actores em palco e uma hora e meia de espectáculo, o encenador garante que “para quem for assistir vai ser uma experiência ligada à expressão das emoções bastante ampla e envolvente. A peça foi construída de forma a despertar as pessoas e a estabelecer uma relação com o público que o torne mais atento para o tema”.

Estão preparados?

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 24 de Novembro de 2014)