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Pastéis de Nata – Tosta Rica

BPI_2129 O eixo Portagem – Rua da Sofia, recheado de gostosos e cremosos pastéis de nata, com algumas surpresas muito positivas, elevou largamente a fasquia desta vossa doceira de algibeira. A sensibilidade das minhas papilas gustativas tornou-se de tal forma aguçada, que apesar de várias incursões por diferentes tipos de estabelecimento em diferentes partes da cidade, nada parecia merecedor de uma crónica. Estas experiências passaram, entre outras peripécias, por um terrível encontro com um pastel de nata crocante como um cubo de açúcar e com um acentuado sabor a rebuçado de limão. Ainda pensei tratar-se de uma pastilha para a garganta disfarçada de bolo e não houve outra hipótese que não dirigir-me ao estabelecimento de junk food mais próximo, para tentar apagar aquele sabor da minha memória gastronómica.

Eis senão quando o Bruno me lembra de um sítio que faz parte da minha infância, e que talvez de tão próximo emocionalmente me escapou da minha road trip conventual, a Tosta Rica.

Oh, Tosta Rica e tantos lanches depois da escola! Tanto pão, bolo e biscoito, às vezes acompanhado de um sorvete da Diese, que em gloriosos tempos ficava situada do outro lado da rua. E aqueles sugar highs provocados por doses industriais de pirâmides de chocolate, bolo menosprezado por tanta gente, e que alimentou noites longas de música e dança e de… mas desvio-me do que se pretende aqui.

Entro na Tosta Rica numa tarde escura e chuvosa e viajo no tempo. Não só porque, como vos disse, esta pastelaria situada em Celas faz parte da minha biografia, mas porque apesar de várias remodelações ao longo dos anos, continua a ter uma atmosfera de anos 1980. A madeira escura, as mesas e as cadeiras em vermelho e preto, os espelhos a toda a volta e, claro, a cereja no topo do bolo, o neon cor de rosa a encimar a porta que faz a ligação interna entre a pastelaria e a padaria.

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Peço um pastel de nata e um chá, que a combinação nata café experimentada por aí também anda a causar-me calafrios, e saboreio com calma. É um pastel menos tostado que os restantes que fui comendo noutros espaços e muito brilhante e lustroso por cima. Parece um ringue de patinagem em miniatura e sinto-me atraida por esse aspecto. À primeira dentada percebo que o gosto é agradável e fresco e que é bastante cremoso. Talvez por isso pede canela, para equilibrar o seu sabor e a textura do recheio. Depois da dentada dada, aperto-o ligeiramente e o recheio escorre. Sou adepta de recheios menos fluidos, mas não é por isso que sinto que este pastel não é tão bom como os anteriores. Mais uma vez, a massa é fina e afiada e a sua combinação com o recheio deixa a desejar. Parecem ser duas entidades separadas. E um pastel de nata, minha gente boa que o come à colher, é um todo.

Não saio sem antes fazer a travessia padaria- pastelaria e voltar a encontrar-me com os pastéis de nata, agora rodeados de pães, bolos secos e biscoitos. Resisto à tentação de comer mais um, ou de levar uma caixa cheia de pirâmides de chocolate e peço um pão escuro de sementes. É que este corpito ainda precisa de aguentar mais umas crónicas!

Tosta Rica | Rua Parreiras 41

Texto de Rita Alcaire
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 21 de Novembro de 2014)