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Pastéis de Nata – Vasco da Gama

BPI_1248 Escorre leve, levemente, pelos meus dedos sem fim. Será que o sacanita do pastel ainda estava muito quente? Quente não estava certamente. E um pastel de nata não se deve esbodegar assim.

Foi esta a minha reacção quando ataquei o primeiro pastel de nata na Vasco da Gama, em plena VI Mostra de Doçaria Conventual e Regional de Coimbra, no Quartel da Brigada de Intervenção (antigo Convento de Sant’Ana). Depois de feita uma ronda pelo que de melhor se confeciona na doçaria de todo o país (e de dar um pézinho de dança, já completamente turbinada, qual Ana Malhoa, com tanto doce e licor no sangue), aproveitei para picar o ponto para mais uma crónica preguiço-açucarada.

Determinada a esclarecer o porquê daquela consistência inoportuna, dirigi-me a uma das onze pastelarias Vasco da Gama da cidade para atestar o depósto. Desta feita, o sucedido foi o contrário. A consistência espessa e a massa seca, não só foram uma experiência degustativa nada agradável como deixaram uma tatuagem bucal, que estava a ver que nem a laser seria possível remover. Olho-me ao espelho, arreganho um sorriso, e parece que perdi os dentes da frente.

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A Vasco da Gama adequou um negócio familiar artesanal a um modelo empresarial e isso, naturalmente, traz consequências ao sabor dos produtos e ao tempo e cuidado dedicado a eles. Daí toda esta inconstância e inconsistência. Há, sem dúvida, artigos de qualidade e uma diversidade de doces e salgados que deve ser explorada (e que já me foi muito útil em horas de aperto com pessoas em casa e sem menu para oferecer). Tem serviço de catering, confeciona bolos para cerimónias e é um das pastelarias solidárias que colabora com a Câmara Municipal de Coimbra no apoio à população sem-abrigo, doando pastealria e salgados.

Eu, abaixo assinado, declaro que continuarei a atravessar grande parte da cidade para comer uma chaminé de chantilly, um peixinho de massa folhada ou um ratinho de chocolate. Mas os pastéis de nata, esses, irei saborear noutras paragens.

Texto de Rita Alcaire
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 03 de Novembro de 2014)