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Livietta e Tornello

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A Ritornello Associação Cultural nasceu em Coimbra há cerca de um ano e tem dado cartas percorrendo as diversas áreas culturais. Nomeadamente, a ópera. Este Domingo, dia 2 de Novembro, a sua mais recente produção, Livietta e Tornello, estará em cena no palco do TAGV pelas 17h00. A Preguiça foi em busca de mais pormenores e falou com António Ramos, o director musical, e Jorge Silva, o produtor.

A conversa começou por uma breve apresentação da Ritornello. “Somos uma associação cultural muito jovem mas com trabalho feito nestas áreas da música clássica e barroca, é o nosso caminho. No entanto, estamos motivados para divulgar a arte de uma forma geral. Temos como propósito ser um veículo de divulgação de eventos culturais e pedagógicos”. A primeira produção a ser montada, como casa de partida, foi ‘La Serva Padrona’, de Giovanni Battista Pergolesi. As raízes fixaram-se e o trabalho continuou.

Esta segunda produção, Livietta e Tornello, é um intermezzo do compositor Pergolesi, a partir do libretto de Tommaso Mariani, um dramaturgo do século XVIII. “A história desta ópera é a de um ladrão muito trapalhão, Tornello, que, entre outras coisas, se disfarça de mulher para roubar e de uma camponesa, a Levietta, que de uma forma muito inteligente conduz os acontecimentos até ao amor”. É uma “comédia bem divertida e com uma música belíssima e muito bem cantada e tocada”, garantem. Podemos ainda acrescentar, não desperdiçando assim a informação recolhida, que as óperas cómicas pertencem à classe da ópera buffa.

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Sendo a ópera uma conjugação de diversas componentes artísticas, António refere que “o trabalho exigido é de uma complexidade assinalável e fascinante”. Na parte musical, “considero que o trabalho a ser apresentado está plenamente conseguido e cumpre os meus objectivos. Estabelecemos uma relação perfeita entre o estilo e a execução, utilizando instrumentos e técnicas da época”. Trata-se de uma interpretação historicamente informada, fruto de um grande trabalho de investigação. Espelhando-se, desde logo, na dificuldade em encontrar esta partitura em particular: “depois de muito procurar, só a consegui em Londres”.

Esta é uma história que é cumprida textualmente. Ou seja, cantada em italiano e exactamente o que está escrito no original. “Não há adaptações textuais, a cada sílaba corresponde uma nota. Há um enorme trabalho de personagem associado a uma memorização de um texto que tem de se cumprir fielmente”.

Não deixando de referir a questão, infelizmente habitual, da falta de financimanto, Jorge sublinhou que “apesar da falta de apoios, estamos a trabalhar com o que é nosso, com o que vamos utilizando e reutilizando, sem nunca pôr em causa os conceitos estéticos e tudo o que está subjacente à produção da ópera na sua beleza e grandiosidade.

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Com uma hora de duração, nove músicos e quatro actores em palco, Levietta e Tracollo é a garantia de uma tarde com mais (en)canto. Tal como fomos avisados, “quando se vai à ópera pela primeira vez pode gostar-se um bocadinho, na segunda vez já se gosta bastante e depois torna-se um costume”. Seja em que categoria estivermos, a ópera espera por nós.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 31 de Outubro de 2014)