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Re-Factory (2nd edition): agitar Coimbra

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No próximo dia 1 de Novembro, Coimbra vai mexer. Promete o evento Re-Factory (2nd edition) que, no Salão Brazil, proporcionará diferentes oportunidades e formas de pôr, de facto, as pessoas em movimento. Joana Tê é a organizadora e num destes fins-de-tarde contou à Preguiça todos os pormenores desta grande ‘operação’.

O Re-factory tem um percurso a ser contado. Começou por ser um evento isolado, em que Joana e mais dois amigos decidiram organizar uma festa, juntando a ela a necessidade sentida de projectar a criação e a divulgação de várias formas de arte em Coimbra. “Primeiro surgiu a ideia de fazer Dj sets com todas as pessoas das bandas antigas da cidade ainda no activo e a partir daí cresceu e surgiu todo o conceito. Coimbra precisava de um abanão”, explicou sorridente. Esta “edição zero”, como gosta de chamar, contou com poesia, filmes, um concerto, algumas sonoridades experimentais e Dj sets.

Com o sucesso alcançado, e um grande entusiasmo à mistura, o Re-Factory transformou-se assim num movimento pró criação artística em Coimbra. Sempre a par com a ideia “everyday something new”, pretende dar-se «voz e impulsionar a criação artística em Coimbra, com especial enfoque na música, dada a história profícua da cidade relativamente ao rock’n’roll» mas não se ficando por aí. O importante desde logo é, lembra Joana, “desmistificar a criação, aproximando as pessoas dos artistas e facilitar o diálogo entre eles”.

O nome Re-Factory tem também uma razão de ser. O factory foi inspirado em duas fontes: “na The Factory do Andy Warhol e na mítica editora inglesa Factory. Ambas foram pioneiras e tiveram o seu muito de subversivo. A nossa ideia é dar o abanão, mas um pouco pela subversão”.

Nesta segunda edição, movida pela força que reuniu ao ver que “várias pessoas se mostraram interessadas até em colaborar”, Joana assumiu os comandos e junta num único dia uma oferta artística que abrange vários gostos e qualquer idade. Depois de alguns percalços ao longo do trajecto, este é um evento, assegura, “muito mais cuidado”. Durante a tarde podemos contar com concertos, conversas com uma banda, Dj sets, exposições, uma vídeo-instalação, a projecção de um filme, literatura, e claro, os artistas estarão disponíveis para responder a todas as curiosidades. Durante a noite, esperam-nos três concertos, incluindo o dos M’as Foice, a banda mítica que actuará pela última vez e que promete um concerto para não mais ser esquecido. São diversos os acontecimentos e fazemos desde já um alerta para a consulta de toda a programação.

cartaz

A escolha dos M’as Foice para integrar o cartaz não foi “uma escolha inocente”, diz Joana. “Para se ter um ponto de partida é preciso saber o que se fez para trás e nada melhor que a banda que representa o início do rock em Coimbra. No entanto, também há coisas novas”. Acima de tudo, sublinha, “é preciso apresentar cartazes muito fortes no início, para que as pessoas comecem a associar e se comece a criar um nome e uma identidade e que a aderência seja forte só por isso. Ou seja, criar um hábito e ao mesmo tempo, uma expectativa. E é nessa altura que se cumpre o objectivo do movimento: não só dinamizar e incentivar a criação mas dar a conhecer o que está a ser feito aqui”.

A continuidade é outro intuito do Re-Factory: este é um movimento que “tem um manifesto e depois tem estas catarses, nestes eventos”. Com o desejo de uma assiduidade bianual, o sentido é “colmatar a falta de projecção institucional que muitas vezes os artistas têm, ganhando a simpatia da cidade em si”. A anfitriã admite que “é muito rock’n’roll, sem dúvida, mas o rock também é cultura”.

Através da organização deste evento, pretende-se igualmente demonstrar que o dinheiro nem sempre é a questão a ter em conta. “Não gastei um tostão, toda a gente vai actuar e mostrar o seu trabalho de coração. Ninguém tem um cachet pré-definido, sendo depois repartido o lucro das entradas por todos os intervenientes. A alma de tudo é a arte e o sentimento. Todos participam pela identificação com o movimento e o que representa”.

Os bilhetes estão em pré-venda para todo o evento em vários locais da cidade (que podem ser consultados no facebook do evento), com um preço de 10€. No próprio dia passam a ser adquiridos só no local e separadamente: para a tarde custam 5€ e para a noite 7€. No fim, a festa segue para o bar ODD, onde se vai continuar a mexer.

Alguém vai ficar parado?

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 30 de Outubro de 2014)