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“As alegres comadres de Windsor”

BPI_0692Após quatro meses em cena, entre Dezembro e Março passados, o grupo de teatro Bonifrates regressa com a peça: “As Alegres Comadres de Windsor”, desta vez no palco do TAGV. Dois espectáculos (no dia 28 e 29 de Outubro) esperam pelos espectadores que não tiveram a oportunidade de ver ou, simplesmente, pelos que queiram repetir a dose. A Preguiça não quis passar ao lado deste êxito e foi falar com o encenador João Maria André.

A partir do texto de William Shakespeare, “As Alegres Comadres de Windsor” é a mais recente proposta da Bonifrates. Adaptada e encenada por João Maria André esta é uma peça de teatro diferente das que este grupo da cidade nos tem habituado. “Quando tivemos que escolher uma peça para o reportório de 2013, já tinha esta peça preparada e adaptada. É uma peça muito divertida ao contrário das últimas que tínhamos feito, que eram mais fortes e duras. Achei que estava na altura de entrarmos num registo diferente”, explica o encenador.

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Numa harmoniosa ligação com a actualide, esta trama tem como ponto de partida a crise económica e financeira e desenvolve-se através do olhar dos treze personagens em cena, nomeadamente do protagonista, John Falstaff, um homem atestado de problemas económicos e poucos escrúpulos. “Além de abordar os actuais problemas económicos, aborda a igualmente actual questão do estatuto da mulher e a sua utilização em proveito de fins próprios”, acrescenta de forma assertiva.

Ao contrário de outros textos de Shakespeare, João Maria André refere que “esta é uma peça construída com um registo muito semelhante àquilo que o Molière fez a seguir”. Por outras palavras, é uma comédia que “faz mesmo rir”, garante. A sátira no seu melhor.

Não se ficando por aqui, o encenador fez questão de sublinhar que “As Alegres Comadres de Windsor” é “teatro dentro do teatro. É teatro puro onde todos estão a representar permanentemente. Quer dizer que dentro da cena que é idealizada por Shakespeare, cada um idealiza uma outra representação e vai criar uma personagem e um enredo distintos. Tudo isto conduz de facto a uma grande festa do teatro”.

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Esta peça é mais um exemplo a confirmar o papel que há 34 anos a Bonifrates desempenha em Coimbra. “Conseguimos desde o princípio imprimir aqui na cidade uma certa identidade que se prende com o modo de encarar o fazer cultura e o fazer teatro como um exercício de cidadania. Ou seja, uma forma de intervenção na coisa pública. Isto não significa de maneira nenhuma fazer do teatro um panfleto ao serviço de certas ideologias. Significa colocar no palco os problemas que a nossa sociedade tem mas que não são suficientemente visíveis e assim despertar a consciência das pessoas”.

Se querem rir e atingir as vossas consciências ao mesmo tempo, já sabem. Terça e quarta-feira a Bonifrates está à vossa espera. Bom teatro!

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 28 de Outubro de 2014)