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A Les Paul de Toni Fortuna

Lançamento do perfume "MEU" da apresentadora da TVI, Cristina Ferreira, no Centro de Artes e Espectáculos  Toni Fortuna, vocalista e guitarra-ritmo dos D30, esteve connosco um destes dias à conversa sobre a sua guitarra e a história da sua vida enquanto guitarrista. Depois de meia vida ao volante dos microfones de bandas como os M’as Foice e Tédio Boys, Toni assumiu há 12 anos as despesas da frente sonora do trio e desde então mistura fortes linhas de baixo com harmonias e sonoridades de guitarra. Com um setup pouco convencional, mas que se enquadra perfeitamente no som dos D3o, confessa-nos que a guitarra foi encontrada mais ou menos por acaso numa viagem até Lisboa com paragem nas Caldas da Rainha, a caminho de um concerto da banda.

Há quantos anos tens esta guitarra?
Esta guitarra tem seguramente 6 anos comigo. D3o tem 12 anos, tive a Gretsch durante pelo menos 4 anos e só depois veio esta. Comprei-a nas Caldas da Rainha, foi feita por um luthier alemão que eu não conheço (JJ). Nós íamos tocar a Lisboa, eu tinha o meu amplificador de baixo e experimentei esta e uma outra feita pelo mesmo senhor de que até gostava mais pela cor (era azul!) mas que não soava nada como esta. Esta tem uns graves de que eu gostei logo à partida, ainda tive alguma dificuldade porque não gostava muito da cor, mas depois de tocar na guitarra e como era aquele o som que eu queria, teve que ser mesmo esta!

Foste lá de propósito?
Houve alguém que me falou de uma loja de instrumentos perto das Caldas da Rainha (se lá quisesse ir agora já não sei onde é…), e como na altura em que me falaram nisso estava a precisar de uma guitarra (andava sempre com guitarras emprestadas, partia muitas cordas na altura e a Gretsch, coitada, levou muita sova)… Quando fui lá, estavam lá estas duas guitarras feitas pelo tal senhor alemão. Eu queria ter uma Gibson pelos graves que procurava, mas não tinha dinheiro para isso e falaram-me nestas guitarras. Experimentei e fiquei rendido. Não gostei da cor, não gostei da guitarra, mas gostei do som! E só toco com ela, a menos que parta uma corda! Gosto muito dela, afeiçoei-me.

É um modelo clássico Les Paul. Como a defines?
Assemelha-se muito às Les Paul e tem uns pickups cerâmicos (algo que só soube há 2 ou 3 anos). Gosto muito de humbuckers, já as minhas Gretsch Synchromatic têm humbuckers (uma das premissas era que se não tivesse humbuckers, não queria). Andava atrás de uma guitarra de corpo sólido, o mais semelhante possível às Les Paul (ela já tem um peso considerável) e esta é um meio termo. É corpo maciço e já vai no terceiro braço. A Gretsch já caiu ao chão 10 ou 15 vezes e nunca partiu, esta quando bate no chão parte logo e até hoje já aconteceu três vezes.

Lançamento do perfume "MEU" da apresentadora da TVI, Cristina Ferreira, no Centro de Artes e Espectáculos

O som faz muito parte dos D30, que têm mais ou menos os mesmos anos de guitarra? Como é isso de abraçar um instrumento e deixar de ser “só” um frontman?
12 anos depois, quando não tenho uma guitarra já se torna um bocadinho estranho… Já não estou habituado a estar ali meio despido, sinto isso. Mas se me derem a escolher entre ter que tocar ou cantar, prefiro só cantar. Tenho algumas músicas em que não toco ou não toco tanto e brinco um bocadinho mais com a voz.

Como começaste a tocar guitarra?
Comecei a tocar guitarra por necessidade pura. Depois, comecei a achar piada. A primeira vez que toquei guitarra foi há muitos anos e era clássica, a que não achava piada nenhuma. Aqueles travessões incomodavam-me. A primeira guitarra eléctrica em que toquei era uma Maison tipo Jackson [Randy Rhoads], em que os dois bicos não são iguais (um grande bacalhau!). Era a guitarra que tinha na altura, tinham-ma emprestado.

Passar a tocar baixo nunca foi opção?
Não, porque era muito mais limitado. E não tinha os brilhos que eu também queria.

E como chegaste ao teu setup, digamos pouco convencional?
Foi um bocado contra-corrente, a tentar tocar coisas que não eram muito frequentes, pois toda a gente tocava com amplificadores de guitarra e eu na altura queria um “cubo gritante”, uma coisa que desse aquele grave que eu percebia que tinha sair de alguma coisa grande (mas com brilhos!) e arranjei um combo de baixo. Só passados alguns anos é que consegui o que queria, que era ter também um amplificador de guitarra a válvulas para ter assim aquele som mais “quentinho” e os tais brilhos, mas tocando com os dois. Construí um setup que toda a gente dizia que não funcionava, mas assim foi e continua a ser. Se funciona muito bem ou não, não sei, mas é o que eu queria.

Lançamento do perfume "MEU" da apresentadora da TVI, Cristina Ferreira, no Centro de Artes e Espectáculos

Usas então dois amplificadores, um de baixo e um de guitarra. E mais?
Pedais, uso 2 afinadores, um deles para dividir o sinal. Depois tenho um compressor para o amplificador de baixo e uma distorção para o amplificador de guitarra. Com esta guitarra cheguei ao som que procurava, pois tem um som muito definido e faz muita diferença para as Gretsch, que parece que estão sempre “sujas”.

É relativamente simples então, não?
A grande dificuldade é fazer o simples. Há muitas bandas que ao quinto álbum as pessoas deixam de gostar porque entretanto aprenderam a tocar! Não tenho propriamente esse problema, mas naturalmente faço coisas agora que não fazia há 12 anos! Agora ando também a experimentar outras afinações, descobrir outras coisas.

Nunca pensaste em usar outras guitarras, Fenders por exemplo?
Nunca experimentei. Compreendo a versatilidade da Stratocaster e até gosto da Telecaster, mas não são guitarras conhecidas pelos graves, que é o que eu quero. Ainda cheguei a experimentar uma guitarra com um P90 e um MI com uma corda de baixo, mas não deu para mim.

 

Texto e fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 20 de Outubro de 2014)