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Pastéis de Nata – Nata Lisboa

BPI_9225‘The world needs nata’. A frase, estampada de forma bem visível no toldo da Nata Lisboa, dá o mote para os objectivos principais da premiada cadeia de pastelarias que pretende levar esta iguaria a vários pontos do país e do mundo.
Em Coimbra, a loja fica situada na Rua Ferreira Borges, em frente ao Arco da Almedina, e dispõe não só de espaço interior com mesas, como também de uma agradável esplanada em plena calçada.

Entro e peço ao balcão um pastel de nata e um café – estando segura de que é apenas o primeiro de vários – e, como uma gata encantada com o movimento da roupa na máquina de lavar, fico a observar os fornos em funcionamento enquanto aguardo.

A existência de fornos no local é um eco da preocupação com a qualidade e consistência do produto. A última cozedura é feita no local e enquanto não são servidos, a clientes habituais ou a novos apreciadores, os pastéis são conservados numa montra/estufa para manterem as suas características E esse é um dos traços distintivos e um dos pontos fortes em relação a outros pontos de venda visitados neste périplo: os pastéis de nata estão sempre prestes a sair do forno e a serem comidos acabados de fazer a qualquer hora. E lá estão eles a olhar para nós, enfolados do calor, a arrefecer à nossa frente e a espalhar o cheiro pelas imediações.

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A nata chega às minhas mãos como manda a tradição: morna e estaladiça. Sento-me com o meu pedido, ansiosa pela degustação. Em cada mesa, encontra-se disponível canela e açúcar em pó e, ao contrário do pastel analisado na crónica anterior, este vai bem com acrescentos. O aspecto dourado é sedutor e, se gostarem deles mais tostados, recomendo que polvilhem com açúcar. A dimensão parece estrategicamente definida para que saiba a pouco e que se peça outra logo a seguir. E eu peço, sem pudores.

Ao tacto, os pastéis da Nata Lisboa são rijinhos, mais do que os anteriores. O creme, para além de muito gostoso é suave e aveludado e dá-se bem conta dele tanto com uma colher como à dentada. A massa, isolada ou em conjunto com o creme é, para o meu gosto e para a minha dentição, demasiado estaladiça e afiada. A cada dentada, sinto-a meter-se nos recantos da boca e é normal acabar a contorcer a cara à la Jim Carey para conseguir dar conta de todos os pedaços durante a mastigação.

Mas não se guiem apenas pelo que digo. Trata-se de uma receita desenvolvida por uma equipa de especialistas de pastelaria, e vencedora de uma prova cega efectuada por um painel de provadores internos na Escola de Hotelaria de Lisboa, em 2012.

O espaço e o ambiente são muito agradáveis apesar das dimensões bastante reduzidas. E o facto de se situar numa zona histórica e de trânsito pedonal fazem da Nata Lisboa um local de passagem e não de grandes enchentes. Para quem gosta de ler enquanto come a sua nata, ou para quem acaba de escrever a sua crónica enquanto bebe o seu café (muitas nódoas de creme tem o meu caderninho…), é sem dúvida um bom local para se estar tranquilamente. E quando o Outono chegar realmente (em temperatura e não em calendário), será certamente um local bem acolhedor para degustar esta e outras opções do menu que vale a pena conhecer, incluindo as tostas.

Não sei se será uma das natas favoritas deste percurso doceiro, por si só. Mas todo o enquadramento do local e a missão de levar o gostinho de Portugal a várias partes do Mundo – e há lá melhor maneira de fazer viajar todo um conjunto de valores culturais, sociais e gastronómicos do que através da doçaria? – fazem da Nata Lisboa um ponto a assinalar.

Saio com um pacote de seis pastéis de nata na mão e antes de chegar à paragem de autocarro já lá faltam dois… The world needs nata? I most certainly believe so!

NATA Lisboa | Coimbra
Rua Ferreira Borges, nº50 (mesmo em frente ao Arco Almedina).

Texto de Rita Alcaire
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 03 de Outubro de 2014)