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Combates e buscas no bosque

   BPI_9148Intervenções ecológicas; rosas que são pontes, afinal (“São Pontes, Senhora!”); a lenda viva e moribunda que é o BES; vassouras penduradas num desejo urgente de limpar a sujidade; Pedro e a sua Inês; livros de horas; fotos de animais no bambuzal; retratos; sombras; auto-retratos (assombrações? “Assombrações”!); o Metro Mondego (“Lendas a Metro”); a Cindazunda; luz que se apoia em lanternas; música e dança e leituras encenadas e fotografia… A maioria dos trabalhos arranca do tema proposto – lendas e narrativas – e eis o resultado do projecto.

O mote encontrado pelo Colectivo Pescada Número 5 inspira-se na fase experimentalista de Ana Hatherly – “Há no Bosque o Combate que Buscas”. Reunidos os trabalhos de 32 colaboradores (de áreas diversas do mundo das artes, entre profissionais e não profissionais), salpicados por 22 locais da emblemática (e cantada) Lapa dos Esteios, é no sábado que o evento/exposição se apresenta à cidade de Coimbra. Só no sábado. Um acontecimento fugaz, como de costume. A partir das 17h30, noite dentro (até à 1h…). A entrada é livre. E há uma intervenção gastronómica – várias iguarias e vinhos ao dispor e a preço justo, garante a organização.

Já com uma marca no scrip cultural de Coimbra, o Colectivo Pescada Número 5 tem levado a cabo vários eventos na cidade, desde 2001 (com a “Casa do Berto”, para os lados das escadinhas da Escola José Falcão), em espaços escrutinados, adequados e quase sempre não explorados. Lugares de contexto, em suma.

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Partindo de Cesariny, de Calvino (exposição “Se Numa Noite de Inverno Um Viajante”, que culminava mas antigas oficinas da CP, em Coimbra-B…), do “Cândido ou o Optimismo”, baseado na obra de Voltaire, e de outras obras de autores sortidos, não recorrem a subsídios, optando sempre por lançar mão dos próprios meios. Objectivo? “Fazermos”, como responde prontamente Carlos Júlio, um dos fundadores.

Desta vez a escolha recaiu nas zonas exteriores (e históricas) da antiga Quinta das Canas, hoje pertença da Guarda Fiscal.

O espaço é (actualmente) quase esquecido, embora não desconsiderado. E aqui não falta pedigree histórico. “Do Choupal até à Lapa”, recordam? É mesmo esta Lapa dos Esteios… O espírito do lugar, com os seus caminhos, o coreto com vista para a ponte, as duas guaritas, etc., serão palco deste evento de curta duração. E os textos são todos originais.

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Como chegar? Duas possibilidades: via fluvial (há barcos, mas a lotação está já esgotada, contudo, podemos optar pelos caiaques disponíveis…) e via terrestre – pela Estrada das Lages, sempre junto ao rio, com entrada pela Guarda Fiscal (há parque de estacionamento).

É com combates destes que se conta a cidade e a ideia é juntar muita gente neste ponto da margem esquerda, num percurso povoado de sons, objectos, sombras, textos e dança.…

Para quem precisar das coordenadas, aqui ficam:

Latitude 40°11’27.04″N Longitude 8°25’35.01″W

Texto de Teresa Carreiro
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 2 de Outubro de 2014)