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A Jigsaw – No True Magic

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Os a Jigsaw lançaram um desafio à Preguiça e nós aceitámos. Com o novo disco “No True Magic” quase a sair, propuseram-nos escolher um local de Coimbra e reunir alguns convidados de modo a poderem fazer uma breve apresentação das novas músicas. Escolhemos a Casa das Artes Bissaya Barreto como anfitriã, que muito bem nos recebeu, convidámos os nossos leitores e fãs da banda a estarem presentes e as coisas não podiam ter corrido melhor. Fica aqui um pequeno registo do que se passou: um vídeo da música No True Magic, que nos estreia nestas lides da realização, e uma entrevista onde João Rui e Jorri nos falam do seu último trabalho. Se não há magia… o que acham?

Três anos após o último álbum, os a Jigsaw lançam agora “No True Magic” onde pretendem “revelar a aceitação dos termos da nossa mortalidade”. Que termos são esses e como podemos aceder-lhes?
Estes termos são aqueles que apenas a nossa fé poética permite que os possamos esquecer e continuar esta entrevista. É um álbum que aborda uma temática universal e com diversas interpretações. Esta é a nossa. Suponho que em última análise a forma como se encara estes termos será necessariamente diferente para cada individuo.

Falam de um lado feminino deste álbum… De facto, há uma forte presença feminina, não só com a voz de Carla Torgerson, mas também com outras participações. Como se deram estes encontros e em que medida vos ajudam a percorrer este caminho?
Em todos os nossos álbuns houve uma presença feminina. No caso da Carla Torgerson ou de outras vocalistas que convidámos no passado (Rubby Ann, Raquel Ralha, Tracy Vandal), a razão está na natureza da letra das canções, onde a narrativa envolve uma presença feminina. Surgem então como actrizes para representar a cena que a canção descreve, são um recurso literário. Mas o lado feminino deste álbum não se encerra na Carla. Tivemos também o prazer de contar com a Susana Ribeiro no violino e no Glockenspiel, bem como a Maria Côrte na harpa, violino e viola de arco que ajudaram com a sua arte à finalização do “No True Magic”.

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A sonoridade de “No True Magic” é povoada por diversos instrumentos. Esta variedade e detalhe musicais pretendem simbolizar de alguma forma a própria vida?
O facto de não nos inibirmos da utilização de tantos instrumentos poderia ser indicativo do medo da morte, de não os podermos voltar a usar, como se fosse o último álbum que pudéssemos gravar, ou serem uma prova de vida. Mas não cremos que seja o caso. É já algo tão enraizado na forma como encaramos os arranjos das nossas canções que o uso de mais ou menos instrumentos é apenas motivado por aquilo que sentimos que o coração da canção nos pede.

Visto que a literatura faz parte integrante dos a Jigsaw, quais os autores que vos inspiraram para este disco?
Não é assim tão simples apontar de forma tão óbvia quais os autores que nos inspiraram para criar este disco. Isto porque tudo o que lemos até hoje concorre para o que somos e para a forma como abordamos a escrita. Ainda assim, há autores que mereceram particular atenção, como Eliphas Lévi, Goethe, Nietzsche, Faulkner, Steinbeck, Shakespeare entre tantos outros.

O trabalho gráfico de “No True Magic” é diferente dos discos anteriores. Porque decidiram agora apostar na fotografia em vez da ilustração?
Queríamos algo que mostrasse quem somos, quem são os a Jigsaw, e aí pensámos logo na fotografia, que não poderia ser outra coisa senão fotografia. Já o método que foi utilizado foi sugerido pela nossa fotógrafa Sofia Silva, que percebeu que queríamos algo o mais orgânico possível, algo que estivesse em total comunhão com a nossa música, com todo o processo de criação, de gravação. Em suma, que servisse o conceito, daí se ter feito a fotografia com película infra-vermelho, sendo a impressão final realizada sobre madeira. Pensámos desde logo que todo o trabalho de fotografia teria que ter uma vida própria, que ganhará forma no próximo dia 04 de Outubro, pois será a primeira vez que as fotografias estarão expostas para todo o público ver e tocar…

Como está a vossa agenda de concertos de apresentação deste novo álbum?
A agenda está a começar a ficar bastante preenchida. No dia 04 (de Outubro) será o concerto de pré-lançamento do álbum, aqui em Coimbra, no Teatro da Cerca de São Bernardo, onde vamos apresentar a nossa banda de suporte, os The Great Moonshiners Band. Depois seguem-se vários concertos de Norte a Sul, que serão principalmente concertos de apresentação, na grande maioria sem banda, num formato mais intimista e sem tantos instrumentos. Mas para mais informações sobre datas podem seguir o nosso facebook ou o site.

Sentem diferenças em relação aos concertos que dão em Portugal e os que realizam fora do nosso país?
Sinceramente não. Talvez a única mudança, que tentamos impor a nós próprios,  é que a língua em que comunicamos com o público seja, sempre que possível, a materna do local onde estamos a tocar. No fundo tentamos criar o mesmo ambiente, seja em Portugal, em Espanha ou na Polónia, e esperamos que o público dê o seu tempo por bem entregue.

Sendo a (i)mortalidade um assunto tão sensível, tendo tanto de belo como de assustador, como pensam que o público vai receber este disco?
Para quem tem acompanhado o nosso trabalho e está familiarizado com as canções e os conceitos que elas serviram em cada um dos álbuns anteriores, cremos que este “No True Magic” fará todo o sentido. Ainda que esperemos que seja uma surpresa, para quem nos conhece, esta temática já esteve presente nos nossos trabalhos anteriores, sendo que agora é o centro da nossa perspectiva. Portanto, quanto a estes, cremos que o irão receber bem. Para a outra facção do público que não nos conhece, esperemos que também abram o coração para estas canções da mesma forma como nós escancarámos o nosso para a criação delas. Afinal, o tempo que vamos aqui estar é limitado.

Entrevista de Carina Correia
Fotografia e vídeo de Bruno Pires

(Publicado a 29 de Setembro de 2014)