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O pianorgano dos A Jigsaw

BPI_3534 Numa destas tardes recebemos os A Jigsaw para uma dupla entrevista sobre alguns dos instrumentos que compõem o seu vasto espólio e que estarão presentes no seu próximo álbum. Apesar do brilho e imponência do banjo do João Rui,  tivemos que começar pelo belíssimo pianorgano do Jorri, que com quase 60 anos (o pianorgano, não o Jorri) conseguiu sem esforço conquistar espaço na sonoridade desta banda de Coimbra e do Mundo.

O que é um pianorgano?
Provavelmente deve dizer-se com um sotaque italiano, ou algo assim [Piánórgáno] (risos). Eram instrumentos de iniciação para crianças, isso vê-se até pelas cores. Temos um vermelho-vivo, parece quase um brinquedo, até pela própria construção. Não tenho a data precisa de fabrico, mas será dos anos 50. As fábricas entretanto fecharam, por isso é fácil de datar. Terá provavelmente cinquenta anos.

Quando o compraste?
Comprei-o há 3 ou 4 anos, e foi o primeiro deste género. É o segundo ou terceiro de uma descoberta pelo Ebay sobre instrumentos antigos, diferentes e com uma personalidade vincada e forte.  É o que procuramos num instrumento, que seja diferente, mesmo que seja da mesma família dos que já temos. Que se distinga do outro mesmo neste género de instrumentos (harmónios a ar). Com botões na mão esquerda [por exemplo] temos dois, mas sem botões e só com as teclas temos mais 3 ou 4 (além deste). E todos são diferentes. Não só visualmente (porque são de marcas também diferentes), são peças lindíssimas. E ainda por cima são todos portáteis (este fecha as pernas, tem o próprio  sítio para as encaixar e é uma mala, quase todos são assim. Eram muito utilizados e transportados de um lado para o outro, o que levou a construirem o instrumento dessa maneira.

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O que te levou a escolher estes teclados?
Eu tocava baixo (sou baixista desde a formação da banda), a certa altura comecei a tocar bateria, e há cerca de 3 ou 4 anos comecei a tocar mais teclas e comecei a interessar-me por estes instrumentos. Sempre de forma autodidacta.

Tens outros?
Temos mais cinco deste género, todos muito antigos, pois já não se faz nada parecido. Neste momento devemos ter cerca de 20 teclados, todos mais velhos do que nós! Muitos conseguimos arranjar durante algumas tours fora de Portugal, principalmente na Alemanha, onde há um enorme mercado de segunda-mão e uma grande influência norte-americana (no pós II Guerra Mundial ficaram muitos instrumentos para trás).

E como entram depois no vosso som?
Estamos sempre em busca de instrumentos diferentes e que tragam alguma coisa nova. Este pianorgano, que está há 3 ou 4 anos connosco, tirando um muito pequeno apontamento numa música do álbum anterior, só neste novo álbum é que vai ganhar uma maior importância, e vai ter alguns momentos quase de pequenos solos. Mas apenas quatro anos depois, é o que fazemos com os intrumentos. Pesquisamo-los mas precisamos de tempo para os conhecer, para compor, para eles fazerem parte de nós. Não vamos usá-lo à pressa só porque sim. É mais uma ferramenta disponível, mas demora tempo a conhecer essa ferramenta (as suas potencialidades e limitações).

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Como é que se toca isto ao vivo?
Com dois microfones (risos). Este ainda não saiu de casa para um concerto, mas provavelmente sairá no futuro. Com cuidado, pois tem as suas fragilidades.

Há mais algumas notas sobre ele?
O volume sonoro dos bordões é mais fraco enquanto que na nota solta é mais alto. Tem uma ventoinha, é eléctrico e funciona por palhetas [um pouco como as harmónicas de sopro]. Este tem as doze notas, mais as menores e as sétimas. A sua reparação é feita com uma pinça feita de propósito para reparar e limpar as palhetas e que está colocada dentro de um compartimento. O número de série é o 24.019.

Texto e fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 04 de Setembro de 2014)