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Sá: “a marcha do caracol”

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Sá Granate, ou simplesmente , é músico, vive em Coimbra há vários anos e acaba de lançar o seu primeiro EP a solo, a marcha do caracol. Numa destas manhãs fomos ao seu encontro e, repleto de sentido de humor e palavras bonitas para dizer, falou sobre a sua caminhada até aqui. A Preguiça registou e partilha agora convosco o que vai na alma do artista.

Nascido e criado no seio de uma família numerosa e sempre rodeada por música, o destino de Sá tornava-se fácil de adivinhar. “A minha mãe foi uma das vocalistas da Banda do Casaco e estava sempre a cantar. Somos sete irmãos e a nossa vida foi em cantorias”, relembra com um grande sorriso na cara. A aprendizagem não se fez esperar e desde cedo começou a ter aulas de música, passando por várias escolas e aprofundando assim o seu conhecimento e gosto musicais.

Por volta dos dezasseis anos, Sá começou a criar as suas próprias músicas e nunca mais parou. “Mais tarde, juntamente com um amigo, formámos um projecto chamado Andersen Molière. Editámos um disco, ganhámos um prémio, demos vários concertos, mas a certa altura a banda desintegrou-se, pois eram muitos membros e começou a ser difícil de coordenar”, contou quase detalhadamente.

Durante algum tempo, este músico dedicou-se também à publicidade. “Formei-me em publicidade e foi por isso que vim para Coimbra, para trabalhar nessa área”. No entanto, a música é a constante da sua vida e nunca parou de fazer canções. “Não consigo parar de fazer música, faz parte da minha vida, é intrínseco a mim”, desabafa num tom profundo. Dessa dedicação, nasceram então as canções que constituem este EP.

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Através de seis temas, Sá faz uma viagem ao seu interior, libertando sentimentos resultantes de experiências que o marcaram ao longo do tempo. “Antes, com a outra banda, sentia que tinha de escrever fora de mim. Agora, decidi dar o grito do Ipiranga e dizer coisas sobre mim. Este EP é muito pessoal, às vezes até me sinto um pouco despido”, confessa. “Falo de amor, de mulheres, de esperança no futuro e da minha condição mental actual.”

O curioso nome de a marcha do caracol, garante, “não tem nada de conceptual”. A história leva-o a um dia em que “estava numa festa com uns amigos e dei por mim a observar um caracol que estava a atravessar um carreiro. O caracol de facto ia lento, podia ser pisado a qualquer altura, mas mesmo assim era persistente na sua missão. Identifiquei-me com o caracol. O percurso da música é difícil e pode ser muito lento, portanto faz todo o sentido. Na realidade, é quase um instinto animal da minha parte querer fazer disto a minha vida. Por muito tempo que demore e mesmo que as possibilidades de sucesso sejam baixas, a pessoa continua. Além do mais, gostei muito da sonoridade do nome”.

Autor das músicas, Sá é também a voz, a guitarra acústica, o baixo, os coros e um dos responsáveis pela produção. A ele juntaram-se amigos que compõem o resto dos instrumentais: Diogo Andrade (bateria), Paulo Borges (teclado) e André Tavares (baixo, violoncelo, guitarra eléctrica e produção). “Este EP já devia ter saído há mais tempo. Tudo foi gravado pro bono por amigos que são técnicos de som e por pessoas ligadas ao meio. Foi algo que teve de ser paulatinamente feito, porque estava dependente de várias disponibilidades”.

Pronto para audição no youtube e venda online no bandcamp, a marcha do caracol é resultado de um trabalho sério e cujo objectivo é, segundo Sá, “fazer exactamente o que gosto e que sei que é bom”. Admite ser um risco, “mas é tão gratificante que a parte financeira e das questões relativas ao futuro quase que ficam diluídas no prazer que isto me dá”.

E tal como o caracol, Sá continuará a sentir a esperança de uma travessia bem sucedida.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 30 de Junho de 2014)