• Photobucket

Home / Música / Macadame: Pão Quente e Bacalhau Cru

Macadame: Pão Quente e Bacalhau Cru

BPI_1096«Haverá sempre um quando e um onde para começar um novo grupo…» dizem os Macadame quando falam sobre a sua história. Após alguns anos de existência, a banda de Coimbra lançou o seu primeiro álbum Pão Quente e Bacalhau Cru e a Preguiça foi até ao GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) ter com os cinco amigos. Boa disposição foi o que mais se sentiu e a conversa deslizou pela mesma mesa de madeira onde tudo começou.

Vânia Couto (voz), Rui Macedo (guitarra eléctrica), Paulo Yoshida (baixo), João Fong (electrónica) e Alexandre Barros (guitarra acústica/viola braguesa) conheceram-se no GEFAC antes dos Macadame serem uma realidade. “Pertencemos todos ao GEFAC, foi aqui que nos conhecemos e o resultado do nosso trabalho mostra precisamente algumas das vivências e aprendizagens conjuntas que tivemos no GEFAC, não descurando as influências particulares de cada um”, começam por contextualizar.

A vontade de criar algo próprio instalou-se de forma quase espontânea na alma destes apaixonados pela música tradicional portuguesa e a partir daí tudo se desenrolou, mesmo que a um ritmo pouco acelerado. “Nós queríamos fazer alguma coisa juntos, na altura não interessava muito o quê. Um dia, a consultar uns livros, apareceu a frase ‘Pão quente e bacalhau cru’. Achámos logo um nome bom para uma banda, mas depois pensámos que era bom para nome de um álbum. Passados uns dois anos, estávamos no Tropical e decidimos fazer uma banda para ter então um álbum com esse nome”, contam ao mesmo tempo que soltam algumas gargalhadas.

1912083_752357031449670_908025117_n

Desde que surgiram, em 2010, até ao lançamento do seu primeiro álbum, os Macadame contam no seu currículo com um EP gravado, vários concertos realizados e a participação num espectáculo na Guimarães Capital Europeia da Cultura. Porquê esta demora em gravar um álbum? “Queríamos amadurecer o projecto, foi uma opção nossa. Demorámos muito para que as músicas ficassem exactamente como queríamos e não gravámos da forma convencional de ir para um estúdio e ter tudo pronto em três semanas. Foi um processo demorado mas com um resultado melhor”, afirmam. Pão Quente e Bacalhau Cru ficou disponível nas lojas do país no início deste mês, mas a sua apresentação oficial ocorreu em Março com um concerto no Conservatório de Música de Coimbra.

A sonoridade dos Macadame mistura instrumentos tradicionais com componentes electrónicas, envolvida por letras de músicas tradicionais portuguesas (excepto uma que é original), fruto de diversas recolhas realizadas por todo o país. “Tocamos música tradicional, há sempre uma raiz tradicional, mas com uma roupagem diferente”, explicam. “Não escolhemos músicas de nenhuma zona específica de Portugal. Escolhemos músicas tradicionais que todos gostávamos sem pensar numa selecção específica”. Acrescentam ainda que “a componente electrónica não é o que nos diferencia de outros projectos, ou seja, o fim não é esse. Tudo isto são os meios que arranjámos para fazer aquilo que queremos: boa música e da qual nós gostamos”.

Nos concertos, a projecção de vídeo é outra presença forte da qual os Macadame não prescindem. “Os vídeos permitem criar um universo que contextualiza a nossa música, sem serem muito literais. A concepção do espectáculo é feita por todos nós, mas ao vivo os vídeos são misturados em tempo real pelo Henrique Patrício, portanto nunca são iguais”.

Para quem, como nós, tem a curiosidade de saber o porquê do nome Macadame, aqui ficam umas luzes: “Macadame, como alguém nos disse uma vez, não é terra nem é alcatrão. É como o nosso som. Temos um elemento de destaque, a viola braguesa, que é tradicional, mas há muitos outros elementos. Além do mais, macadame também representa uma estrada, um caminho, que neste caso é o nosso”.

Pão Quente e Bacalhau Cru pode ser comprado em formato físico e estará também disponível nas plataformas digitais. Em breve, os Macadame estarão presentes no programa da Antena 1 “Viva a Música” e no Festival Sol da Caparica em Agosto.

Estejam atentos e apontem nas vossas agendas, pois a música tradicional portuguesa está viva e recomenda-se.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 28 de Maio de 2014)