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Quem quer patinar?

  BPI_1046_SmallA tarde estava de sol e portanto, ideal para a nossa visita aos treinos do Roller Derby Coimbra. Quando chegámos, as desportistas já tinham os patins e as protecções postas, só faltava começar a rolar. Vânia Ribeiro, a impulsionadora deste desporto em Coimbra, fez um intervalo maior e com o fôlego acelerado, falou com a Preguiça sobre os passos que deu até aqui e as voltas que ainda faltam dar.

Em tom de início, e para quem desconheça do que estamos a falar, impõe-se a explicação do que é o Roller Derby. “É um desporto maioritariamente feminino, de velocidade, contacto e estratégia”, começou por dizer Vânia. “É um jogo que se pratica numa pista oval e é composto por duas equipas de cinco elementos cada: quatro blockers (que se distinguem pela risca no capacete) e uma jammer (uma estrela no capacete). Cada jogo tem a duração de 60 minutos, dividido em duas partes de 30 que por sua vez se dividem em jogos de dois minutos, as jams. Para marcar pontos, as jammers devem ultrapassar as restantes jogadoras dando o máximo de voltas à pista. As blockers têm de impedir as jammers de marcar pontos, tendo para isso de se manterem unidas, formando assim um pack. Existe ainda a pivot, que é uma das blockers, que tem a função de marcar o início de cada jam, assim como de controlar a velocidade do pack”.

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Completada a lição, passamos à prática. Sendo um desporto que já possui raízes consistentes na América, onde nos anos 30 começou por ser um simples entretenimento, em Portugal ainda é recente. Iniciou-se em 2011 com a criação da Liga de Roller Derby do Porto e a partir daí foi crescendo e ganhando adeptas em várias cidades do país. Neste momento, existe já uma selecção nacional. A vez de Coimbra chegou em Fevereiro passado, quando Vânia fez o primeiro apelo. “Comecei, com o meu namorado, pela criação de uma página no facebook para ver de que maneira as pessoas iam aderir e também ver o conhecimento que existia sobre este desporto”. A adesão inaugural foi positiva, onde várias raparigas se mostraram interessadas, mas como Vânia desabafou: “do interesse à prática vai alguma distância. E neste momento, ainda só tenho duas raparigas a treinar comigo”.

O objectivo é criar a primeira Liga Feminina de Roller Derby de Coimbra e visto que para tal são necessárias, no mínimo, 14 jogadoras (há que contar com as substituições), estas três pioneiras dedicam-se para já ao aperfeiçoamento da patinagem e das regras do jogo, treinando duas vezes por semana, às segundas e quintas ao fim da tarde. Tal como em cima dos patins, Vânia é persistente e não desiste. “Isto tem de ser levado aos poucos. Quem me dera daqui a uma ano conseguir entrar no primeiro scrimmage (jogo amigável) com outra equipa nacional”.

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Normalmente o Roller Derby está associado à música rock and roll e, no decorrer da conversa, a pergunta sobre a razão desta associação teve de ser feita. “Este é um desporto de contacto, onde nos podemos magoar e talvez por isso seja associado ao rock, por ser algo mais rebelde e alternativo, isto não é patinagem artística. No entanto, a verdade é que nem passa por aí. O que é preciso mesmo é ter prazer em patinar, a música vem por acréscimo”. E é violento? “É tão violento como outro desporto qualquer. O contacto só pode ser feito nos ombros e ancas e caso haja cotoveladas, joelhadas ou cabeçadas, há direito a expulsão”.

Para as raparigas da cidade que ficam com o “bichinho” ao ler este artigo, Vânia fez questão de deixar uma mensagem: “se gostam de patinar, ou se querem aprender a patinar, venham experimentar nos nossos treinos. Não há requisitos de idade, nem de altura, nem de peso. Basta ter vontade, garra e atitude”. O material que se exige é um capacete, patins, cotoveleiras, joelheiras e protecção de punhos. “Infelizmente ainda não temos material próprio, mas estamos a tentar angariar”.

A futura equipa já tem nome, Rocket Dolls Roller Derby Coimbra, e as três praticantes estão ansiosas por poderem deslizar nas pistas de todo o mundo.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 21 de Maio de 2014)