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As formas do acrílico

  BPI_0579Seguindo a ideia de que o nacional é bom, marcámos encontro com mais uma criadora de acessórios de moda. Helena Ribeiro, a viver em Coimbra desde que veio estudar arquitectura, é uma artesã (por enquanto em part-time) que transforma placas de acrílico em pulseiras, fios e anéis. Levou-nos à sua oficina e, com muita cor e imaginação, assegura que o caminho ainda só está no início.

Desde cedo que Helena sente um impulso direccionado para as artes manuais. Não sabendo se por obra da genética ou da influência contextual, a verdade é que o facto de ter crescido rodeada de artesãos a fez ganhar curiosidade, e algum carinho, por este tipo de trabalhos. “Na família por parte da minha avó materna havia muitos artesãos, marceneiros, todos muito ligados às artes, às madeiras, ao trabalho feito com as mãos. O meu avô era serralheiro, o meu pai também e portanto, cresci no meio da madeira. Lembro-me de nas férias andar sempre atrás do meu pai porque queria trabalhar com ele e aprender a soldar”, relembra alegremente.

Entre estudos e diversos empregos, sempre conseguiu arranjar tempo para ir fazendo “umas coisinhas” e vender a colegas e amigas. “Comecei por experimentar umas brincadeiras com cristais swarovski, a fazer algumas peças, mas percebi que isso não era o suficiente”, conta. Decidiu inscrever-se em diversos workshops de trabalhos manuais e acaba por ser seduzida pelo acrílico. “Fiquei fascinada com os acrílicos porque acho imensa piada ao facto de uma simples placa poder ser completamente transformada. Dá para moldar e brincar ao nosso gosto”, explica revelando no tom de voz ainda algum desse fascínio.

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Vamos então passar à prática e decifrar como se trabalha com este material. Primeiro corta-se o acrílico, de seguida é limado, depois lixado, a seguir as arestas têm de ser polidas e por fim é aquecido e moldado. Segundo Helena, este é um trabalho demorado e que, dependendo do tamanho e design das peças, pode variar entre horas e dias.

No entanto, a artesã vê agora este processo lento tornar-se mais rápido. “Tenho começado a evoluir e a trabalhar mais rápido desde que adquiri uma máquina a laser para serrar o acrílico. Assim, as arestas ficam lisas e o trabalho diminui”, explica. Posto isto, sobra mais tempo para novas tarefas e produtos diferentes: com gravações ou aplicações de tintas cerâmicas.

Os produtos de Helena estão disponíveis na sua loja online, Helena Ribeiro Minimal & Experimental, vendendo principalmente para clientes dos Estados Unidos e Austrália. “Já tive contactos para vender em lojas de artesanato mas com um emprego full-time tinha medo de não conseguir dar resposta. Agora com o laser essa ideia está novamente em cima da mesa”.

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As ideias não param e novas peças estão a ser elaboradas. “Tenho peças de encaixe já projectadas, outras onde vou também utilizar o latão e se calhar também consigo fazer umas peças interessantes para homens. Isto é uma constante aventura e quando começamos não temos ideia onde vamos chegar e o que temos de aprender”, afirma. A inspiração é quotidiana e os muitos livros que tem sobre trabalhos manuais e joalharia, bem como os cursos que vai fazendo, tomam conta do resto.

E se tudo começou por brincadeira, agora a seriedade instalou-se. “Apesar de ainda ser um part-time, cada vez estou a levar isto mais a sério. Por um lado porque o meu contrato possivelmente não será renovado e por outro, quero explorar a minha máquina de laser e até trabalhar com outros artesãos. Além do mais, este é um trabalho onde relaxo, onde desligo e me esqueço das outras coisas”.

Com preços variáveis mas com a certeza de que cada peça é única (fazendo tamanhos específicos por encomenda), basta-nos aceder à sua montra online e apreciar o acrílico em diversas formas. E logo agora que o Verão está a bater à porta.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 16 de Maio de 2014)