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Exposição de Pintura de Carlos Barão

BPI_9943A Preguiça Magazine regressou ao Museu Municipal de Coimbra, Edifício Chiado, para visitar a exposição de pintura de Carlos Barão, mostra que terminará no próximo dia 11 de Maio.

Sabemos que Carlos Barão é licenciado em Psicologia pelo ISPA e que frequentou o mestrado em História da Arte, na variante de Pintura Moderna, da Universidade Nova de Lisboa, acabando por trocar a Psicologia pela pintura que pratica em Leiria desde há uns anos a esta parte.

Não é a primeira vez que nos encontramos com a obra de Carlos Barão em Coimbra, pois que já o vimos em duas exposições individuais na Galeria 7 em 2011 (Em Trânsito) e em 2012 (Estruturas).

A exposição que aqui nos traz conta com 10 recentíssimas obras do pintor que, na sua expressa maioria (todas menos uma, Sem Título, de 2011), deriva de uma matriz temática especial: a paisagem. Mas a paisagem de Carlos Barão é um panorama fictício, planeado como um acontecimento impetuoso e inquietante que nos permite realizar várias leituras, embora todas muito presas à densa linguagem pictórica que nos indica os caminhos interrompidos apenas pela delimitação das imagens que terminam onde as telas se acabam.

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Do conjunto das peças expostas em Coimbra sobressaem várias ideias, relacionadas todas com o visível e com a fantasia que, por sua vez, nos reporta para um mundo-outro onde apesar de tudo nos adivinhamos, se nos deixarmos levar através dos caminhos percorridos pela tinta que se passeia, que cai, que se atira activamente contra a tela, que se deixa misturar em enamoramentos feitos de tonalidades que aquecem nos focos de fogo e de terra.

Para além das alusões ao visível e ao fantástico, este grupo também nos relaciona com a expressão e com o gesto que se adivinha por detrás dos pontos de cor plana ou miscigenada, nos fios de tinta que indicam o percurso da mão do pintor, e na sua própria acção que conseguimos descobrir porque se mostra nas marcas profundas que o denso acrílico foi deixando nos suportes. Trata-se de um conjunto de acção-pintura, ou de pintura feita de gesto matizado nos fundos e nas superfícies e pelo splash que conseguimos ouvir quando vemos, e que vemos porque se descreve.

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Pressagia-se, neste grupo pictórico, a cultura visual de Carlos Barão, profundamente contemporânea. E do conjunto de influências que o pintor recebeu, e que se perfilha de forma lúcida mas muito diluída na sua obra, resultou uma síntese técnica, estética e artística coerente e pessoalíssima, e que se expande através do já amplo e muito reconhecido corpus de obra do autor, modelarmente autenticável porque inteiramente original.

É, por todos estes motivos, imprescindível participar desta experiência visual que Carlos Barão nos oferece, porque somos transportados pela miragem do reflexo da paisagem vermelho fogo na costa (Paisagem # 7 Costa), pela miragem das areias rosas do deserto (Paisagem # 15), pela miragem das nove zonas de uma paisagem flora (Paisagem # 14 Flora), entre as demais miragens que se nos oferecem como propostas de revisão de uma natureza que se diz através desta linguagem pictural específica, sem permissão para uma transcrição verbal que não a faça perder em vocabulário. São exemplos de pintura que não se diz por palavras, de pintura que se expressa através da acção e do som das cores e da mão que perpassa a tela, de pintura que resulta das camadas que o pintor exterioriza porque é feito delas, de pintura que não se conforma com o real mas que se funda nele.

Texto de Carla Alexandra Gonçalves
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 30 de Abril de 2014)