• Photobucket

Home / Artes / Dançar com o estômago

Dançar com o estômago

BPI_7951Visceral. Dançar com o estômago. É assim que Rita Grade descreve a sua escola de dança e o método com que dirige as muitas alunas que tem acompanhado e que frequentam as suas aulas. No amplo e luminoso sótão do edifício da Associação Cristã da Mocidade, o mais importante é não dançar apenas com as pernas, mas também com o estômago. A formação é clássica, mas todas as alunas fazem dança contemporânea a partir dos 12 anos, uma opção estimulante e que permite um espaço de criação nos diferentes projectos em que participam ao longo do processo de aprendizagem desta arte de dançar e de saltar em volta.

Continuando a conversa sobre a sua escola, nesta tarde do Dia Mundial da Dança 2014, Rita Grade salienta que há ali “muito espaço para ser feliz, independentemente do que façam. Fazemos um trabalho muito direccionado para a expressividade, para que te libertes e também para que contribuas para o que ensino. Apesar de ser um estudo técnico, rigoroso e disciplinado (porque é clássico) esforçamo-nos muito por desenvolver a capacidade de criação e de entrega.

BPI_8002

O meu maior objectivo é que todas as minhas alunas tenham vontade de dançar, pois esta vontade faz-te pensar que todos os dias esticas mais um bocadinho, encolhes mais um bocadinho, apertas mais um bocadinho, alongas mais um bocadinho, sofres mais um bocadinho… Um pouco como uma relação de namorados, em que todos os dias tens que dar mais um pouco e que não se constrói de um dia para o outro. Vais ser feliz aqui comigo, mas com o rabo apertado e com a barriga para dentro!”.

Todo este treino e aprendizagem necessitam obviamente de se apresentar ao público, e os espectáculos da escola são também um reflexo da personalidade aberta e criativa de Rita Grade e das suas alunas. O próximo espectáculo é uma interpretação de A Sagração da Primavera do compositor russo Igor Stravinsky, que vai juntar a música original do clássico bailado com temas dos Sensible Soccers. Dia 4 de Julho, no TAGV, é marcar nas agendas.

BPI_9904

A coreografia (como todas, sempre idealizadas pela própria), faz parte de um processo criativo que considera como um trabalho natural (mas árduo e criterioso) de combinação entre os vários estímulos presentes na sua vida quotidiana e as fórmulas e convenções do bailado clássico. Aguardamos pelo dia 4 de Julho para comprovar o resultado e ver como é a Primavera de Rita. Até lá!

Texto e fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 29 de Abril de 2014)