• Photobucket

Home / Uncategorized / Ana Cristina Santos

Ana Cristina Santos

largoAna Cristina Santos, investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, que se tem debruçado sobre temas como género, sexualidade, direitos sexuais e reprodutivos, cidadania e direitos humanos, vê em Coimbra “uma cidade de possibilidades por cumprir”. Logo, um “desafio”. Para relaxar, vai até à margem esquerda: “Tem tudo, com metade do ruído e da pretensão”. Hoje, dia em que se celebram os 40 anos do 25 de Abril, está no Largo da Portagem, com a Preguiça.

Gosto de Coimbra porque…
É uma cidade de possibilidades por cumprir. Há um fascínio nesse desafio, no ainda-não, neste desespero com esperança, como canta o Brel. Permite contribuir para pequenas mudanças, imaginar, exigir. Num registo mais pessoal, Coimbra é palco de muitos dos momentos mais marcantes da minha vida: onde estudei Sociologia, onde me tornei investigadora no CES, onde fizemos a não te prives e, com ela, a Campanha com as Women on Waves (2004) e 1ª Marcha contra a Homofobia e Transfobia de Coimbra (2010), onde nasceu a minha filha, onde descobri a família que se escolhe, a poesia e o skate.

Figura mais emblemática da cidade:
Boaventura de Sousa Santos, porque é o intelectual-ativista que melhor projetou as ciências sociais além-fronteiras, promovendo uma sociologia pública, arrojada, comprometida com lutas por maior justiça social.

Em Coimbra, irrita-me…
A falta de visão e de cuidado por parte da autarquia relativamente aos espaços públicos. As casas de banho do Parque Verde, sempre imundas e sem papel. Os parques infantis pobrezinhos e com parca manutenção. A ciclovia inexistente, a romaria aos centros comerciais por falta de opções, a praxe embrutecedora, sexista, estupidificante.

Sítios preferidos:
A minha varanda, o Bairro e a Margem esquerda.

Melhor esplanada:
Loggia (Museu Machado Castro) para almoçar, o bar de Arquitetura pós-almoço e o Tropical em final de tarde.

Melhor sítio para comer:
Restaurante O Pátio, no Pátio da Inquisição. Sinto-me em casa, a localização é perfeita, a comida é sempre boa, gente diversa e bem-disposta, o serviço impecável.

Melhor sítio para beber copos:
Tropical ou Quebra. Em noite de Festa Fora do Armário, o Pop Fresh.

O que faz no dia do cortejo da Queima das Fitas?
Sento-me e espero que passe.

Onde costuma estacionar quando vai à Baixa? Dá moeda ao arrumador?
No Terreiro da Erva. Troco o serviço que me prestam, mesmo que não solicitado, por uma moeda. É um pretexto para interação, ‘olá, bom-dia. Até logo’, ficamos todos/as felizes.

Onde é que não leva um amigo de visita à cidade?
Ao fado a metro para turistas.

Se pudesse demolir alguma coisa em Coimbra, o que seria?
Toda a Avenida Fernão Magalhães. E o edifício Arnado. Também demolia o Skate Park, para construir um a sério, amplo, diversificado, mais seguro, feito por quem soubesse o que está a fazer e que respondesse à crescente procura pela modalidade, em todas as faixas etárias.

Um espaço desaproveitado:
Ex-Teatro Avenida, depois Centro Comercial Avenida, agora pré-devoluto Avenida. E a Baixa, com raras exceções. A Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho é um excelente exemplo de um espaço muito bem aproveitado.

Melhores espetáculos que viu:
Concertos muito marcantes foram quatro, dois deles já em 2014 – A Naifa, no Teatrão, e a Selma Uamusse num fabuloso tributo a Nina Simone, no TAGV. Antes disto, recordo-me com imenso respeito e ternura dos concertos de Lou Reed (Jardim A Sereia) e de Lhasa de Sela (TAGV). Depois, noutro tipo de eventos, destaco três, de periodicidade anual: o Porra, Manas! Leitura de Textos (sempre a 8 de março, org. não te prives); o Festival de Poesia Mal Dito (em março); o Festival de Cinema Francês (em Outubro).

Último museu que visitou:
Não visito museus em Coimbra, porque reservo os museus que me apaixonam para outras latitudes e Coimbra para outras paixões que não a museologia.

Para relaxar/estar sozinha, vou…
À Margem esquerda, claro. Tem tudo, com metade do ruído e da pretensão. Também gosto muito da praia fluvial em dias úteis, mas isso é um luxo raro.

Para me informar sobre o que acontece em Coimbra…
Sigo A Preguiça via facebook (e aprendo tanto, coisas das que importam, que dão cor à vida). Sigo também o Cartaz Cultural e levo muito em linha de conta as dicas de um conjunto muito criterioso de amigas e amigos.

Estou a responder a este inquérito…
Depois de sair de Coimbra às 6 de uma manhã de quase-chuva, respondo a partir de um comboio rápido, entre Londres e Leeds, a caminho da Conferência anual da Associação Britânica de Sociologia.

Questionário de Carina Fonseca

(Publicado a 25 de Abril de 2014)