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O olhar da National Geographic

BPI_8132António Luís Campos tem um daqueles trabalhos de causar inveja à maioria das pessoas. É fotógrafo e trabalha para a edição portuguesa de uma das mais prestigiadas revistas do planeta, a National Geographic (NG). Nascido em 1977, este engenheiro electrotécnico de formação começou a trabalhar numa empresa de parques eólicos, para a qual fotografou muito durante as suas viagens por todo o país em busca de locais onde montar (os ditos) parques eólicos.

Ainda na faculdade, dedicou-se à fotografia de natureza, área em que posteriormente veio a colaborar com a National Geographic. Mais tarde inclina-se para o fotojornalismo documental, com histórias em que as pessoas são o elemento principal mas em que procura (sempre que possível) introduzir o elemento natural e que acaba por estar sempre subjacente às histórias que fotografa.

Autor de várias reportagens e 4 temas de capa na edição portuguesa da NG, explica-nos que “na maior parte dos artigos grandes, podem passar alguns meses entre surgir a ideia inicial e a sua publicação. No caso dos grandes artigos de capa, pode demorar até mais de um ano. Nestes 10 anos em que trabalho com a revista de forma regular (mas que sendo mensal os conteúdos portugueses são sempre relativamente reduzidos), diria que há entre 4 a 6 colaborações por ano.”

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Quando não está em missão para a NG, tem duas áreas em que trabalha também regularmente: a formação (FNAC e outras empresas) e a orientação de viagens como guia e fotógrafo com a Nomad. No caso da primeira, dá cursos de iniciação à fotografia e cursos técnicos sobre fotografia de natureza, fotografia nocturna e iluminação. Estes cursos são realizados periodicamente nas lojas FNAC de Coimbra, Viseu, Lisboa e Porto. Quanto às viagens, que programa e organiza de forma específica e orientada para a fotografia, esclarece que apesar de as pessoas irem essencialmente para fotografar, o objectivo é sempre viajar e conhecer coisas novas. “Seguimos um plano mas deixamos sempre espaço para os acasos inesperados que caracterizam a fotografia de viagem. Muito proximamente (na última semana de Maio) vamos ao grupo central dos Açores (São Jorge, Pico e Faial), e as inscrições ainda estão abertas”.

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Sobre a sua profunda ligação à biologia e ao seu livro sobre borboletas “Metamorfose”, muito se deve ao facto de “ter sido dirigente da QUERCUS durante muitos anos, e nas muitas saídas de campo que fazíamos começámos a levar as máquinas fotográficas. O gosto pela fotografia de natureza veio daí. Na altura tinha vários amigos estudiosos de borboletas e surgiu a ideia de mostrar o património natural das borboletas numa perspectiva estética, numa viagem ao longo do Rio Mondego. A edição em livro é para mim a sublimação da fotografia, seja pelo complexo processo de edição seja pela nobreza e perenidade do objecto físico”. Na forja está também uma nova edição sobre uma viagem de um mês e meio pelos rios da floresta amazónica que deverá incluir um filme e uma exposição fotográfica. Aguardamos pelo final do ano para a vermos em Coimbra.

Texto e fotografia de Bruno Pires
(Publicado a 23 de Abril de 2014)