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Ciclo Interrompido

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Existem filmes que passam despercebidos mas que são verdadeiras pérolas. Ciclo Interrompido (The Broken Circle Breakdown) é de origem belga e foi um dos candidatos ao Óscar de melhor filme estrangeiro. Felix van Groeningen, o seu realizador, não teve medo de levar para o grande ecrã este poderoso argumento (cujo um dos autores é o personagem principal), baseado na peça de teatro com o mesmo nome, contando assim uma história bem real e marcante para todos nós.

Elise (Veerle Baetens) e Didier (Johan Heldenbergh) conhecem-se por acaso e, quase instantaneamente, nasce uma paixão arrebatadora entre eles. Ela é tatuadora e ele é músico folk. Apesar de bastante diferentes, nomeadamente no que respeita a crenças religiosas, sentem uma atracção forte que se vai corporizando numa harmonia perfeita e num amor sincero e livre. Tal como num conto de fadas, este amor cresce e complementa-se com o nascimento de Maybelle. No entanto, esta bela história descarrila quando é diagnosticada uma doença terminal à filha de ambos.

A partir daqui a confrontação não pára. Entre Elise e Didier, mas também entre nós e o casal, entre nós e o nosso profundo ser. Perante este terrível facto, o casal entra numa espiral de sofrimento, cada um à sua maneira. Elise passa da alegria espontânea à mais pesada das depressões e Didier, refugiando-se na música, tenta desesperadamente que o amor da sua vida não caia em desgraça.

O filme explora de forma surpreendente duas formas distintas de ver o mundo: a forma como se podem encontrar e, na mesma medida, como se podem afastar. Através de flashbacks narrativos, o filme acompanha a história deste casal, desde o início até ao seu fim. Os espectadores não conseguem resistir a experimentar as mesmas emoções que as personagens, sentindo ao mesmo tempo também a imprevisibilidade e o suspense.

As representações de Veerle Baetens e Johan Heldenberg são magistrais e fazem com que o filme ganhe a dimensão que tem. Além do mais, há outro elemento fundamental a ter em conta: a constante presença da música. Quer pela sua importância na vida dos personagens, quer pelo registo que faz das diversas etapas do filme, acompanhando a viagem em todos os altos e baixos.

Parecendo à primeira vista um melodrama comum, Ciclo Interrompido é muito mais do que isso. É triste, é pessimista, mas possui também alguns traços de graciosidade. Para sermos exactos, trata-se de realidade em estado puro. E que filmes nos tocam mais senão aqueles que falam sobre o real?

https://www.youtube.com/watch?v=jBFInmtZVZQ

Texto de Carina Correia

(Publicado a 27 de Março de 2014)