• Photobucket

Home / Uncategorized / Borges II

Borges II

BPI_6559Diz o ditado que não se deve voltar onde já se foi feliz, mas decidimos arriscar e voltámos esta semana ao Borges, a antiga “Leitaria do Castelo”, que na edição passada, dedicada às bifanas, se sagrou vencedor com uma confortável margem para a concorrência.

A Cervejaria Borges intitula-se de berço da tosta de galinha.  Segundo nos disse o senhor Borges, foi uma invenção da sua esposa que ele próprio aperfeiçoou ao longo dos tempos. “As outras são uma cópia” diz-nos defendendo a sua invenção. Não queremos aprofundar muito este assunto da sua origem, o que nos interessa é se é a melhor de Coimbra à imagem da sua bifana. Será que nos consegue convencer? Mais adiante saberemos…

A simpatia mantém-se a mesma, fomos mais uma vez recebidos como se estivéssemos em casa de um amigo. O senhor Borges distribui apertos de mão como um político em dia de mercado na véspera de eleições. Movimenta-se entre o balcão e as mesas com uma ligeireza que não condiz com o seu porte e idade. É a alma da casa, não haja dúvida.

Enquanto esperávamos a nossa tosta fomos brindados com um prato de recheio, simples, para irmos petiscando com pão fresco. Desapareceu num instante, com o papo-seco a ser pouco para tanto recheio. O resto foi mesmo comido à garfada. Era delicioso e só nos despertou ainda mais a curiosidade para o que aí vinha.

BPI_6553

É a primeira tosta que nos é servida em papo-seco, um pão considerado menor por muitos, mas que o Borges trata com mestria, deixando-o estaladiço e leve. Ao contrário das tostas em pão alentejano onde o pão assume o protagonismo, aqui o pão remete-se a um papel secundário, está lá apenas para colocar em evidência o recheio. Este é composto apenas pelo refogado de galinha provado anteriormente, que embebe o papo-seco ligeiramente, dispensando o queijo a fazer a ligação com o pão. Aqui, ao contrário da tosta do Avenida, resulta. O que não dispensamos é o molho picante do Borges, feito em casa pelo próprio, com malaguetas caseiras. Umas gotinhas são o suficiente para dar uma nova vida à tosta. “Este aqui daqui a 10 anos ainda está bom para comer” – conta-nos ele enquanto mostra um frasco de picante em estágio.

Já todos perceberam que esta tosta está no topo das nossas preferências, mas será a melhor? Não é. A tosta do Atenas continua na liderança pelo seu sabor mais intenso e pela textura da galinha, menos desfeita. Não é no entanto uma escolha fácil, mas se vos fizermos provar as duas, o nosso objectivo foi conseguido. Esperamos que haja debate na caixa de comentários com as vossas opiniões. Contem-nos tudo.

Texto de Bruno Raposo
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 07 de Março de 2014)