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A (nova) hamburgueria da cidade

BPI_6001Fomos almoçar à Casa das Caldeiras, um espaço mítico da cidade, que desde 21 de Novembro passado reabriu com um novo conceito, o de restauração e bar. Provámos diversas iguarias, demos uma vista de olhos pelos preços e podemos assegurar que é uma boa escolha para uma refeição que faz bem ao nosso paladar e não afecta as nossas carteiras.

Desde logo a Casa das Caldeiras apela ao sentido estético de quem ali se desloca. Património da UNESCO, este edifício arquitectónico singular, que teve no passado um conceito funcional específico (infra-estrutura geradora de energia térmica para o funcionamento dos Hospitais da Universidade), é um espaço onde sentimos fazer parte de algo grandioso. E não estamos numa dessas cidades cosmopolitas espalhadas pelo mundo, estamos em Coimbra.

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Recentemente, Sara Barbosa Alves, imbuída num forte espírito inovador, decidiu explorar esta estrutura e transformá-la numa hamburgueria artesanal, que numa cidade ávida de novidades faz todo o sentido existir. Para além dos hambúrgueres serem a marca da casa, a Casa das Caldeiras quer afirmar-se também pela vasta oferta de gins, seguindo os passos da tendência actual mas tentando fazer a diferença. “Estes são os dois conceitos iniciais, que apesar de distintos são os principais. Depois há uma série de sub-conceitos que são determinantes”, explicou a gerente. Mas vamos com calma.

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Apesar das diversas ofertas, a Preguiça queria experimentar uma refeição completa. Indecisos em escolher a sopa ou uma das tábuas de petiscos (de queijos ou de presuntos) como entrada, lá optámos pela tábua dos queijos. Uma tábua chegou à mesa, com três variedades de queijo, uma delas salpicada de nozes e mel, e guarnecida com pedaços de pão em forno de lenha. Demorou cinco minutos a desaparecer.

Como prato principal, a nossa opção foi para o clássico hambúrguer. Podíamos ter escolhido uma bifana, ou uma francesinha, ou mesmo uma pasta, mas estávamos fisgados no prato da casa. Entre os sete hambúrgueres diferentes do menu, escolhemos o Bacon e Ovo, o Blue e o Mozarela. Passado pouco tempo, chegam eles, quentinhos e a pedirem para serem comidos. Com ingredientes diferentes, desde o ovo de codorniz, ao molho pesto, ao queijo mozarela, todos têm em comum uma camada de legumes, que também varia. A acompanhar, vem uma dose de batatas fritas caseiras e originais (fritas com pele e temperadas com especiarias) e um molho, também ele variável (de iogurte com especiarias ou maionese com alho e coentros), onde podem ser mergulhadas, sem piedade, as batatas. A bebida que escolhemos foi também uma das especialidades da casa. Entre os sumos naturais ou uma bebida com álcool, e em serviço não se bebe, elegemos o saboroso refresco de café, com direito a fórmula secreta.

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Todas as receitas destes pedaços redondos de carne cuidadosamente temperada, bem como dos seus acompanhamentos, são feitas por Sara. “Fui eu que os inventei, pois a mistura de sabores é algo que me fascina particularmente. Inspiro-me em viagens que faço e em muitas leituras. Experimento-os em casa e dou aos amigos a provar, muitas vezes através de provas cegas para perceber até onde podem ir os sabores mais simples e os mais intensos”.

Antes de passarmos para a sobremesa, ficam algumas observações que nos parecem relevantes. Entre o hambúrguer e os legumes, existe uma fatia adicional de pão que, segundo Sara, “serve para o hambúrguer quente não entrar em contacto com os legumes retirando-lhes assim a sua frescura”. Talvez por isso, estes hambúrgueres ganham em altura, o que à primeira vista, e para as mandíbulas mais sensíveis, parece uma dificuldade. Sim, porque os hambúrgueres pedem mãos. Mas nada que com jeitinho não se consiga e, se o obstáculo persistir, pode sempre ser utilizada a faca e o garfo. Por fim, a Casa das Caldeiras oferece duas opções de tamanho no hambúrguer: o médio (preço médio de 7€) e o mini (preço médio de 4€), ficando a escolha unicamente do lado dos estômagos mais ou menos saciáveis.

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Chegou a hora da sobremesa e com ela, mais uma indecisão. Fruta não nos apetecia, queijo com banana, nozes e mel já tínhamos comido, siga então o crepe com chocolate, gelado e chantilly. Como devem imaginar, e mesmo já bem compostos, não ficou nada no prato.

Como já referimos, este espaço pretende apostar numa oferta variada de receitas de gin. “Abrir um bar nesta altura tem de ser com uma oferta forte de gins”. Com sabores inovadores e também eles criados através do empenho e leitura sobre o tema, Sara menciona que “queria ter várias opções de gin, uns mais masculinos outros mais femininos, mas que todos fossem bons e esteticamente apelativos. Para além disso, os preços são muito convidativos”.

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No entanto, muitos outros cocktails e bebidas espirituosas podem ser degustados, não fosse este também um bar. Todos os fins-de-semana a Casa das Caldeiras tem um dj, oferecendo assim um conceito mais adaptado a quem queira só ir beber um copo e não almoçar ou jantar.

Quando perguntámos a Sara a já habitual questão do que distingue este espaço dos outros, a resposta foi espontânea. “Obviamente a arquitectura deste espaço é um factor que faz a diferença, além da sua história e dos seus quase cem anos de existência. Não há nenhum espaço como este em Coimbra e tenho algumas dúvidas que haja em Portugal. Em relação ao nosso serviço, é desde logo o atendimento, que é informal mas muito cuidadoso e rápido, a frescura e qualidade dos nossos produtos, nomeadamente os legumes e vegetais e também a relação qualidade/preço a que insistimos em estar atentos”.

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Transversal no que diz respeito ao público, envolvendo todas as faixas etárias e classes económicas, a Casa das Caldeiras é um local dinâmico onde se come, bebe, ouve música e se convive. Com uma esplanada tentadora à espera dos dias de sol, Sara garante que os petiscos de Verão serão fortes aliados a quem dela quiser desfrutar.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 27 de Fevereiro de 2014)