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Red Italian Hunter: Foreign City Lights

BPI_5455_2 Gonçalo Parreirão, Frederico Nunes e Tiago Vaz são a Sicilia a ir buscar paisagens sonoras áridas e psicadélicas à riqueza e diversidade atmosférica da Escócia. Isto tudo acontece em Coimbra, quando em Dezembro de 2011 três amigos descobrem a enigmática vida e obscura obra do escritor escocês – de origem siciliana – John Scott Hunter.  Sem mais demoras, aqui fica a conversa entre a Preguiça Magazine e os Red Italian Hunter, uma das bandas mais promissoras  e interessantes que Coimbra vai ter o prazer de possuir.

Vocês lançaram o vosso EP “Foreign City Lights” no ano passado (2013), alguns concertos depois são considerados por muitos a nova “promessa” musical conimbricense para 2014 (a par com os Flying Cages). Como surgem estes tão promissores Red Italian Hunter e quanto tempo foi preciso para apurarem este “Foreign City Lights”?
Ensaiámos juntos a primeira vez no final de 2011. Nessa altura estávamos na faculdade mas já nos tínhamos conhecido anteriormente. A primeira apresentação ao vivo foi no Ciclo de Artes Plásticas de Coimbra, uns meses mais tarde, a convite do Luís Quintais.  Este EP surge ao fim destes dois anos, em sequência do amadurecimento das ideias que se foram desenvolvendo.  No início do verão de 2013 sentimos que o material tinha atingido maturidade suficiente para ser registado e apresentado mais formalmente. A decisão de gravar o EP em casa, pelos nossos próprios meios, surgiu porque achámos que este seria o método que nos permitiria ter mais controlo sobre todo o processo. Actualmente a tecnologia  já nos permite gravar um álbum, sem comprometer a qualidade do trabalho e com custos muito reduzidos.

Este rumo musical, o não haver vocalizações por exemplo, foi um caminho definido por vocês desde o início ou este EP nasce de 3 amigos que se juntaram para “ver no que dava”?
O rumo que tomámos foi-se apurando ao longo do tempo. Juntámo-nos porque sempre tivemos a ambição de fazer música em banda e pretendíamos que a música ocupasse um papel mais presente nas nossas vidas. Com isto estávamos a criar um compromisso entre os três que acreditamos ter sido importante para impulsionar as nossas ambições. Nunca excluímos a hipótese de incluir uma voz na nossa música, mas ao longo do tempo percebemos que este era o formato com o qual nos sentíamos mais confortáveis.

Pessoalmente, e a cada audição, descubro sempre um novo pormenor. Este trabalho de minúcia instrumental reflecte um desejo vosso para que o EP seja escutado assim?
Nós pretendemos que o nosso álbum seja escutado com atenção e do princípio  ao fim. O alinhamento do EP foi cuidadosamente discutido entre os três. Os pormenores são reflexo do trabalho e do amadurecimento da composição, daí que essa densidade não os evidencie à primeira escuta. Acreditamos que o facto de sermos um trio de bateria, baixo e guitarra dê mais liberdade a cada instrumento de se expressar e pode tornar tudo mais desafiante.

“Foreign City Lights” assenta num psicadelismo escuro, completamente instrumental, são 4 músicas densas. É este o vosso caminho?
Esta temática mais escura foi algo que procurámos para este EP. O registo de rock progressivo e psicadélico é algo com que nos identificamos e a que pretendemos dar continuidade, mas o futuro é, e sempre será, uma incógnita.

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E o que se pode esperar dos Red Italian Hunter para 2014? Essa incógnita que mencionam vai trazer outra dimensão sonora ou vamos poder ver-vos com mais elementos?
Em primeiro lugar estamos concentrados em promover o EP ao vivo. Quando não estamos a preparar os concertos, vamos ensaiando um novo rumo que pretendemos para a nossa sonoridade: o nosso baixista tenciona voltar à sua posição original, a de guitarrista. Tencionamos, a seu tempo, encontrar um baixista que preencha essa vaga.

Falando um pouco dos vossos gostos musicais, quais as grandes referências para a sonoridade dos Red Italian Hunter?
Bandas como The Doors, Led Zeppelin e Pink Floyd, destacam-se  entre os nossos gostos mais comuns.

Tiago: Tenho grandes influências em King Crimson devido à composição musical que na altura era bastante inédita e ainda hoje o é! Os The Mars Volta com o histórico de álbuns pujantes e os Mogwai que foram a minha banda de apresentação ao prog-rock.

Fred: Os Beach Boys terão sido a primeira banda a cativar-me para o mundo da música. Ainda antes da adolescência já ouvia muito rock dos anos 60 e 70 e penso que em particular os Rolling Stones me motivaram imenso a querer aprender a tocar guitarra eléctrica e a dedicar-me ao rock. No plano da actualidade gostava de destacar artistas como Anna Calvi ou os Tame Impala do  “Innerspeaker”. Gosto também de estar a par da música que se faz em Portugal.

Gonçalo: Fora os já referidos fui beber alguma inspiração aos Delta Blues, ao Hendrix e mais recentemente ao Waits. Nesta nova geração, dos 90’s para a frente, posso referir alguns individuais como Pj Harvey, Dan Auerbach, Jack White, M. Ward e ainda algumas bandas como Radihead, BRMC, a Jigsaw e os incontornáveis Dead Combo.

Recentemente a Preguiça Magazine publicou um artigo sobre o slogan “Coimbra, Capital / Cidade do Rock”. Vocês, não tendo vivido os anos 90 e a grande agitação musical que se viveu na cidade na altura, como encaram esta epígrafe? Gostariam de ser incluídos numa nova geração da música, e aqui subo a fasquia, nacional?
Nos anos 90 ainda não estávamos muito atentos ao cenário musical da cidade, mas lembramo-nos bem de Coimbra capital da Cultura 2003, em que tivemos oportunidade de assistir a muitos projectos  que emergiram dos anos 90. Na nossa opinião esses eventos foram muito estimulantes para quem gosta de rock e sobretudo para nós, os putos da altura. E sim, queremos contribuir para que o slogan “Coimbra capital/ cidade do rock” não se torne numa mera idealização da nossa cidade.

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Recentemente disponibilizaram “Foreign City Lights” na integra no vosso bandcamp. Cada vez mais – e para esta nova geração de músicos – a distribuição e visibilidade da música passa pelas plataformas digitais?
Nós acreditamos que sim e tem-se vindo a constatar essa tendência. Estamos a falar de uma maneira de expor trabalho com qualidade e gratuitamente (tanto para o artista que produz, como para quem faz o download).  Actualmente plataformas como o facebook ou o youtube têm muito mais poder de divulgação junto do público que se pretende atingir que qualquer outro meio de comunicação.

Onde podemos encontrar e comprar o vosso EP?
O nosso EP está disponível online no bandcamp com download gratuito e também no youtube. Normalmente temos o CD disponível em formato físico nos nossos concertos e equacionamos também a hipótese de o colocar à venda em lojas de Coimbra.

Por último, pedia a cada um de vocês para partilhar a música que vos dá mais preguiça de ouvir e porquê?

Fred: Gostava de conhecer mais no campo da música electrónica, mas confesso que às vezes me dá alguma preguiça de escutar com mais atenção este género musical.

Gonçalo: O estilo de música que me dá mais preguiça, no sentido de que só em certas alturas é que consigo de facto ouvir com atenção, é o country folk mais tradicional, de artistas como Johnny Cash, que aprecio muito… Têm de ser ouvidos na altura certa.

Tiago: O género que me dá mais preguiça de ouvir é a música clássica, porque só gosto de a ouvir em determinados estados de espírito, devido ao cariz complexo.

Entrevista de Bruno Pedro Simões
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 27 de Fevereiro de 2014)