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Café Avenida

BPI_4895 Nesta edição da Comezainas visitámos o Café Avenida, ali na rua da Escola Secundária José Falcão, uma casa histórica que marcou várias gerações.

A sala é estreita, com mesas e bancos muito baixos. Um indivíduo avantajado como eu tem algumas dificuldades até encontrar uma posição confortável, o que depois de algum tempo acaba por acontecer. Já instalados, e enquanto aguardávamos o pedido, fui analisando o ambiente.

Localizado perto de uma escola secundária, é normal que durante o dia esteja cheio de jovens. Uns utilizam o café como sala de estudo, outros optam por matar o tempo no facebook e a jogar nos seus telemóveis de última geração enquanto o fumo dos seus cigarros torna o ar quase irrespirável.

Uma fonte que quis permanecer anónima confidenciou-me que o Café Avenida sempre foi muito frequentado por “betos de Celas”. Como não fiz o secundário em Coimbra e cheguei à cidade apenas no ensino superior, nunca consegui identificar bem o famoso “beto de Celas” de que a malta de Coimbra tanto fala, mas a avaliar pelas DT’s estacionadas à porta e alguns penteados, a fonte é capaz de estar correcta…regionalismos.

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A tosta não demorou muito a chegar à mesa, a acompanhá-la vinha um frasco de picante “para o caso de ser necessário”. O pão tinha um ar rústico e apresentava-se bem tostado, com bom aspecto, mas o recheio parecia algo seco e com pouco queijo, o que se verificou na prova. Falta-lhe queijo a fazer a ligação entre a galinha e o pão, facto que poderia nem se notar se houvesse mais molho. Decidi então experimentar o picante na segunda metade da tosta, e de facto ganhou mais vida, acentuou os sabores que até ali estavam discretos, mas não é o suficiente para a levar ao topo da nossa lista.

Resumindo, este não é o local ideal para quem como eu não gosta de comer em salas com fumo, será sim um bom local para estar com os amigos à noite e confortar o estômago antes de ir para casa. Ir lá de propósito para comer é algo que não aconselho. É uma tosta que não nos fica na memória, mas se quiserem experimentar, usem o picante.

Texto de Bruno Raposo
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 20 de Fevereiro de 2014)

10 comments

  • Antonio, se vir o nosso arquivo poderá constatar que o Borges “venceu” o anterior périplo pelas melhores bifanas da cidade. Obviamente que também lá iremos provar a tosta de galinha, brevemente. 🙂

  • O Avenida é um café com um excelente ambiente e funcionários impecáveis. Quanto à tosta de galinha, não é nada seca, tem um óptimo recheio e apesar do picante lhe poder ‘dar vida’ o facto de não o usar não a deixa nada aquém..

  • Marcou várias gerações sem dúvida, mas a sua em particular não foi com toda a certeza. Gostei especialmente da parte em que se apresenta como um indivíduo avantajado. As mesas e os bancos baixos fazem parte do Avenida que todos conhecemos. Pois no dia que se trocarem os bancos e as mesas para indivíduos avantajados como voçê, o Avenida não deixa de todo de ser o “Café Avenida” obviamente, mas deixa de ser o Avenida como todos o conhecemos, mas que eu frequento e hei-de continuar a frequentar sempre.

    Um indivíduo observador como você, é normal que refira o ar como quase irrespirável. Se você frequentasse os cafés com o intuito de conviver, em vez de redigir estas opiniões, pelos vistos erradas, talvez não se preocupasse com o ar que respira. Mas nada melhor que não sair de casa, pois hoje em dia o nível de CO2 nas ruas é elevadíssimo.

    Betos de Celas a avaliar pelas DT’s estacionadas à porta? Regionalismos? Eu chamo a isso ignorância e num segundo plano chamo-lhe dor de cotovelo. Não sei se foi o seu sonho de infância ou da sua fonte ter uma DT e um penteado engraçado. Lá está, eu não tenho fontes. Mas a avaliar pelo seu texto devo estar correcto. Até lhe posso dizer que tive uma DT e às vezes estacionava-a à porta do Avenida e sentia-me…normal. Portanto aconselho-o vivamente a contactar as suas fontes, estão completamente erradas.

    Falando agora na tosta, posso também informá-los que a tosta é de galinha e não de galinha com queijo. Portanto não percebi o seu comentário a referir que a tosta tinha pouco queijo. A tosta de galinha NÃO leva queijo! Para além das suas fontes estarem erradas, pelos vistos, também o seu paladar estava. Logo aí dá para imaginar o topo da vossa lista.

    Resumindo, os verdadeiros clientes do avenida, e acredite que são muitos, não precisam destes textos para saberem se lá vão comer ou beber. As pessoas vão ao Avenida porque querem e gostam de lá estar e gostam de conviver. E se lhes apetecer comer ou beber, fazem-no. Mas eu no lugar das pessoas não me fiava muito na vossa extensa lista de opiniões, pois a tosta de galinha no Avenida não leva queijo e você referiu que sim.

  • DIREITO DE RESPOSTA
    Na qualidade de responsável pelo CAFÉ AVENIDA, gostaria de informar os proprietários do Preguiça Magazine que cometeram um grave erro quando começam um Blog com criticas (construtivas e/ou destrutivas) mas não têm pessoal com um mínimo de competência/qualificação para o poderem fazer. Para se poder ter alguma credibilidade, é necessário que os pseudo-profissionais que trabalham para vocês saibam o que fazem e principalmente o que dizem. Cada estabelecimento faz a tosta de galinha como bem entende, mas a nossa, só leva queijo ou qualquer outro extra se o cliente o solicitar. Degustar é o ato de avaliar sabores sendo que essa profissão exige um paladar apurado e muito estudo para saber apreciar qualidades e procurar defeitos de um produto. Uma pessoa (Bruno Raposo) que não consegue distinguir a diferença entre “pão tinha um ar rústico e apresentava-se bem tostado, com bom aspecto, mas o recheio parecia algo seco e com pouco queijo, o que se verificou na prova”, de uma simples sandes tostada de galinha refogada, certamente que não é um degustador, é apenas alguém que percorre meia dúzias de cafés, tascas e restaurantes em busca daquilo que melhor lhe sabe e dá uns palpites. Gostos não se discutem é certo, mas, quando se vem para a internet dizer barbaridades sobre um estabelecimento com cerca de 47 anos de história deve-se ter mais cuidado. Se realmente a tosta era assim tão má, porque é que o pseudo-degustador e o fotógrafo pediram uma terceira tosta em vez de pedirem outra coisa qualquer? Os senhores em causa podem perceber muita coisa sobre escrever e/ou fotografar, mas sobre cozinha pouco ou nada percebem. Mais acrescento que os mesmos dois senhores também devem perceber muito pouco sobre negócios, visto que a nossa clientela não se resume aos por vós apelidados “betos de Celas “ mas sim a várias gerações de estudantes de todo o país que estudaram nas faculdades de Coimbra. Quem por cá passou, sempre que vem a Coimbra vem ao AVENIDA, e quando o AVENIDA deixar de ter os bancos e mesas que tem (impróprios para o autoapelidado “indivíduo avantajado”), nunca mais será o AVENIDA. Já agora publiquem os comentários de todas as pessoas e não apenas aqueles que vos dão jeito.

  • A liberdade de expressão e opinião constituem um direito e uma manifestação de uma sociedade democrática como aquela em que felizmente vivemos. Nesse sentido, a Preguiça Magazine Coimbra e os seus colaboradores escrevem e expressam de forma livre e independente as suas opiniões sem medo ou temor de ofender alguém, pois acreditam que opinar não é ofender. No caso das Comezainas, esta é uma rubrica simples sobre pratos igualmente simples e não pretende ser um Guia Michelin.

    Uma opinião sobre o tamanho de um banco de café, a quantidade de fumo de tabaco que ali se encontra num determinado momento ou a existência (ou não) de queijo numa tosta de galinha que se pediu como outro qualquer cliente faria (pois é assim que pretendemos que os nossos leitores sintam que serão servidos no local a que nos deslocamos) é tão-só isso mesmo: uma opinião. E ter opinião não é crime, nem deve ser encarado como uma ofensa pessoal.

    Se entrarmos num restaurante em Tóquio e não houver mesas (e apesar de isso poder ser um costume centenário daquele estabelecimento) não podemos comentar e opinar sobre a falta delas, uma vez que estamos habituados a tal peça de mobiliário? Se em 10 restaurantes em Florença comermos um prato em que todos usam natas excepto um, não podemos estranhar essa alteração e falar sobre ela? E se uma grande parte da clientela de determinado café de Portimão pertencer ao Benfica, não podemos dizer que é “um café de benfiquistas”? Sem que tais considerações constituam uma ofensa mas sim um direito de expressar o que se pensa?

    As opiniões aqui publicadas pelos clientes, amigos e responsáveis do Café Avenida afirmam que a tosta não leva queijo a menos que tal seja solicitado. Agradecemos o esclarecimento e salientamos essa característica a todos os leitores.

    Sobre as restantes questões suscitadas nos diferentes comentários, nada mais temos a dizer e respeitamos a opinião de cada um sobre a nossa própria opinião, da qual obviamente não abdicamos.

  • Depois de ler diversos artigos da Preguiça, e sobre casas das quais conheço muito bem, deixo apenas um alerta como leitor atento: é facto que existe a liberdade de expressão , tal como referem, e que este espaço é informal sem vista à michelin contudo não fica bem da vossa parte alertar aos leitores para não irem comer a determinado local! Mesmo sendo uma equipa informal , a Preguiça tem | deve ter consciência de que é responsável por influenciar a opinião dos leitores que lêem. Esta , na minha opinião, difamação , como já vi em alguns textos, do estabelecimento é séria e pode tomar proporções , ao nível dos negócios , graves.

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