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Profissão: Barbeiro

BPI_4953Luís Monteiro tem 73 anos, e quase outros tantos a cortar barbas e cabelos na cidade. A Barbearia Comercial é o seu local de trabalho desde 1979, ano em que se tornou seu proprietário juntamente com Carlos Couceiro, pai do seu actual sócio, João Carlos. Vindo da Barbearia Universal, uma barbearia de elites com 8 cadeiras e vários serviços de classe, começou a aprender a arte da tosquia com 11 anos com o seu mestre Albino e recorda a primeira vez que fez a barba a um cliente: “8 lenhos. Mas todos pequenos! À segunda já foram só 3…”, conta com (comedido) orgulho. Desde então, foi até hoje.

Situada no nº 10 das escadas de São Tiago, entre a Praça Velha e a Rua Ferreira Borges, a Barbearia Comercial é também um local de tertúlia e convívio entre amigos e clientes de longa data, alguns com mais de 50 anos de fidelidade. Às segundas o tema dominante das conversas é o futebol e os “casos” da jornada, mas durante o resto da semana também se discutem ali a política, os assaltos (às lojas e às reformas), a comida e o sexo oposto. Num curto espaço de tempo assistimos e participámos em várias trocas de piadas e anedotas entre os presentes e aprendemos também que não há burros carecas, mas que carecas burros já não é bem assim… A dialética funciona ali em pleno e aconselhamos respostas na ponta da língua e uma boa capacidade de encaixe.

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A comparação com os “velhos tempos” é inevitável, até porque todas as cadeiras Belmont, para além de um estilo futurista e uma côr amarela-metalizada digna de um Cadillac, têm no braço direito um cinzeiro símbolo de um tempo em que, segundo Luís Monteiro, se fumava ali muito. Tempos em que as barbas eram feitas às quartas e aos Sábados, e que o negócio ainda era de facto, de barba e cabelo.

Hoje já só cortam cabelo, já que o aparecimento da SIDA veio afastar os clientes das navalhas afiadas e dos inevitáveis lenhos de superfície potencialmente contagiosos. Longe também vão os tempos em que cortava cabelo aos estudantes nas Repúblicas a troco de um jantar bem regado. Confessa que apanhou algumas “roscas” com o seu mestre Albino nessas incursões pelo mundo académico, mas manteve a sobriedade que o caracteriza ainda nos dias de hoje.

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Os cortes curtos e clássicos mantêm-se os mais habituais, mas se o cliente for esquisito ou não gostar do resultado final, pode sempre procurar pelo Zé Lérias na Rua da Nogueira para lhe resolver o problema. Quem é o Zé Lérias, pergunta o leitor? Aconselhamos uma ida à Barbearia Comercial com a pergunta no bolso, ficarão esclarecidos.

Texto e fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 20 de Fevereiro de 2014)