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De cortar à faca

BPI_4013 Uma folha de papel em branco pode ser um pesadelo para muita gente, mas para Susana Martins é matéria-prima e terapia para eventuais desatinos da vida. Quis o destino que encontrasse, nas páginas bem preenchidas de um livro sobre artes em papel, uma especialidade que curiosamente retalha folhas em branco e com elas faz coisas que nunca tinha visto. Papercutting ou “cortar papel” é isso mesmo: cortar, retalhar e descobrir numa mancha de papel espaços e elementos positivos e negativos que formam imagens e dão corpo à imaginação do artista. Tudo isto, claro, à facada.

Para Susana, a inspiração chega-lhe das artes que mais aprecia: cinema, pintura, escultura, música e arte urbana, cujos temas e imagens icónicas lhe servem muitas vezes de base para os trabalhos que vem desenvolvendo desde que conheceu esta arte milenar (na China, o Jianzhi é praticado desde o séc. VI). A estética do papel, o pormenor do corte e a singularidade da lâmina como objecto criador foram os elementos-chave para que lhe despertasse a vontade de experimentar uma arte desconhecida mas com que logo se identificou. “É um processo terapêutico, autodidacta ao máximo e inspirado em tudo o que tenha a ver com as artes de que gosto. Procuro as imagens, transfiro-as para o papel e depois defino as ilhas”, ou os pedaços de papel que vão ficar. O resto, é para cortar com muita calma e até algum prazer.

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A “produção” começou em Maio de 2013, e após muitas tentativas e experiências com diversos materiais, a lâmina começou a fluir e os resultados tornaram-se dignos de serem vistos e mostrados ao mundo. Começando pelos amigos e passando depois para uma página no Facebook onde hoje apresenta e vende grande parte das suas obras, os seus papercuts ganharam público e a maioria dos que lá se encontram já foram vendidos. Susana aceita encomendas e agradece as ideias externas. O primeiro trabalho de que se desfez surgiu de uma sugestão de uma amiga, a quem ofereceu a obra depois de terminada. É também possível encontrar alguns trabalhos seus na Mercearia de Arte.

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Para o futuro deste work in progress, como gosta de lhe chamar, espera explorar novas abordagens e materiais, eventualmente em parceria com artistas de outras áreas. Aplicações em livros convencionais ou de banda desenhada, são algumas das hipóteses. Sempre, é claro, de faca na mão.

Texto e fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 06 de Fevereiro de 2014)