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20 Anos de Cinema Português

BPI_4080_okO ciclo “20 Anos de Cinema Português” retoma a sua programação esta quinta-feira, dia 6 de Fevereiro, após uma pausa. Promovido pelo Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) da Associação Académica de Coimbra (AAC), este ciclo insere-se nas actividades paralelas em torno do Festival Caminhos do Cinema Português, que conta já com dezanove edições. A Preguiça foi à Associação ter com Catarina Pinheiro, a actual presidente do CEC, e saber um pouco mais sobre este projecto.

Apesar de no ano passado o já habitual Festival Caminhos do Cinema Português não se ter realizado, por questões relativas à falta de financiamento, não foi motivo suficiente para abandonar os filmes feitos por terras lusitanas. O ciclo “20 Anos de Cinema Português”, em que é apresentado um filme todas as semanas, nasceu e voltaram a brilhar as estrelas nacionais. “Este ciclo veio no seguimento de tentarmos todos os anos fazer actividades diferentes para o festival e uma vez que íamos preparar a sua 20ª edição, fazia todo o sentido realizarmos uma actividade específica para comemorar esses vinte anos”, explica Catarina.

Cerca de 90% dos filmes que estiveram presentes ao longo das diferentes edições do Festival Caminhos do Cinema Português estão presentes neste ciclo de cinema, que teve início em Setembro de 2013 e se prolonga até ao próximo dia 5 de Junho. “Lembrámo-nos de fazer uma retrospectiva das dezanove edições do festival. Alguns filmes não estiveram presentes nessas edições, mas achámos que fazia todo o sentido estarem no ciclo, como é o caso da trilogia completa de João César Monteiro”.

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Os objectivos principais deste ciclo são a promoção e divulgação do cinema português, sejam curtas ou longas-metragens. “É um pouco difícil os filmes portugueses chegarem ao público, principalmente as curtas-metragens que são de difícil acesso a não ser em festivais ou em ciclos como estes promovidos por cineclubes”. E para que esses objectivos se cumpram na perfeição, o CEC convida realizadores e/ou actores a estarem presentes na sessão. “Acaba por ser mais interessante para o espectador se tiver os intervenientes a falar sobre o filme: como foi pensado, rodado ou que ideias estão por detrás”, afirmou a responsável.

Não sendo possível conseguir semanalmente esta dinâmica de conversa e debate, é promovida uma vez por mês a master session, onde se debate um tema específico relacionado com o(s) filme(s) exibido(s) e com a presença de convidados. “Já tivemos, por exemplo, uma master session sobre ‘literatura e cinema’, em que convidámos professores da Universidade, ou sobre ‘o rock em Coimbra nos anos 90’, em que convidamos protagonistas dessa altura”. Catarina avançou que em Fevereiro (dia 27) o tema a debater será ‘a representatividade do cinema português nas audiências’; em Março a master session dedicar-se-á ao ‘ensino do cinema em Portugal’ e em Abril a discussão irá girar em volta das ‘lutas académicas e sua representação no cinema’.

Para a presidente do CEC, estas sessões, e todo o ciclo em geral, têm aproximado do cinema português não só os estudantes universitários como também outras pessoas já afastadas do meio académico e universitário. “Como estrutura académica que somos, o nosso público-alvo são os estudantes universitários. Temos de começar por algum lado e o objectivo é aproximar os estudantes ao cinema português. É preciso mudar mentalidades e se temos os estudantes aqui tão perto, porque não proporcionar-lhes um pouco de cultura e cinema com esta periodicidade? No entanto, as sessões são abertas a todas as pessoas e todas são bem-vindas”.

O hábito faz o monge e todas as quintas-feiras (com excepção das pausas escolares), às dez da noite, no mini-auditório Salgado Zenha no edifício da AAC (piso 0), projecta-se cinema nacional. “As pessoas já sabem que o ciclo acontece e temos conseguido ter pelo menos 70% do auditório completo”.

Quanto ao caminho do cinema português, Catarina acredita que “melhores dias virão e é por isso que aqui estamos e que lutamos todos os dias para o divulgar. 2013 foi um ano negro para o cinema português, com muito poucas produções e uma falta de financiamento dramática para os realizadores”, desabafa. No entanto, relembra, “o que é feito em Portugal tem muito valor e tem sido extremamente premiado internacionalmente. As pessoas ainda acham que os nossos filmes têm pouca qualidade, mas enganam-se, há filmes belíssimos”.

Para quem ainda não foi a nenhuma destas sessões, tem até ao próximo dia 5 de Junho para o fazer. Pode começar já hoje, indo assistir ao filme “O Lugar do Morto” de António Pedro Vasconcelos. A entrada é gratuita.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 6 de Fevereiro de 2014)