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O Lobo de Wall Street

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Não querendo seguir a lista dos candidatos aos Óscares 2014, a verdade é que não podemos deixar escapar alguns. Desta vez, o filme a merecer a nossa atenção é “O Lobo de Wall Street” (“The Wolf of Wall Street”) do realizador Martin Scorsese.

Em primeiro lugar, e em tom de aviso para os mais sensíveis, pode dizer-se que este é um filme sobre excessos. Drogas, sexo, dinheiro, excentricidade, deboche, vigarice, são alguns dos ingredientes principais desta narrativa alucinante. Algo que, por sinal, já nos habituámos a ter presente nos filmes de Martin Scorsese, talvez um dos melhores contadores deste tipo de histórias no cinema.

Baseado na autobiografia de Jordan Belfort, este é um filme sobre a vida de um corrector de bolsa americano, nos anos 80, que veio a tornar-se um ladrão de colarinho branco. Jordan Belfort (interpretado por Leonardo DiCaprio) é um jovem inocente (q.b) e com talento que chega a Manhattan para trabalhar na Wall Street. Acaba por ser despedido logo após o crash de 1987, na famosa segunda-feira negra (19 de Outubro) e rapidamente encontra novo emprego numa empresa de acções de baixo custo, onde se deu bem. Com os truques e as estratégias adquiridas, Belfort reúne alguns amigos e cria a Stratton Oakmont, que se tornou numa das correctoras mais famosas do mercado secundário dos Estados Unidos.

Muitos milhões foram ganhos e roubados, à custa de uma estratégia de venda encenada, estudada e cumprida (parece às vezes que entramos num culto) e muitos milhões despendidos nos mais diversos descontroles. Entretanto, a correctora de Belfort começa a ser investigada pelo F.B.I. e já se supõe o que aconteceu.

Torna-se difícil aqui enveredar pelo caminho da descrição das festas, dos negócios, dos episódios, do poder, dos pormenores, dos diálogos, de toda a surrealidade a que se assiste. E ao contrário de outros filmes do realizador, em que o tom é dramático, em O Lobo de Wall Street o tom é de comédia. Sim, damos diversas e sinceras gargalhadas ao longo das quase três horas de filme.

Como se imagina, pelas muitas histórias de excessos que conhecemos, esta é mais uma que acaba também por revelar o vício, a ganância, o desespero, a perda de controlo. E apesar da admirável graça que Scorsese lhe dá, não deixamos de pensar seriamente sobre todo este universo de acção. É bom quando se encontra esta fórmula no cinema.

Trata-se duma história sobre corrupção e falta de ética, contada sob a voz do protagonista que fala para a câmara, directamente com o espectador, quase como se estivesse a seduzir-nos também, os seus clientes.

Para quem não viu e quer sossegar a imaginação, o melhor mesmo é ver.

Título: The Wolf of Wall Street
Realizador: Martin Scorsese
Actores: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie
Ano: 2013

Texto de Carina Correia

(Publicado a 23 de Janeiro de 2014)