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O fabricante de dúvidas

BPI_2417Chama-se José Fernando Lobo Duarte, mas toda a gente o conhece por Lobo. Já foi tratador de cavalos, babysitter, funcionário de uma biblioteca e de uma Junta de Freguesia. Natural de Lisboa,  morou em Coimbra, na Serra da Lousã, na Serra do Caldeirão, em Itália e na Ilha do Sal, em Cabo Verde. Agora está por Montemor-o-Velho, tem 52 anos e vive da arte.

Lobo tem tido uma vida cheia. Trabalhou na casa do produtor Paulo Branco, publicou um livro de poesia (já lá vamos), fez teatro, pintou cerâmica e expôs as suas ilustrações de cores vivas nas ruas de Coimbra. São ilustrações em que sobressaem o amarelo, o vermelho e o azul, a fazer lembrar uma das suas influências: Miró.

Na Sicília, Lobo conheceu um arquitecto que o descreveu como “uma criança com uma estrutura adulta”. “Ele achava o meu trabalho muito adulto, mas, ao mesmo tempo, muito investido de inocência”, recorda. Pintores como Gauguin ou Chagall também são referências, mas crê que tem vindo a personalizar cada vez mais o seu trabalho, influenciado também pelo que lê, vê e ouve.

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“Considero-me um fabricante de dúvidas. Tenho sempre muitas. Não há trabalhos acabados. Há trabalhos que podem suscitar sempre procura, tanto de quem os faz como de quem os olha. Mas consegui uma certa solidez”, conta.

Poesia e ilustração em livro

Em 2007, Lobo publicou um livro chamado “No chão das palavras”, com chancela da editora Quasi, entretanto extinta, em que combinava poesia e ilustração. Surgiu durante uma viagem que fez pela Andaluzia, de Córdoba a Granada.

“Eu levava um livro pequeno onde costumava escrever poemas. E, muitas vezes, a escrita servia de ignição para o desenho. Quando voltei de Granada, comprei um Moleskine e comecei a desenhar à medida que escrevia. Digitalizei-o, mandei-o para a Quasi e disseram-me para fazer uma capa”, revela.

É difícil dizer quando é que começou a desenhar, até porque assume não ter “uma memória muito cronológica das coisas”. Foi com a escrita que primeiro teve uma ligação forte. Eugénio de Andrade marcou-lhe a adolescência. Seguiram-se Ruy Belo, Hermann Hesse, Jack Kerouac.

Viajar para renascer

Lobo viajou muito, na expectativa de renascer. “As coisas que, para os outros, são muito repetidas, para ti, são novas. Talvez isso me tenha ajudado em termos de inspiração. No mesmo sítio, acabas por ficar estagnado”, explica.

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Gostava de ter estudado História de Arte, uma vez concluído o 12.º ano, mas acabou por não o fazer. “Eu era como as crianças: num dia queria ser bombeiro, no outro dia, polícia. Também gostava de Serviço Social e Psicologia”.

Nos anos 90, fez o curso do Círculo de Inicação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC). Pisou palcos e tem colaborado com a companhia profissional de teatro e música Encerrado para Obras, sobretudo como assistente de encenação.

Para conhecer melhor o trabalho de Lobo, pode aceder à sua página no Facebook Lobo da arte, ou ao blog Luz da montanha.

Texto de Carina Fonseca
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 25 de Julho de 2013)