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Moda (à) portuguesa

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Ora viva (!) é uma expressão simpática e bem portuguesa. Liliana Farelo e Sofia Pinto concordam e criaram, há quase um ano, o Ora Viva, atelier criativo. Este atelier, caracteriza-se pela criação, produção e venda de acessórios de moda (pendentes, brincos, anéis, pulseiras, botões de punho), baseados em padrões e, especialmente, em padrões tradicionais.

Como tantas outras ideias, esta nasceu sem aviso prévio. Enquanto passeavam na Baixa da cidade, onde ambas trabalham, Liliana e Sofia sentiram sintonia. “Andávamos a passear e a ver lojas na Baixa, numa hora de almoço. Sentimos inspiração e pensámos porque não fazer alguma coisa do género?”. A ideia tornou-se ainda mais aliciante quando perceberam que vinha preencher algo que lhes faltava. “Precisávamos de alguma coisa para nos distrairmos além do trabalho. Ambas nos queixávamos de chegar a casa e não termos nada para fazer. E isto é uma coisa que nos sabe mesmo bem”, contou Sofia.

Estas amigas, não de longa data, passaram ao concreto e nasceu o Ora Viva. O nome apareceu “numa conversa de café. Queríamos um nome que desse para interagir com as pessoas e que fosse português. Não havia lógica ser um nome inglês se tudo é baseado em cultura portuguesa. Entre brincadeiras, trocadilhos e provérbios, lembrámo-nos deste. Pode ser o início de uma frase, de uma conversa e até de um email. Dá para a interacção”, explicam bem explicado.

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Brincos, pendentes de vários tamanhos, anéis, botões de punho e mais recentemente pulseiras, são os produtos que a marca Ora Viva disponibiliza. Sendo tudo feito por ambas, desde a parte criativa à parte artesanal, podemos encontrar nestes acessórios os mais diversos padrões tipicamente portugueses, como sejam os azulejos, a calçada portuguesa e os lenços de Viana, entre outros.

Os materiais utilizados na confecção parecem básicos, mas a dificuldade está em trabalhar com eles. Primeiro, existem as peças base, que “encomendamos quase todas da internet”. De seguida, usam a fotografia (ou desenho) e a resina. “Imprimimos sempre a imagem em papel fotográfico, para ficar com qualidade e com um aspecto vidrado e brilhante. Muitas pessoas dizem que certas peças acabam por ficar baças e nós queremos o contrário”. A importância da fotografia acaba por não se prender só com o brilho, mas também à ideia de real. “Por exemplo, nós vemos os vectores de azulejo e isso transmite um ar irreal. Ao fotografar o próprio azulejo, fica a notar-se o risco da divisão de um azulejo para o outro, que dá um ar real e mais bonito”, diz Liliana. Quanto à resina, perguntámos com curiosidade, esta é trabalhada de forma a finalizar o processo. Apesar de ter uma parte secreta, pois “foi um passo que demorou muito a aprender e a acertar com a fórmula”, Liliana e Sofia adiantam que “basicamente é resina industrial, composta por resina e pelo catalisador, que tem de ser trabalhada em cinco minutos e com uma temperatura ambiente controlada”. Com uma gargalhada sincera contam-nos que “estragámos muitas peças no início”.

Apesar de gostarem especialmente de trabalhar com os padrões portugueses, as duas artesãs criam colecções específicas, imaginadas por elas ou encomendadas por outrem. Um dos exemplos é a colecção par e ímpar, pares de brincos em que um tem a imagem de um padrão e o outro tem uma única cor. Outro exemplo é a colecção que foi criada para ajudar uma associação de animais, em que as peças têm animais desenhados e em que uma percentagem do valor revertia para a associação. Para além de tudo isto, aceitam encomendas de peças personalizadas, com um padrão ou uma fotografia específicos. “Há pouco tempo fizemos um pendente para um fio a partir de uma fotografia antiga”.

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Em jeito de antecipação revelam-nos que vem a caminho mais uma colecção. Desta vez dedicada à guitarra portuguesa e encomendada pela loja A de Amor (na Baixa da cidade e no Quebra Costas) onde têm as suas peças à venda. Podem encontrar-se também na Mercearia de Arte e na loja Pó de Floo. Em Lisboa as peças Ora Viva estão na loja Lisboa Amor. De quatro paredes para o ar livre, as feiras são eventos onde gostam também de estar presentes. “Gostamos muito das feiras de Verão, principalmente as mais específicas e pequeninas em que existem menos artesãos e as pessoas não se perdem tanto”, dizem com sinceridade. “E os turistas gostam muito das nossas peças”, acrescentam.

A trabalhar em conjunto ou dividindo as tarefas, a verdade é que a busca de padrões inspiradores não pára. “Para o nosso trabalho usamos o dia-a-dia e quando vemos um padrão de que gostamos, fotografamos logo. Andamos também pelas ruas, pelas igrejas, à procura de material”.

Seja para uso próprio ou para oferta, quando adquirimos um destes acessórios, adquirimos também a sua exclusividade. “As nossas peças são únicas, não existe repetição. Se alguém nos encomendar uma peça repetida, temos o cuidado de perguntar a quem já a possui se pode ser”. Gostam ainda de sublinhar que os materiais que utilizam são todos “de primeira qualidade e anti-alérgicos. Nunca ninguém reclamou de nada”.

Segundo Liliana e Sofia, o conceito Ora Viva “é aliar o tradicional ao moderno. E além de ser feito manualmente, ainda tem a finalidade de ser um objecto único”. Os preços variam entre os 3€ e os 16€ e as encomendas podem ser feitas pelo seu facebook. Isto para quem não se quiser deslocar a uma das lojas revendedoras.

No fim da nossa conversa, fizeram questão de deixar uma mensagem para os nossos leitores: “passeiem mais vezes pela Baixa, é tão bonita. Se quem cá vem acha Coimbra tão linda, porque é que nós não havemos de achar?”.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 7 de Novembro de 2013)