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A caminho da ilustração

BPI_9303 Ana Fróis, arquitecta em pausa forçada, dedica-se actualmente à ilustração. Esta semana abriu-nos a porta de sua casa e nós, claro, entrámos e fomos espreitar os seus trabalhos. Desenhos de rostos, de árvores, de casas, de livros, coloridos ou a preto e branco, compunham a mesa de trabalho. A troca de ideias não demorou a surgir.

Ana sempre gostou de desenhar. Prazer que canalizou durante largos anos à arquitectura mas que agora, por motivos que todos nós imaginamos, não executa. “Como deixei de trabalhar, comecei a desenhar mais. Não directamente para resolver esse problema, mas porque fiquei efectivamente com mais tempo livre”, confessou abertamente.

Certo é que o entusiasmo se implantou e até cresceu. “Comecei a desenhar por brincadeira e para me distrair. Fui mostrando os meus desenhos e comecei a animar-me, a fazer cada vez mais e a gastar cada vez mais tempo com isso”. O processo decorreu de forma natural, nada que tenha sido muito pensado ou reflectido, mas afinal “vi que gostava muito do que estava a fazer”.

Apesar de não se considerar uma ilustradora profissional, “até porque não tenho formação na área”, Ana quer tentar seguir essa via: “ainda não faço este trabalho de um modo profissional, mas estou a tentar, estou no começo”. Desenhar para clientes, sejam pessoas individuais ou estruturas colectivas, estando jornais e revistas no seu top de preferências, é o objectivo.

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Todos os seus desenhos são manuais, o computador só é utilizado para os arranjos e composições finais. Papel, lápis, caneta, marcadores e aguarelas compõem a lista dos materiais usados. Sendo a simplicidade das imagens uma das características, parece que os traços escorregam das suas mãos quase sem dar por isso. “Tudo o que desenho é simples e faço-o de forma rápida mal pego no papel. O que demora mais tempo é quando tenho de fazer uma montagem final, aí utilizo o computador”.

Para além de desenhos avulsos, entre os trabalhos realizados pela ilustradora estão calendários, fanzines e pequenos livros. Duas versões para um calendário de 2014, uma fanzine dedicada à chuva ou um livro com as personagens do romance Anna Karenina, de Lev Tolstoi, são alguns dos exemplos. E por falar nisso, Ana admite que uma grande fonte de inspiração é a literatura. “Gosto muito de ler e a literatura é, sem dúvida, algo que me inspira”. Mas não só. Passeios, paisagens ou actos do quotidiano são igualmente retratados.

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As suas ilustrações podem encontrar-se à venda em alguns pontos do país. No Porto, na loja do museu de Serralves e na Ó! Galeria, na livraria Arquivo em Leiria, e em algumas bibliotecas espalhadas pela zona centro: Tábua, Arganil e Miranda do Corvo. Contudo, Ana não se fica pelo território nacional: “tenho o livro da chuva à venda na Dinamarca, na I Do Art Lab”. A plataforma online Etsy (compra e venda de produtos feitos à mão e artigos vintage) também conta com ilustrações suas disponíveis a qualquer cidadão do mundo. “Na Etsy já vendi para a Austrália e para os Estados Unidos”, conta com alguma felicidade.

Quando o público-alvo se tornou o tema da nossa conversa, Ana não hesitou em dizer que é um assunto sobre o qual não pensa. “Não penso em ninguém especificamente quando desenho e não faço ideia de quem compra”. Algo que, para já, lhe permite ter uma liberdade criativa total.

Sem grandes planos delineados, a certeza de Ana é que o salto inicial está dado. “Agora é andar e ver o que acontece”.

Boa caminhada!

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 5 de Dezembro de 2013)