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Casa Costa

BPI_7799 A Casa Costa é o palco do “Comezainas” desta semana, o penúltimo dedicado às bifanas. Restaurante discreto, com muito pouca publicidade à porta, a Casa Costa passa despercebida a muitos dos transeuntes que passam na rua por trás da penitenciária, mas para lá das portas de entrada “à faroeste”, está um dos restaurantes mais “castiços” de Coimbra.

Aberto desde 1930, esta antiga taberna foi transformada em restaurante há 53 anos, mantendo-se na mesma família até aos dias de hoje. A fama dos seus petiscos e pratos de gastronomia regional a preços acessíveis, fazem com que seja difícil arranjar mesa à hora de almoço. A clientela é fiel: militares vindos do quartel ao lado, guardas prisionais da penitenciária em frente, familiares que vêm de visita aos reclusos e estudantes. Todos criam um ambiente único, sendo normal, enquanto se espera pelo pedido, ouvir histórias dos guardas e militares das mesas ao lado. Nas paredes são visíveis as marcas da passagem dos estudantes, as fotos e cartazes denunciam que é palco frequente de jantares de curso. Tivemos sorte no dia que escolhemos, não fomos incomodados por nenhum ébrio “efe-erre- á“.

As duas salas de refeições não são muito grandes, à entrada apenas duas ou três mesas junto ao balcão onde estão expostos os petiscos, mais ao fundo uma sala maior que pode receber pequenos grupos, onde nos sentámos. Não é o sítio indicado para uma reunião de negócios ou para levar a namorada, ali as conversas são para partilhar com toda a sala, o espirito é de convívio e fomos logo olhados com curiosidade assim que começamos a montar o mini-estúdio fotográfico. Para abrir as hostilidades pedimos uns pastéis de bacalhau que nos tinham ficado debaixo de olho quando passámos pelo balcão e foram eles os anfitriões até à chegada da nossa iguaria.

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Na bifana da Casa Costa a primeira coisa que salta à vista é a quantidade de carne, imensa, quase não se consegue fechar o pão. É sem dúvida a bifana que experimentámos que mais carne tem. Será por terem um quartel cheio de jovens militares em fuga da pescada com todos servida no refeitório e que ali tiram a barriga de misérias de proteínas? Poderá ser uma explicação…

A carne é bem temperada, com o alho bem presente, tenra mas com umas gordurinhas que deveriam ser aparadas. A mostarda Dona Sarah é um condimento digno mas sem deslumbrar, o pão está na linha do que temos provado anteriormente e apesar do dono da casa nos ter pedido desculpa por não ter pão da Mealhada, pessoalmente prefiro assim, o tradicional papo-seco nunca compromete.

Resumindo, por 1,70 euros esta é a bifana com mais carne que provámos. Pessoalmente prefiro um pouco menos, prefiro comer duas do que apenas uma com uma relação carne/pão desequilibrada. É no entanto, em conjunto com uma sopa, uma refeição completa que, segundo o dono, é muito popular.

A Casa Costa é um local de visita obrigatória, pelo ambiente, pela história e simpatia do pessoal, mas o que me vai fazer lá voltar em breve é a carne de porco à alentejana, prato do dia na terça-feira, e que me deixou a salivar.

Texto de Bruno Raposo
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 21 de Novembro de 2013)