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Vai um gin?

BPI_7090 O artigo que se segue pode conter linguagem susceptível de ferir a sensibilidade dos leitores mais próximos do prazer de beber um gin. Principalmente se a hora a que o lerem não for a mais indicada para largar o computador e ir beber um. Tudo o resto são boas notícias.

O gin está na moda, não temos dúvidas disso. Mas veio para ficar? Foi esta e outras questões à volta do gin que quisemos explorar com Ivan Costa, proprietário do bar Feito Conceito, que irá realizar no próximo sábado, dia 23 de Novembro, um workshop intitulado “Encontro com o gin tónico”.

Ivan começou por nos explicar que sempre gostou de beber gin e que ao reabrir o bar com a sua gerência, decidiu que seria um boa bebida para apostar. Começou por apresentar quatro marcas e, com a ajuda dos próprios clientes, hoje trabalha com catorze gins diferentes. “Os clientes puxaram muito por nós, porque começaram a pedir outras marcas de qualidade para além das que tínhamos e isso veio originar tudo o resto”, conta-nos com ar de orgulho pelos seus clientes.

Além do investimento que faz na qualidade dos gins, Ivan não descura o valor da água tónica. “Trabalho com diferentes marcas de água tónica, pois é muito importante que o gin contenha uma boa água tónica e a mais adequada às suas características”.

As receitas de gin são as mais variadas possível. Lá vai o tempo em que a clássica mistura da água tónica e da rodela de limão era das poucas opções para os amantes da bebida. “Hoje a informação sobre esta bebida é imensa, existem quase manuais acerca do assunto”, informa Ivan. Não se considerando um expert na matéria, a verdade é que este barman está sempre em aprendizagem. “Vou lendo, pesquisando e percebendo muitas coisas novas. Depois experimento”.

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No Feito Conceito há espaço para o inédito. “Nós temos as nossas próprias receitas de gin. Quando experimentamos um gin vemos se é doce, se é ácido, se é mais picante. E a partir daí pensamos em botânicos que possam ser introduzidos”. O que são os botânicos? Pergunta quem não faz a mínima ideia. “Os botânicos são os acompanhamentos para o gin. Vão desde fruta a especiarias”. Ivan conta-nos que muitas pessoas acham que o simples gin com água tónica tem um sabor muito amargo e ao utilizar os botânicos, isso deixa de acontecer.

Laranja e limão, em rodela ou em zeste (raspa), pepino, pimenta-rosa, zimbro (a baga que dá origem ao gin), alecrim, amora, mirtilo, framboesa, chocolate, louro, tomilho ou hortelã, são alguns dos botânicos que podemos encontrar num copo de gin ao balcão deste bar. Ora vejamos. “O Nordés e o G’Vine são gins que normalmente são servidos com uva, porque puxa muito mais o sabor do gin. O G’Vine é um gin que sabe a cardamomo, uma especiaria usada também noutros gins e que lhe dá um sabor especial. No Nordés introduzimos o louro, pois achamos que combina muito bem. Fazemos um Bulldog com zeste de laranja e chocolate negro. No fim de beber, comem-se as pepitas de chocolate que têm o sabor orgânico do gin. É muito bom”.

Apesar desta pequena aula sobre a arte de fazer um gin, muita coisa fica por dizer. “O gin é uma escola. Tudo tem de ser introduzido na dose certa e com a máxima atenção”. Há um outro aspecto importante e que provavelmente nem pensamos nele quando estamos a degustar, ou a ver degustar, um belo gin. “O gelo é essencial. Antes de tudo, o copo deve estar bem gelado. Gelamos o copo rodando os cubos de gelo dentro dele e depois deitamos esse gelo fora e colocamos novos cubos que devem ser minimamente grandes”, explica Ivan como se fosse o nosso professor.

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O Feito Conceito não é um bar de gin. Mas a revista Sábado e a revista Visão já o consideraram assim.  “Outros bares da cidade servem gin, não somos únicos. Julgo que a diferença está na selecção das marcas e no carinho com que fazemos a bebida. Pode parecer um lugar-comum, mas a verdade é que cada gin é feito como se fosse o primeiro e único a fazer naquele dia ou naquela noite”.

A Preguiça confessa que um dos tópicos que pretendia desmistificar quando entrou no Feito Conceito para falar sobre gins, era a questão dos copos em que agora a bebida é servida. Porquê estes copos largos e pesados? Podem ser bonitos, mas são práticos? “Antes o gin era diferente e o copo alto (chamado copo tubo) era suficiente. Agora não. Um copo largo vai abrir muito mais o sabor do gin, vai abrir muito mais a bolha da água e todos os sabores e aromas dos botânicos se libertam mais. Aliás, hoje em dia muitas bebidas estão a beber-se em copos diferentes. Os cocktails, por exemplo, começam a ser servidos em copo flute”. Ivan acrescenta que “de facto a questão dos gins e dos copos é uma moda, mas que acaba por ter uma razão de ser”. Está explicado!

Inserido no 7º aniversário do Feito Conceito, o workshop do próximo dia 23 será dado pela empresa ‘Paixão do Gin’. “O workshop irá abordar vários temas, estando estruturado em quatro fases em que uma delas é  a degustação”. Para quem se quiser inscrever, ainda vai a tempo. O preço é de 35€ e realiza-se entre as 17h00 e as 20h00.

Após termos a entrevista feita e a sessão fotográfica concluída, Ivan preparou-nos dois gins. Um Bulldog com hortelã, amora e framboesa e um Nordés com tamarilho. Provámos e afirmamos que esta moda é deliciosa.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 21 de Novembro de 2013)