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Reis Torgal

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O historiador e professor universitário jubilado Reis Torgal, aproveitou uma destas tardes de sol sem compromissos e foi dar um passeio até ao Largo da Portagem. A Preguiça encontrou-o e não o deixou escapar. Considera-se um cinéfilo e gosta de comer nas antigas tavernas.

Gosto de Coimbra porque…
Foi nesta terra que nasci e onde vivi há mais anos. E continuo a viver. Além disso, gosto de Coimbra, porque, por mais que os poderes façam para destruir a sua beleza, não conseguem. Ela brota da sua própria natureza.

Figura mais emblemática da cidade:
No passado Antero de Quental (que não era de Coimbra e sim dos Açores) ou Miguel Torga (que era transmontano); no presente, porque não António Arnaut, que instituiu o Serviço Nacional de Saúde, continuando, como verdadeiro político (cidadão), a dar um exemplo de integridade?

Em Coimbra, irrita-me…
Dizer mal da Universidade (no sentido de que a cidade não se desenvolveu devido à sua existência), porque sem ela Coimbra seria outra coisa e não Coimbra. Mas eu também digo mal… Sim, mas com o sentido crítico de quem ama a Universidade. E a consciência crítica é algo que nunca devemos perder. É uma prova de responsabilidade e de amor…, a nós próprios, aos outros, às instituições e ao país.

Sítio preferido:
A “alta” e a “baixa”, apesar de a sua vida se ir ali perdendo.

Melhor esplanada:
A do Café Santa Cruz, embora poucos vezes lá possa ir; como coisa nova, a da Sereia, que é das melhores obras sociais desse tipo que foram feitas na cidade, e as do parque verde do Mondego, ainda que o serviço por lá me pareça mau.

Melhor sítio para comer:
As “tascas” ou as antigas tavernas (como o meu amigo Paulino Tavares faz questão que lhes chamem). Porque não o “Zé Manel” e o “Zé Neto”, onde ia o meu amigo Doutor Miguel Baptista Pereira e onde sempre confraternizámos e filosofámos, e continuamos a fazê-lo, com a sua memória? Sim, porque isto de espaço de comer, na minha idade, tem de ser também um lugar de tertúlia.

Melhor sítio para beber copos:
Não gosto de “beber copos”, mas sim beber um bom vinho tinto com qualquer coisa de bom. Confesso que não sei onde encontrar isso em Coimbra.

O que faz no dia do cortejo da Queima das Fitas?
Não faço nada, pois já há muito que não vou lá. Os estudantes poucas razões têm para festejar, pelo menos no sentido que dão à festa, pois a festa pode ser também um acto de revolta, na boa tradição coimbrã. O que é feito da consciência política dos nossos estudantes?

Onde costuma estacionar quando vai à Baixa? Dá moeda ao arrumador?
Dou uma moeda desde que me pareça que a moeda é bem empregue. Mas estaciono mais nos parques de estacionamento. A propósito de parques, o que é feito da Ecovia, que foi uma das melhores ideias da administração municipal do PS? Talvez o Manuel Machado agora a recupere.

Onde é que não leva um amigo de visita à cidade?
Aos centros comerciais.

Se pudesse demolir alguma coisa em Coimbra, o que seria?
O edifício do Arnado. Mas já que é difícil, gostava que ao menos aproveitassem o último andar para fazer um miradouro sobre a cidade, e talvez um restaurante, como sucede em tantos casos semelhantes no mundo. Por exemplo, na também horrível torre de Montparnasse, em Paris.

Um espaço desaproveitado:
Toda a zona do alto de Santa Clara, de onde desapareceram os restaurantes da minha juventude, sobretudo o Retiro Real das Canas. Mas também todo o espaço do Metro, que nunca chegou a vir, o que é uma vergonha para a cidade e uma vergonha nacional. E quem diz isto não foi adepto do Metro, quando se iniciou há muitos anos a sua gestão.

Melhor concerto/espetáculo/exposição/outro que viu:
Vou a algumas (bastantes) ofertas culturais, mas não devo escolher nenhuma em particular. Falando da última, gostei de ver algumas sessões da “Festa do Cinema Francês”, que frequento com regularidade todos os anos. Mas devo falar particularmente dos grupos de teatro, que têm um papel fundamental na cultura da cidade e muitas vezes são esquecidos.

Último museu que visitou:
O Museu Machado de Castro, que (ao contrário do Guggenheim, de Nova York, pois não conheço o de Bilbau) tem um recheio notável, mas uma arquitectura muito discutível. Mas não posso falar de museus sem referir o de Santa Clara a Velha. Orgulho-me, como conimbricense e como português, do notável trabalho que ali foi feito

Para relaxar/estar sozinho, vou/faço…
Vou ao cinema porque sou culturalmente, e sobretudo, um cinéfilo. Mas que pena estarmos sujeitos quase só à programação comercial dos “shoppings”! A tentativa de o “Gil Vicente” trazer “outro cinema” às 2.ªs feiras  é digna de todo o mérito, mas o “Gil Vicente” não é, fundamentalmente, uma sala de cinema.

Para me informar sobre o que acontece em Coimbra…
O Diário de Coimbra, claro, apesar de nele não haver (o que é lamentável) uma crítica de cinema ou, mais amplamente, uma crítica cultural.

Estou a responder a este inquérito…
Em Coimbra, quando estou a tentar recomeçar a trabalhar (um professor aposentado continua a trabalhar, embora este Governo, sem cultura política e social, só queira destruir a vida dos aposentados, como dos funcionários públicos e de outros sectores sociais e profissionais, de homens e de mulheres, de jovens e de velhos), depois de muitos meses entregue ao trabalho e às ralações que provoca uma mudança de casa, sobretudo quando há livros a preservar e se ganha cada vez menos.

Questionário feito por Carina Correia

(Publicado a 14 de Novembro de 2013)