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Vamos à rua?

  BPI_4599Tem um animal de estimação e precisa de alguém que ajude a tratar dele? O seu cão não pára de ladrar e os seus nervos estão em franja? O Coimbra Petsitting existe para resolver todos esses problemas. A Preguiça falou com Inês Ramalho e Diogo Nogueira sobre este projecto e ainda demos um passeio com uns belos cães.

O Coimbra Petsitting existe desde Julho e enquadra-se num simples conceito: criar uma relação de confiança com o cliente, o dono do animal, e com o próprio animal. Apesar de trabalharem com todo o tipo de animais domésticos, são os cães e os gatos que, para já, têm a sua dedicada atenção.

Desde sempre apaixonados por animais e com a certeza que queriam fazer algo com esta paixão, Inês e Diogo começaram por equacionar fazer criação a partir da cadela de ambos. “A ideia dos animais esteve sempre presente. Pensámos em fazer criação, o que seria muito bonito e talvez um bom negócio, mas depois pensámos no bem da cadela e em todas as contrapartidas”, conta Diogo aliviado por não ter seguido esse caminho. “A ideia de fazer criação passou porque percebemos também que o que gostamos mesmo é de estar com os animais e de sentir que eles nos dão algo em troca. É um desafio gratificante”, revela Inês, sentimental. Foi então no Verão que tudo se materializou. “No Verão tratei de um São Bernardo, o bichinho instalou-se e nunca mais parei. Tentei logo arranjar mais clientes”, diz Inês. “Criamos a página do facebook, tratámos da divulgação e aos poucos vamos crescendo”.

Os serviços prestados pelo Coimbra Petsitting são vários e preenchem as diversas necessidades que os donos dos animais enfrentam no seu dia-a-dia e não conseguem cumprir sozinhos. Alimentação (podendo incluir a própria confecção da comida), escovagem, banho, limpeza, brincadeiras, são algumas das actividades no menu. Para além disso, existe ainda o serviço de ida ao veterinário, serviço nocturno, treino básico para cães e dog-walking (passeio de cães). Estes últimos os que mais realizam.

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A primeira visita que fazem para conhecer o potencial cliente é sempre gratuita. “Nessa visita, avaliamos o dono, avaliamos o animal e avaliamos sobretudo como eles são em conjunto”, refere Inês. O que os distingue dos outros serviços existentes é, segundo os próprios, a relação de confiança que estabelecem com o dono e consequentemente, com o próprio animal. “Vamos a casa do cliente e temos uma relação directa com ele e com o animal. E nunca tiramos o animal do seu meio ambiente. Vamos passear no sítio onde ele passeia e fazemos tudo no sítio onde está habituado. Assim torna-se mais fácil para o dono dar as ordens e fazer aquilo que realmente quer do seu animal de estimação”, explica Diogo. De facto, esta é uma parte que ambos consideram muito importante: perceber os objectivos que o dono tem para o animal e trabalhar a partir daí. “O que interessa é o que cada pessoa quer fazer do seu cão e não interessa o que as restantes pessoas fazem. Damos total liberdade ao dono para escolher as rotinas que quer que o seu animal tenha, embora também tenhamos total liberdade para o alertar do que considerarmos preocupante”.

Não tendo formação específica na área, Inês e Diogo têm uma grande experiência com cães, o que lhes permite, de forma quase intuitiva, fazer o treino básico. “O treino que damos é um treino que toda a gente pode fazer, basta seguir simples regras. A experiência é muito importante, mas só com o conhecimento do animal em causa é possível”.

Se para a maioria dos comuns mortais passear um cão é coisa fácil, então a maioria dos comuns mortais está enganada. “O passeio é essencial para o cão gastar a sua energia e deve ser estruturado. Como vai gastar a sua energia e libertar a frustração que tem por estar fechado em casa, temos de saber dizer-lhe que não nos pode passar à frente, não pode saltar para cima de nós e nem nos pode puxar”. Cada cão tem uma energia diferente para gastar, mas pelo menos uma vez por dia o passeio deve acontecer. É que além de tudo, “o passeio faz com que o animal se sinta cansado quando chega a casa e logo, mais submisso e pronto a acatar as ordens”, explicam-nos.

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Uma das regras essenciais que Inês e Diogo tentam transmitir aos animais é o respeito. “Muitas vezes vemos os cães como filhos, então tem de existir respeito mútuo. É sempre muito complicado incutir o respeito e os valores aos nossos cães, mas é muito importante. Eles têm de entender quem é o seu líder. Caso contrário, ficam completamente confusos e frustrados por não terem ninguém que lhes dê uma ordem, lhes mostre um limite e como devem estar”. E parece que não são só os animais que sofrem com essa falta de orientação. “Os donos por vezes também se sentem frustrados com o comportamento do cão. E não podem! O cão só quer uma reacção nossa e não sabe avaliar se é boa ou má”.

Socialização é uma noção que gostam de referir e transpor para os animais. “É importante os animais estarem com outros animais e também com as pessoas. Por exemplo, acompanho um cão que antes não gostava de crianças e levando-o ao Parque Verde a ouvir o som das crianças a brincar, acabou por perder esse receio”, diz Inês com os olhos a brilhar.

O foco que estes “treinadores” direccionam para o animal é bem intenso. “Gostamos muito de mostrar que o cão é capaz. A maioria das vezes somos nós e os donos quem se esforça mais, mas é compensador. Pode não ser um cão perfeito, mas fica a fazer parte da família e sem problemas ou vergonha de o levar à rua”.

Aproveitámos esta conversa para desmistificar algumas questões ou simplesmente obter a informação correcta. Quantas vezes deve um cão comer por dia? “Depende do cão, do peso e da raça. Se for cachorro três vezes e adulto duas. Mas essa especificação tem de ser dada por um veterinário”. A gratificação por bom comportamento através de um biscoito está correcta? “Não. A gratificação deve ser dada com miminhos e festas. O biscoito pode ser dado mas sem esse carácter. Além do mais, é preciso ter cuidado pois é uma guloseima. Pode engordar e fazer mal à saúde do animal”. Existem raças perigosas ou a culpa é dos donos? “Existem raças tendencialmente mais perigosas mas há sempre maneira de evitar. O cão torna-se agressivo porque não se mexe, ou porque sofreu maus tratos ou ainda por uma razão neurológica”. O açaime é um objecto bom? “O açaime é cinco estrelas se for bem aplicado. Serve para manter a calma e portanto, depende do cão”.

Faça chuva ou faça sol, seja dia da semana ou fim-de-semana, esteja de férias ou a trabalhar, o Coimbra Petsitting é uma alternativa para quem quer o melhor para os seus animais. Ou até uma pitada de coragem para quem sempre quis ter um animal mas acha que não consegue. Sendo cada orçamento personalizado, os preços deste serviço variam entre os 5€ e os 8€.

Afinal de contas, os animais são nossos amigos.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 7 de Novembro de 2013)