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Imaginar com arte

BPI_3567Novas dinâmicas comerciais têm surgido neste tempo de crise. Uma delas é o conceito de loja cooperativa que, apesar de já não ser totalmente novo, tem ainda muito território para ser explorado. Numa loja cooperativa existem produtos de diferentes autores (artistas plásticos, estilistas, artesãos ou outros) que associando-se num mesmo espaço, conseguem trazer benefícios para si próprios bem como para os consumidores. A Preguiça foi a uma dessas lojas existentes em Coimbra, a imaginart, falou com a sua proprietária e responsável, Carolina Mota.

Na nossa conversa, Carolina começou por explicar que “a imaginart é um espaço que já tenho há 15 anos. Por diversas razões, este espaço passou por fases em que foi usado e outras em que não. Nos últimos tempos estava fechado e, devido ao momento de desânimo que o país atravessa, decidi contactar com outras pessoas que conheço bem e vermos de que maneira podíamos fazer daqui algo interessante“. E a palavra interessante define-se logo pelo facto “de não estarmos dependentes doutros espaços comerciais, em que as peças são colocadas à consignação ou em que as percentagens cobradas são muito elevadas. Aqui, cada uma das pessoas faz a venda dos seus produtos e é responsável pela parte comercial e administrativa dessa venda”.

Juntaram-se assim quatro amigas e com elas, quatro marcas, embora com diferentes representações: Tussie Mussie, KEROcom, Rochas e Cristas e Ar de Graça.

Tussie Mussie é a marca de Carolina Mota. Abrange três tipos de artigos: perfumes, joalheria e acessórios de moda. Todos os produtos são criados pela própria, nomeadamente os perfumes, aptidão qua guarda da sua formação em farmácia e carreira como ex-investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. “A Tussie Mussie está ligada à eco-joalheria, aos acessórios de moda e aos perfumes que desenvolvo a partir de plantas aromáticas de agricultura biológica, cultivadas exclusivamente em Portugal”. Os perfumes que cria, garante, “não têm corantes, não têm conservantes, nem qualquer tipo de químico associado. Respeito as concentrações para poderem ser usados na pele, embora não os esteja a desenvolver como cosméticos”. Carolina pretende recuar um pouco ao tempo em que os perfumes se utilizavam “para perfumar a roupa, para colocar no travesseiro, para criar bem-estar e relaxar. Ao mesmo tempo, servem para proteger os diferentes tecidos (sem criar manchas) das diversas agressões.

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KEROcom é a marca de Paula Soares. Nela se espelham produtos de cerâmica, eco-design e puericultura. “A KEROcom tem várias áreas. Devido à minha formação como artista plástica, nunca me consegui fixar numa só área, é natural querer experimentar diferentes matérias”. As peças de cerâmica presentes nesta loja são talvez das últimas por hora, porque Paula decidiu (por razões pessoais) deixar esta arte em particular. Então, fundamentalmente “a KEROcom está ligada à recuperação de materiais, ao eco-design, em especial à recuperação de papel”. Tendo começado pela banda desenhada, Paula reutiliza principalmente revistas e jornais. “Tendo por base a ideia de um acessório como uma mala, um estojo, um porta-moedas, ou outro, faço essa combinação entre o papel e outros materiais. Trabalhos diversos materiais, mas o papel está sempre presente, até porque fiz muita formação e pesquisa nessa área”. Por fim, existe a puericultura. “A pedido de uma pessoa, fiz uma brincadeira para uma criança e essa brincadeira acabou por levar a uma série de produtos”. Nestas peças não existe a reutilização de materiais, pois o público-alvo é sensível e não permite nada que não seja o algodão.

Rochas e Cristais é a marca de Alda Baltar, uma jovem técnica de saúde que cria objectos de bijuteria e faz peças em tricot, muitas delas utilizando também o metal ou a prata. “A Rochas e Cristais surge pelo gosto de acessórios únicos, criando detalhes que complementam a imagem de cada um”. Após um interregno de alguns anos, renova assim o seu projecto passando a combinar diferentes materiais e a recriar acessórios dando-lhes uma nova imagem. Este ano, lançou já três colecções: ‘complementos’, ‘sol de Inverno’ e ‘movimento’. Esta marca tem uma parceria directa com a Tussie Mussie no sentido de perfumar as peças da coleção ‘movimento’.

Por fim, Ar de Graça, uma marca de Graça Costa, ex-engenheira informática. Estes são produtos feitos a partir do feltro, seja bijuteria, chapéus, roupa, tapeçaria e escultura. A sua criadora explicou em que consiste o processo. “A feltragem pode ser obtida através de vários métodos e só é possivel porque a lã pura possui pequenas películas que quando atritadas entre si (através de agulha, com as mãos ou água quente) se condensam formando uma superfície densa. Ficam tão aglomeradas que podem dar origem  a um tecido espesso, o feltro”.

A imaginart é então o ponto de encontro destes diferentes produtos e não pretende ficar por aqui. “Para além deste espaço físico, existirá uma loja online, onde cada uma de nós apresentará os seus trabalhos e onde poderão ser vendidos”.

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Outra vertente que pretendem explorar é a realização de ateliers e workshops. “Vamos desenvolver workshops criados por nós ou então algo que as pessoas procurem. Por exemplo, agora no Natal podemos ajudar a elaborar uma ideia, um trabalho, dentro daquilo que podemos fazer e que as pessoas também possam fazer. Cada uma de nós está disponível para ajudar”. As áreas que serão desenvolvidas são o “tricotart, as jóias cruzadas e o ecodesign, tendo por base a utilização e recuperação de diversos materiais.

Carolina nunca esquece que um dos grandes objectivos desta loja cooperativa passa por ajudar as pessoas a reutilizarem o que já não usam. “Estamos interessadas em captar as pessoas que estão tão preocupadas quanto nós com a passagem complicada que estamos a viver. Queremos que as pessoas não desanimem e que pensem que podem sempre recuperar o que têm lá em casa. Podemos dar aos objectos velhos outra dignidade”, explica.

Reinaugurada no passado dia 19 de Outubro, a imaginart pretende agora fixar raízes. E deixam um convite a todos: “venham visitar-nos, porque visitar não significa comprar. Começam por tomar um chá connosco, conhecer o nosso projecto e partilhar o vosso desejo. A partilha é muito importante para nós. A vida é uma arte. E na imaginart queremos ajudar as pessoas a criar, a imaginar e a recriar”.

imaginart, loja cooperativa
Rua Feliciano Castilhos, lote 4, loja 1
Horário: segunda a sábado, das 14h00 às 19h30

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 31 de Outubro de 2013)

1 comment

  • Acredito muito neste conceito de novas parcerias. Cada vez mais me certifico que unir forças é uma alternativa inteligente de sobreviver e vencer. Moro em São Paulo, Brasil, sou ceramista e vejo neste tipo de união a solução para mostrar um bom trabalho sem o peso da grande despesa que manter as portas abertas de um empreendimento próprio. Parabéns pela iniciativa e sucesso.

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