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Borges

BPI_2926A “comezaina” desta semana foi na Cervejaria Borges, na Avenida Doutor Marnoco Sousa, ali junto ao Jardim Botânico a subir para o Penedo da Saudade. Lugar simpático, de decoração típica, ostenta orgulhosamente um letreiro à porta com as suas origens: “Antiga Leitaria do Castelo” é a inscrição que podemos ler à entrada. Não conheci a antiga leitaria, mas o dono, o senhor Luís, contou-nos que “servia sandes de presunto”. Pareceu-me bem, embora não consiga associar sandes de presunto a leite. Não aprofundei mais o assunto, o que me levava ali era a famosa bifana do “Borges”.

A Cervejaria Borges é uma daquelas casas que vive muito da entrega do seu dono. Todos os clientes que vimos sair e entrar trataram-no pelo nome, e ele naquela forma carinhosa que estamos mais habituados a ver nas pessoas do norte, chamava alguns por nomes que aqui não posso reproduzir. Via-se que havia ali confiança de longos anos, e que os clientes eram tratados como família. Sentimo-nos logo em casa.

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Pedimos as duas bifanas da praxe, a especialidade da casa, como anunciava um dos painéis de azulejos que serviam de decoração. Enquanto esperava fui lendo os cartazes e recortes afixados nas paredes: o Sr. Luís chama-me a atenção, orgulhoso, para o recorte com uma entrevista ao Luís de Matos onde afirma que a Cervejaria Borges tem a melhor bifana do mundo. Foi o suficiente para as expectativas ficarem elevadas.

O nosso pedido chega à mesa. À primeira vista parecem umas bifanas normais, como as que vimos no Tony das Bifanas ou no Mijacão, mas quando as tentamos abrir nota-se logo uma diferença óbvia: o pão custa a despegar da carne, está embebido com molho, colando-o à febra perfeitamente aparada e livre de gorduras. O Sr. Luís bem nos tinha avisado que a carne das suas bifanas não tinha gordura, o que não impede que fiquemos com as mãos cheias do molho que escorre do pão. Deixo-vos um conselho: usem vários guardanapos.

A gordura é sinal de sabor, coisa que não falta nestas bifanas. A carne é tenra e fresca, demasiado até, pois segundo o Sr. Luís, a carne estaria melhor no dia seguinte. Não coloco isso em causa, mas para mim estava óptima. A primeira bifana desapareceu em segundos, comi-a com mostarda, sendo alertado por um cliente para experimentar o “molho especial da casa”. O dono da casa prontamente saiu de trás do balcão para ir buscar um frasco ainda por estrear de um molho picante caseiro, confeccionado pelo próprio. Via-se o seu orgulho quando nos mostrava o frasco e nos ensinava como espalhá-lo na carne da segunda bifana entretanto pedida. Bastaram umas pinguinhas do potente molho para dar o toque especial à bifana, que segundo ele ainda tinha outro segredo que “não revelava a ninguém”. Poderá ser estratégia de marketing, mas o que é certo é que, até ao momento, esta é a melhor bifana deste périplo. A diferença está no molho que cria uma ligação entre o pão e a carne que me faz ficar a salivar enquanto escrevo esta crónica. São estas coisas simples, combinadas com a simpatia do proprietário, que marcam a diferença e fazem com que a casa esteja aberta há mais de 36 anos.

Na hora de pagar pediram-nos 2.20 euros por cada bifana. Está entre as mais caras das que já provámos mas, vão por mim, será dinheiro bem gasto.

Texto de Bruno Raposo
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 24 de Outubro de 2013)