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A arte dos bolos

BPI_2335Aqui está um artigo que vai fazer as delícias dos leitores mais gulosos. Raquel Almeida, farmacêutica de profissão, dedica-se também à confecção e decoração de vários tipos de doçaria. Fomos conhecer a receita do seu trabalho.

A vontade de fazer bolos talvez tenha nascido com Raquel. Não sabe muito bem precisar, mas reconhece que “é desde que me lembro que tenho esse gosto, bem como pela cozinha de uma forma geral”. Contudo, foi há cerca de dois anos que o acaso, ou não, decidiu por ela. “O gosto pelo cake design já tinha surgido, mas ainda não tinha surgido a oportunidade de fazer formação nesse âmbito. Um dia descobri no facebook um workshop de iniciação na área e inscrevi-me”. A partir desse momento, não largou mais a massa. Vários workshops se seguiram: cupcakes, cake pops, bolos de nível avançado, modelagem de figuras humanas e animais. “Gostei muito de todos e percebi que tinha algum jeito, facilidade e apetência para a modelagem. Correspondia muito às minhas expectativas e agradava-me muito trabalhar com a parte estética”, confessou. “Sempre fiz muitos bolos, daqueles simples com um buraco no meio, mas nunca os decorava”.

De forma espontânea, Raquel foi adquirindo prática e aperfeiçoando o método. Entre muitos bolos feitos para a família (toda!) e para amigos, percebeu “que gostava realmente daquilo que estava a fazer”. Um desses bolos, para o aniversário de um amigo, foi o que mais marcou o seu percurso. “O bolo era a minha prenda de aniversário e elevei a fasquia, estava muito elaborada a decoração. As pessoas adoraram e ainda hoje esse continua a ser um dos bolos de que mais falam”.

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Com este bolo no papo, Raquel, de repente, começou a ter pedidos para fazer bolos por encomenda. A sua primeira reacção quanto a este facto foi a incerteza. “Inicialmente fiquei na dúvida se aceitava ou não. Quando decidi fazer o primeiro workshop e depois todos os outros, nunca me passou pela cabeça fazer disto um negócio, foi unicamente uma questão de gosto e enriquecimento pessoal”. E apesar de lhe ter custado começar a cobrar dinheiro pelo seu trabalho, a verdade é que a inibição passou e o trabalho foi crescendo.

Vamos agora a uma pequena lição de culinária ou, para sermos mais precisos, de cake design. Como é que se fazem todos aqueles bonecos e motivos decorativos que tornam os bolos tão especiais? “O que uso para fazer a decoração é pasta de açúcar. Existe a pasta branca, as pastas coloridas das mais diversas cores e os corantes que servem para dar cor à pasta branca. Como por norma não utilizo corantes e gosto mais das cores suaves e dos tons pastel, misturo a pasta branca com a pasta colorida até chegar ao tom que pretendo. Depois é moldar”. Raquel acrescenta ainda “que há também a possibilidade da cobertura de chocolate”, mas é a pasta de açúcar que mais prazer lhe dá trabalhar.

O tempo de confecção que todo o processo demora, desde fazer o bolo até terminar a decoração, é variável, mas é longo também. “A maioria das pessoas não tem noção do tempo que demora a fazer-se um bolo, mesmo os mais simples. Só o tempo que tem de estar no forno é em média 40 minutos. E como gosto de bolos altos, tenho sempre de fazer dois ou três. A seguir tem de arrefecer, tem de se cortar, rechear e aparar para ficar perfeito. Com a decoração e a mistura das pastas, leva muitas vezes mais de um dia”, explicou.

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A maioria das encomendas que Raquel tem é para aniversários, de adultos e crianças. No entanto, “tenho-me apercebido que funciona um pouco por fases. Há momentos em que se concentra mais trabalho e até passo noites sem dormir. Por exemplo, o Verão é uma altura em que para além dos aniversários, que acontecem todo o ano, existem outro tipo de festividades como casamentos, baptizados e comunhões”. Outros trabalhos lhe têm surgido, inclusivamente com empresas de organizações de eventos. “Gosto de fazer essas parcerias porque são trabalhos de uma outra escala e muito interessantes. É muito bom trabalhar com outras pessoas quando existe sintonia. E felizmente é o que tem acontecido”.

Outro dado curioso em relação às encomendas, é que na maioria das vezes as pessoas deixam ao critério de Raquel a forma como o bolo será decorado. “Tenho essa vantagem de as pessoas me deixarem criar à vontade. Muitas vezes nem o tipo de massa escolhem. Acredito que muita gente não gosta de trabalhar assim, mas eu prefiro. Há todo um lado de pesquisa e inspiração que me agrada muito e assim diminui a probabilidade de fazer coisas de que não gosto”. Aliás, parece que nestes dois anos só fez um bolo de que não gostou.

Além de continuar no ramo da farmácia e de se aventurar nos bolos, Raquel dá formação nesta mesma área. “Dou formação de iniciação ao cake design, que é uma formação mais básica e simples, para quem começa, mas também dou módulos mais avançados. Sempre que existam marcações, eu vou”. Tudo isto faz com que tenha poucos dias livres ou, pelo menos, poucos dias em que não faça um bolo. “Já recusei trabalhos por falta de tempo. Mas isso também tem muito a ver com a antecedência com que as pessoas fazem a encomenda”.

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Mesmo vendo o seu trabalho como cake designer a crescer dia após dia, “não posso ainda dizer que, estando em Coimbra, consiga viver do cake design. Certamente não é um hobby, é uma actividade profissional, mas não pretendo que seja a única”, admite. Porquê, estando em Coimbra? A resposta tem a ver com os preços praticados no mercado. “Quando comecei a cobrar fiz uma pesquisa e vi que havia um preço médio. Em cidades maiores os preços são mais elevados”. Independentemente dessa questão, o preço final que se pratica tem a ver com o peso do bolo, ou seja, existe um preço por kg. “Como a elaboração da decoração é a mesma quer seja um bolo maior ou mais pequeno, muitas vezes quase que nem ganho dinheiro quando o bolo é mais pequeno. Além de nem contabilizar as horas de trabalho”.

Raquel já fez alguns trabalhos para fora de Coimbra, mas os seus clientes são da cidade e arredores. “Não faço entregas. Faço os bolos e as pessoas vão buscá-los. Isso dificulta muito atingir pessoas de fora de Coimbra. Para isso era preciso outra logística que neste momento não tenho”. Cada bolo é especial e requer cuidados. “A partir do momento em que o bolo sai de minha casa, deixa de ser responsabilidade minha. Mas mesmo assim, custa-me imaginar que o bolo não chegue intacto ao seu destino. Tenho de explicar uma série de cuidados quando vão buscar o bolo, como por exemplo, pegar na caixa e colocar no carro”.

Imaginamos agora que com estas informações e estas fotos, alguns de vós estejam com água na boca. Para se livrarem disso, basta aceder à página do facebook da Raquel e fazerem a encomenda. Bom apetite!

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 17 de Outubro de 2013)