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DARKSIDE – Psychic

DARKSIDE- CAPAPrimeiro trabalho de longa duração da dupla nova-iorquina Darkside. Nicolas Jaar e o guitarrista Dave Harrington, juntos desde 2011, casam as suas origens, olham um através do outro e dão-nos este belíssimo híbrido progressivo de música electrónica e rock psicadélico com uma profundidade do outro mundo.

Afirma Nicolas Jaar que este é o seu álbum rock n rol. Dave Harrington diz que este é o seu disco de electrónica. Guitarras e a frieza digital são realidade que muito raramente resulta em coisa merecedora de atenção. Resolvi arriscar. E ainda bem. Provavelmente não é tão cedo que vou ouvir uma coisa assim.

“Psychic” é um ciclo de canções ritualísticas, meditação numa festa House que explora as bordas externas do rock cósmico e assenta na estrutura envolvente da electónica do séx XXI. É o primeiro disco da dupla e segue-se ao aclamado homónimo EP de 2011, bem como ao seu álbum de remisturas “Random Access Memories” dos Daft Punk.

O disco inicia com 11 minutos de uma escuridão assente em experimentação. “Golden Arrow” tem uma inclinação cinematográfica, em grande parte psíquica – tal como o nome do disco. O vídeo realizado para este “Golden Arrow” está próximo de uma qualquer instalação de arte:

O disco prossegue com uma espécie de interlúdio que é “Sitra” e rebenta em “Heart” com jogos de sombras entre manipulações digitais, instrumentos acústicos e a guitarra de Dave Harrington a mostrar o futuro. Simplesmente genial.

Momento ainda maior surge logo a seguir com “Paper Trails”, uma incursão elegante em guitarra blues, tremenda vocalização de Jaar, a elevar a arte de fazer música para algo maior.

O resto do disco é todo ele repleto de adjetivação boa, coisa que não consigo traduzir.

Fecho de álbum com “Metatron”, cancão sci-fi, que para Kim Fowley poderia ser muito bem blues intergaláctico do séc.XXII.

“Psychic” é repleto de atmosferas extraterrestre e texturas alienígenas, disco lento e contido, no limite da falha humana em não dominar terrenos destes. É um grande disco, como todos aqueles que se propõem a elevar a música, a fazer com que a palavra “arte” possa ser invocada, aqui e ali.

Texto de Bruno Pedro Simões

(Publicado a 10 de Outubro de 2013)