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Coimbra Medieva: Fragmentos de Memória

BPI_0886A mostra “Coimbra Medieva: Fragmentos de Memória” começa no próximo dia 11 de Outubro e terminará a 24 de Novembro. O evento é realizado numa parceria entre o Museu Nacional Machado de Castro (MNMC) e o Centro de Formação Profissional de Artesanato (CEARTE) e insere-se nas celebrações do centenário de abertura do Museu ao público. De uma forma abrangente, este é um evento que pretende alcançar a compreensão do contexto histórico e religioso da cidade de Coimbra entre os séculos VIII e XII e que, nesse sentido, contará com um conjunto de diferentes actividades.

A Preguiça Magazine Coimbra foi falar com a directora do Museu, Ana Alcoforado, e com o director do CEARTE, Luís Rocha, de modo a dar uma perspectiva mais autêntica do que é e do que acontecerá nos próximos tempos.

“Este evento é um projecto muito importante não só pelo momento em que está a acontecer, mas sobretudo porque nos parece muito identitário da própria instituição”, refere Ana Alcoforado. “Foca-se muito no facto de se tratar de um projecto educativo, transdisciplinar e transversal a diversas áreas e esse é um conceito muito forte neste Museu.”

“O Coimbra Medieva é um conjunto de iniciativas organizadas pelo curso de Técnico de Museografia e Gestão do Património do CEARTE, que elegeu o período medieval de Coimbra como o centro do seu estudo, o centro da sua investigação. Agora, vão apresentar ao público o resultado desta sua investigação”, explicou Luís Rocha.

A parceria entre as duas instituições não é uma novidade. “Temos tido outras colaborações com o CEARTE, nomeadamente para desenvolver ateliers nas diversas áreas em que se cruzam. Alguns elementos da equipa do Museu também têm sido formadores, algumas sessões têm sido feitas cá e temos acolhido estagiários na instituição”, explicou-nos a directora do Museu. Por seu lado, Luís Rocha explica que esta parceria “resulta da intenção do CEARTE tentar direcionar toda a formação para o mercado de trabalho e de aproximar a formação ao contexto real de exercício das suas actividades. O Museu felizmente tem uma abertura notável a todas estas questões da formação e da educação e portanto, abriu as portas, nos últimos quatro anos, ao CEARTE para que os cursos de Técnicos de Museografia e Gestão do Património possam ter formação no próprio Museu”.

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Subjacente a estes factos, está uma forte admiração, também aqui partilhada pelas duas partes, ao fundador e primeiro director do MNMC: António Augusto Gonçalves. “O Museu é quase uma marca d’água do seu mentor. António Augusto Gonçalves corporizava aquelas intenções republicanas de ter um espaço museu para todos os cidadãos. No fundo, os objectivos máximos do nosso primeiro director eram a formação, artística e profissional, o conhecimento e a divulgação do património, porque só se pode conservar e amar aquilo que se conhece bem. E o objectivo deste evento é esse: preparar para uma profissão e dar a conhecer um património para que todos o possamos amar e cuidar”, diz a actual directora. “O primeiro director do Museu queria que este não fosse unicamente um repositório de peças, como é habitual nos museus, mas que fosse uma escola de formação ligada às áreas industriais, artísticas e do artesanato. Ou seja, já nessa altura António Augusto Gonçalves queria democratizar a formação e a educação nestas áreas artísticas. É aquilo que hoje o CEARTE e o Museu estão a fazer. Nestas áreas específicas do património estamos a continuar o legado que o primeiro director do Museu deixou. Esta é uma grande mais-valia que deve ser reforçada”, explicou Luís Rocha. É por tudo isto, que uma das actividades propostas pelo “Coimbra Medieva” é uma recriação de uma aula de desenho dada por António Augusto Gonçalves aos alunos da Escola Livre das Artes do desenho.

Sendo o projecto final, ou Actividade Integradora (nome da disciplina), do curso de Técnico de Museografia e Gestão do Património, os alunos estão intimamente envolvidos no projecto. “Neste momento, os formandos têm feito tudo. Em conjunto com a equipa do Museu, fizeram a construção dos equipamentos para a exposição, a limpeza e conservação de alguns objectos que vão estar expostos. Trabalharam também todos os conteúdos para fazerem as recriações históricas em conjunto com a VIVARTE. Ora, eles sentem que estão a abrir horizontes para a sua vida, podendo a partir daqui pensar o futuro profissional de uma outra forma. É isto que estamos a desenvolver”, perspectiva Ana Alcoforado. Para Luís Rocha, o orgulho dos seus formandos é evidente. “O objectivo deste trabalho final é que integre o conjunto de várias competências que foram adquiridas ao longo do curso. Neste caso, com uma exigência maior, pois vai ser apresentado à comunidade e tem um júri de avaliação alargado e exigente que é o próprio Museu. O grupo de doze formandos e os formadores estão a ser inexcedíveis no trabalho que vai muito para além das sete horas de formação diária. É amor pela causa”.

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Todas as actividades deste evento são de acesso gratuito. É de facto um serviço prestado à comunidade. “Toda a população e todos os turistas terão acesso livre às diferentes iniciativas. Do ponto de vista cultural e patrimonial Coimbra terá muito a ganhar. Coimbra foi capital do reino nessa altura, aconteceram coisas muito interessantes durante esses sete séculos e é preciso dar a conhecer”, remata Luís Rocha. “Todas as pessoas podem aceder a tudo o que vai acontecer. O Museu prestará toda a informação que for necessária e os próprios formandos estarão disponíveis para orientar. Vai ser muito importante e vai sentir-se em toda a cidade. Pode ser um trabalho que deixe raízes na dinamização e divulgação da história e do património da cidade”, finaliza Ana Alcoforado.

Resta deixar a informação das actividades que serão desenvolvidas. A exposição temporária denominada “Coimbra Medieva: Fragmentos de Memória”, onde estarão expostos vestígios materiais da época medieval retratada. Será lançado um roteiro em formato papel e digital, denominado “Coimbra Medieva: Caminhos, Identidade(s) e Património”, que tem como objectivo dar a conhecer as reminiscências materiais dos tempos medievos (até ao século XII) ainda existentes. Será criado um site/quiosque (www.cearte.pt/coimbramedieva), de modo a auxiliar a divulgação da exposição, as actividades desenvolvidas e a difusão do roteiro. Haverá espaço para diversas conferências e palestras dedicadas à época, ao património e ao papel dos projectos culturais como ferramentas para salvaguardar a memória colectiva. Realizar-se-ão diversas recriações histórias sobre as quatro fases de Coimbra Medieval: Coimbra Capital do Reino, Coimbra Moçárabe, Coimbra Muçulmana e Coimbra Judaica e uma recriação dedicada a António Augusto Gonçalves. Por fim, terão lugar diversas actividades de âmbito educativo para crianças, jovens e adultos.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 10 de Outubro de 2013)