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O escultor dançante

BPI_7616Nasceu no Funchal, mas mudou-se para Coimbra, com os pais, aos 3 anos. A escultura é a sua vida, mas tem outras paixões: a dança, os animais. Apresentamos Rui Nóbrega, 67 anos, escultor dançante.

Encontramo-lo a esculpir na rua, na Conchada, perto do atelier onde, há cerca de 30 anos, teve um bar: o “Ponto de encontro”. Está ali desde as 6.00 horas. Tomou o pequeno-almoço e, às 7.00 horas, começou a trabalhar a madeira. A peça que o ocupa tem nome de provérbio: “O que nasce torto tarde ou nunca se endireita”.

Recentemente, concluiu outra peça, desta feita, sobre os caminhos de Santiago, a convite de uma pessoa ligada ao município de Santiago de Compostela. É um grande apreciador de arte sacra, e conquistou primeiros prémios nesse âmbito, mas, como “a arte sacra não tem grande saída”, começa a enveredar pela “arte nova, a arte moderna”. Polivalência não lhe falta, é o próprio a admitir.

“Gosto muito de trabalhar na rua e do contacto com as pessoas. De um modo geral, as pessoas nunca viram fazer”, conta Rui Nóbrega, que, de vez em quando, vai esculpir para a Baixa. “Aproveito os espaços vazios das lojas que estão fechadas e trabalho lá”.

Praticamente autodidacta

Rui Nóbrega é praticamente autodidacta, no que respeita à escultura. Aprendeu muito a ver trabalhar os canteiros, junto ao cemitério. Foram esses mestres os responsáveis pela sua “impulsão para as artes”, garante.

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Antes de ter entrado para o Círculo de Artes Plásticas, inscrito pela professora de Desenho que tivera na Escola Secundária de Avelar Brotero, já fazia alguns trabalhos em pedra. Desistiu ao fim de ano e meio. Não gostava de “desenhar tudo direitinho”, como alguns professores preferiam: “Sou muito criativo e punham muita imposição”.

Entretanto, começou a trabalhar com o pai, que importava e exportava frutas e cereais, sem nunca resignar à sua veia escultórica. Também se dedicou à pintura. No bar “Ponto de encontro”, havia dois cavaletes: um para si, outro para os clientes. “No fim, eu aproveitava os rabiscos que eles faziam”, lembra.

“A mania das danças”

Hoje, Rui Nóbrega já não pinta, “por causa das vistas”. Mas continua a martelar a madeira, e aceita encomendas. Também não abandona a pista de dança. “Sou muito vaidoso. Gosto de me arranjar quando vou para a discoteca. Ainda hoje, as senhoras vão buscar-me para dançar”, conta, sorridente.

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“Sempre tive a mania das danças. Já na Brotero fazia parte do grupo de danças. Aprendi a dançar nos Alunos de Apolo, em Lisboa. Às vezes ia de boleia, às quartas, fazer as aulas. Ficava lá – tinha uma tia a viver no Rossio – e depois vinha de comboio. Tinha uns 14, 15 anos”, conta.

Actualmente, é ele o professor. Dá aulas de danças clássicas e latinas de salão, no Centro Operário Católico, na Conchada. Tango, valsa inglesa, rumba, samba, cha cha cha, boogie woogie, salsa, quick step e kizomba são alguns dos estilos. As inscrições podem ser feitas naquele centro ou por telemóvel (967535113).

“Ir o mais longe possível” é o objetivo de Rui Nóbrega. “Tanto na escultura como nas danças”.

Texto de Carina Fonseca
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 03 de Outubro de 2013)