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ARP – “More”

ARP 3 Alexis Georgopoulos é um compositor e artista baseado em Nova Iorque. Música minimal, muitas vezes com sintetizadores analógicos e, cada vez mais, com instrumentos de cordas clássicos. Apresento-vos o projecto ARP e o belíssimo disco “More”, editado no passado dia 17 de Setembro de 2013.

Alexis Georgopoulos, membro dos grupos The Alps e Q&A, co -fundador dos Tussle (o qual abandonou em 2007) já trabalhou e editou pela RVNG Intl, Type, Smalltown Supersound, DFA, True Panther Sound, Rong, Eskimo, Lo, Root Strata, Troubleman Unlimited, White Columns & Deitch Projects. Remisturou grupos como Lindstrøm, Delorean, Lawrence Wiener and Ned Sublette, Harald Grosskopf and Shocking Pinks e já foi remisturado pelos Hot Chip, Optimo, Studio, Gavin Russom, Peaking Lights, No UFO’s, Munk, Etienne Jaumet ou mesmo Soft Pink Truth.

Paralelamente, Georgopoulos é também escritor de arte, música e design. Mais recentemente, escreveu a biografia da compositora de sintetizadores Suzanne Ciani e também da revista de arte de vanguarda dos anos 70 “Avalanche”. Foi ainda editor de música da revista “SOMA” de 2006 a 2008.

ARP 1 - CAPA DISCO

Falando deste “More” do seu projecto ARP – nome retirado do artista Dadaísta Jean Arp – é o primeiro de Georgopoulos em que quase todas as músicas são cantadas, um álbum pop portanto, um disco de canções que o próprio assumiu como um desafio depois de em 2010 ter descoberto bases vocais interessantes e que já não encaixavam no seu trabalho “Soft Wave”.

O disco começa com High-Heeled Clouds”, música que serve de apresentação para as 12 músicas de “More”, é lento, a lembrar um Brian Eno avant-garde que rapidamente passa para um outro Brian Eno: o dos Roxy Music. Judy Nylon é tudo aquilo que esperamos que seja: pop psicadélico perfeito, voz no sítio certo, melodia com a rotação no ponto caramelo.

Entramos depois no universo de um Syd Barret orquestral com A Tiger in the Wall at Versailles. Música de uma beleza enorme, simplicidade que nos leva na máquina do tempo uns bons 45 anos atrás. Light & Sound acalma-nos de novo e o interlúdio de “17th Daydream” acenta como uma luva na explosão orquestral de Gravity (For Charlemagne Palestine). Georgopoulos sacia os seus impulsos mais arty, num riff de piano minimalista, numa peça que poderia continuar por horas, derrubando fendas de melodia e cor que estavam escondidas à vista de todos.

Daphne & Chloe” e “Persuasion fecham de forma magistral. A primeira na lentidão de (mais uma vez) Brian Eno e a segunda numa aceleração que nos faz querer mais e mais e ainda mais.

É um disco curtinho, são 8 músicas e 4 dissertações musicais de ruído psicadélico, experimentalismo, freakaria e pop, muito pop. Sendo simplista, é um caldeirão com Brian Eno, Syd Barret, Robert Wyatt, Kevin Ayers (falecido em Fevereiro passado) e uns Roxy Music com Pink Floyd com ácidos quanto baste pelo meio.

Alexis Georgopoulos promete ainda mais dois discos de longa duração a editar em 2013. Depois deste “More” existirá um segundo álbum ARP que contará com instrumentos de cordas clássicos acústicos e electrónicos. Um terceiro álbum ARP, intitulado “Raga For Moog & Violin” fechará o ciclo, esperamos nós, brilhante, de um dos grandes artistas contemporâneos.

Texto de Bruno Simões

(Publicado a 3 de Outubro de 2013)