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Patrícia Sucena de Almeida

BPI_8768Porque a cidade de Coimbra conta com um conjunto de artistas e produtores de eventos culturais que nos merecem a máxima atenção, entendemos dar a conhecer o trabalho que a compositora Patrícia Sucena de Almeida vem desenvolvendo neste âmbito, já que estamos à porta do Encontro Internacional Fotografia / Multimédia, Coimbra, 2013.

A Patrícia é, acima de tudo, uma compositora de música erudita. Ainda assim, conhecemos a sua actividade no âmbito da curadoria e da produção de eventos ligados à imagem, especialmente à fotografia, conciliada sempre com “outras artes”. Como despontou essa sua outra vocação artística?
Para além do meu interesse pela música, nunca deixei de estar interessada em outras artes, já que todas caminham em conjunto, influenciando-se mutuamente. Nunca consegui estar enclausurada numa concha. Necessitei, constantemente, de outras abordagens artísticas para completar os meus discursos. Naturalmente que todas as práticas artísticas funcionaram, e funcionarão, não só como fontes de inspiração, mas também, e referindo-me às “outras artes”, como elementos que estão intimamente envolvidos nas obras que crio. Possuo, relativamente à fotografia, uma ligação mais próxima, por influência do meu pai que me colocou uma máquina nas mãos desde cedo, para que eu pudesse começar as minhas experiências. Também não posso esquecer-me, neste contexto, da forte influência que o meu tio-avô exerceu sobre esta predilecção. Dedicado à fotografia, criava, ele próprio, os seus mecanismos de trabalho. Penso que a partir daqui nasceu a necessidade de expor o que criava, mas também a de alargar essa actividade, conduzindo-me para outras iniciativas ligadas com as mostras daquilo que se passa ao nível da fotografia, mas também da fotografia/multimédia, nacional e internacionalmente.

E assim vingou a ideia deste Encontro Internacional Fotografia/Multimédia que decorrerá proximamente em Coimbra. Quer explicar-nos no que consiste este projecto?
Sim. Esta é a parte III de um conjunto de eventos anteriores e decorrerá a partir de 5 de Outubro. É um projecto que pretende principalmente chamar o público de Coimbra, mas espero que possamos levá-lo a outras cidades futuramente. Considero que o objectivo principal deste encontro é a divulgação de criações fotográficas, mas também do trabalho realizado no âmbito da interactividade disciplinar, feito por artistas nacionais e internacionais, através da organização de eventos individuais e em colaboração artística. Esta III parte do Encontro contará ainda com um conjunto de sessões de apresentação de projectos relativos à Fotografia/Multidisciplina/Interactividade Disciplinar (desenvolvidos a nível nacional e internacional), de Livros e outras formas de apresentação fotográfica, e de seminários/conversas sobre temas relativos a estes conteúdos. Para isso, convidámos criadores proeminentes nestas áreas que certamente nos trarão muitas novidades.

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O Encontro de Fotografia/Multimédia decorrerá, praticamente em simultâneo, em vários espaços da cidade de Coimbra. Pode dizer-nos em que locais podemos ver o quê?
Dou muita importância ao espaço, aquando da idealização destes acontecimentos, e tento agir de forma a manipular, ou a transformar esse espaço de acordo com os ideais de cada situação a apresentar. O espaço é, por isso, moldável, performativo e interventivo. Para não fugir ao meu interesse pela interactividade artística, tenho produzido eventos que ligam a Fotografia ao Filme, a Fotografia à Música, a Fotografia à Literatura, a Fotografia à Performance, etc. Quanto à programação, vamos ter exposições que decorrerão simultaneamente em três locais da cidade de Coimbra: no Arte à Parte, na Casa das Artes e na Casa da Esquina. A mostra inicia-se no dia 4, e prolongando-se até dia 27 de Outubro, tal como a apresentação de projectos e de livros de fotografia nos fins-de-semana seguintes (entre 19 e 20, e 26 entre e 27). Posso declarar que as quatro exposições integram obras de Diogo Oliveira, Aurélie Wotton /Exomène e de Nuno Ferreira, bem como dos fotógrafos que participam no projecto “A Fotografia de Espectáculo”. Finalizando, anuncio a presença de Pedro Medeiros, Didier Rougier, Susana Paiva , Valter Vinagre, participantes do projecto “The Portfolio Project” e “EIFE” nas sessões de apresentação.

A sua actividade divide-se entre a composição musical, a fotografia e a divulgação de outras práticas artísticas. Há uma grande intimidade entre a música e a imagem no seu processo criativo?
Em termos de criação, enveredo pela composição musical interactiva disciplinar, e pela fotografia/multimédia, tendo já realizado exposições/projecções a solo e em colaboração em Portugal bem como noutras cidades Europeias. A minha relação com a imagem não é só fotográfica. Utilizo o filme ou o vídeo como vertente constituinte em determinadas obras que realizo, como por exemplo no Nocturna Itinera, Aranea, Tempus Fugit, etc.. Utilizo a pintura como fonte de inspiração durante o processo de criação, não só ao nível conceptual, mas também visual (no que diz respeito à escolha às várias facetas das obras como o cenário, figurinos, performers, etc.). Posso referir que a influência de Bosch, especialmente “The Ship of Fools” e “The Stone Operation”, bem como as xilografias de Dürer é muito marcada na obra Mens Sana in Corpore Sano, e que me deixei influenciar por Millais, com “Ophelia”, no trabalho Dulce Delirium, que Piranesi, com “Carceri D’Invenzioni”, está presente em Aranea insidiis noctis serenae, e que Gertler, com “Merry-go-Round”, me ajudou a compor Silens Clamor.

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Uma vida dedicada à arte é um caminho difícil, mas apaixonante… Por que não consegue ficar-se apenas pela composição musical, idealizando tantos outros projectos?
Quando penso sobre o que me leva a idealizar e, mais importante ainda, a concretizar estes projectos, numa época de incertezas, surgem-me como respostas a necessidade de desenvolver, promover e valorizar a criação contemporânea portuguesa e internacional, divulgando práticas, artistas, discursos e tendências, possibilitando o intercâmbio cultural e a partilha de sensibilidades, de experiências e de emoções. É urgente que assim seja.

Ao que nós acrescentamos que, sem a presença da arte, o mundo perderia todo o sentido.

Texto de Carla Alexandra Gonçalves
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 3 de Outubro de 2013)