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Blue Jasmine

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Woody Allen volta a dar cartas com o seu novo filme “Blue Jasmine”. Após o fraco “To Rome With Love” do ano passado, voltamos a sentir que estamos no universo próprio do realizador que, apesar de alguns desvios de percurso, consegue novamente criar. E damos conta que estamos a entrar nesse universo logo com a música de introdução do filme.

A história é exactamente daquelas que o realizador já nos habituou. Um drama com tons de comédia, um argumento muito bem escrito, uma perícia técnica como só ele consegue. Jasmine (interpretada por Cate Blanchett) é a personagem que caiu na mais verdadeira das desgraças. O seu marido Hal (interpretado por Alec Baldwin) era um corrupto que tinha negócios ilícitos e, após descoberto pelas autoridades, vai preso e a vasta fortuna do casal desaparece. Após ter passado por uma grande depressão, supostamente recuperada, e falida, Jasmine decide ir passar uns tempos com a sua irmã Ginger (interpretada por Sally Hawkins) a São Francisco. Contudo, a vida por lá não vai ser fácil, dadas as disparidades com a sua anterior realidade.

A interpretação de Cate Blanchett merece o maior dos elogios e parece mesmo que vai encontrar um lugar de destaque nas personagens femininas criadas pelo realizador. Uma mulher volúvel, deprimida, viciada em álcool e medicamentos, desequilibrada, moralmente comprometida e neurótica. Aliás, neurose é um tema que Woody Allen já domina bem. Sally Hawkins (Um Dia de cada Vez, 2008) está igualmente bem no seu papel de irmã que quer ajudar, mas que tem os seus próprios problemas por resolver.

Esta narrativa, contada em flashbacks, permite-nos pensar em inúmeras questões, mas sem nunca pesarem, pelo menos na sala de cinema. Podemos vê-la como uma crítica ao actual mundo financeiro e à maneira como determinadas classes se comportam. Ou então aprofundar o nosso conhecimento sobre a fragilidade humana, as mentiras, as ilusões e as desilusões, os sonhos e as fantasias. E claro, sentir e perceber claramente que nem todos os seres humanos têm a mesma capacidade emocional para aguentar as agruras da vida.

As pepitas de humor com que Woody Allen vai salpicando o filme, fazem-nos soltar risos que, perante uma personagem tão desesperada como Jasmine, até nos fazem quase sentir mal por rir. Os diálogos são refinados, com momentos de pura mordacidade.

Há suspeitas de que este filme se baseou no conhecido “Um Eléctrico Chamado Desejo” (1951), com argumento de Tennessee Williams e que Elia Kazan levou para o grande ecrã. No entanto, tal nunca foi confirmado pelo realizador de “Blue Jasmine”.

Este filme recomenda-se a quem goste de Woody Allen no seu melhor!

Título: Blue Jasmine
Realizador: Woody Allen
Actores: Cate Blanchett, Sally Hawkins, Alec Baldwin, Peter Sarsgaard
Ano: 2013

Texto de Carina Correia

(Publicado a 19 de Setembro de 2013)